terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Baia de Hound (Hound Bay)

Latitude: -54.22
Longitude: -36.28
























Parece um roteiro de férias mas não é. Depois da Baía de Stomness (em cima) com as calibrações, tivemos de ir buscar todo o equipamento de campo para o trabalho com os pinguins rei na Baía de Hound (em baixo).













O amanhecer de Stomness ainda me estava na cabeça. Com a possibilidade de ir a uma colónia de penguins rei a Baía de Hound, eu estava com um brilho nos olhos. De início, julgava-se que seria por voluntariado para ir buscar o equipamento, mas depois percebeu-se que devido ao tempo limitado que tinhamos, apenas 5 cientistas precisavam de ir a terra. Estes seriam escolhidos por Geraint Tarling, o responsável do cruzeiro…fiquei super contente quando me disseram que eu tinha sido escolhido. Abaixo, eu e a ventania do dia em Hound Bay....












A ida a terra seria muito rápida. Seria chegar à colónia, trazer o equipamento para a praia (100 metros de distância), e colocar tudo num bote. Seria uma tarefa de 2 horas e não havia tempo para levar máquina fotográfica…e assim foi! (a foto abaixo de pinguins rei, foi tirada por mim em St. Andrews Bay no ano 2000)


2 botes, e um rebocador foram usados para trazer tudo. As ondas chegaram para deixar entrar a água a 2 graus pelas botas a dentro mas como estava sempre a andar de um lado para o outro, a água aquecia num instante. Os melhores momentos foram:
1- Quando cheguei à praia, eu e o Martin fomos os primeiros a pôr os pés na água e na areia. O sentir a água gelada nos pés!
2- Estar no meio dos penguins rei, com eles a passarem ao nosso lado em grupo a olhar para nós a pensarem de certeza “que penteado tão fora de moda estes novos penguins têm!”. No caso dos lobos marinhos foi ainda mais espectular pois eles vêm até nós…super curiosos. Por fim, as renas e os elefantes marinhos nos pastos verdejantes…
3- O sentir a terra firme. Já não pisava terra há semanas…que bom a sensação de segurança!
4- Por fim, o estar a fazer algo diferente. O estar em terra, ter o contacto directo com os animais…foi muito bom. Simplesmente magnifico!!!


















Claro para os que não foram escolhidos para ir estavam tristes…mas com aquele sorriso a dizer “que bom que te divertis-te por mimi também!” Em cima, todos a tirarem fotos desta Baia com B grande!

Proximo destino....a captial da Georgia do Sul...Grytviken!


(Stomness Bay was amazing, with its history and whaling station, so I was quite curious on Hound Bay would be like. Hound Bay is where the king penguin research is being carried out. We had to pick up some equipment there (there is no research station there, so it is like a Summer camp). At first I thought everyone could be a voluntier however, duie to time restrictions, only 5 could go ashore and collect the equipment. The Principal Scientific Officer for the cruise, Geraint Tarling, chose Andy Black, Dirk Briggs, Robin, Hugh Venables and me that would help Martin Collins!!!!! It had to be fast and in two hours the work was done. No time for photographs though...Hound Bay had its own personality of a place, with the king penguins everywhere, the elephant seals and reindeer around, the Antarctic fur selas chasing us as usual...great place!!!! Next , King Edward Point, at the capital of South Georgia...Grytviken! (which means "Por Cove" )

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A Baia de Stomness (Stomness Bay)

Latitude: -53.57
Longitude:-34.96
A Georgia do sul ao fundo...

















Este fim de semana foi muito especial. Estou com um sorriso daqueles quando acabamos algo de que estamos orgulhosos…a parte científica do meu grupo terminou hoje! Foram 2 dias super intensos. Vejamos: acordei as 6 da manhã de Sexta-feira (ainda habituado ao horário da meia noite ao meio dia) e desde essa hora, foi uma correria final por mais de 24 horas mas sempre muito divertido. O nosso trabalho acabou a beber champagne às 6 da manhã, exaustos. Eu, Martin Collins, Rachael Shreeve e Gabriele Stowasser felizes!



















Nessa altura, já estavamos a chegar a Bird Island (a ilha onde se encontra uma base científica da British Antarctic Survey e onde estive a fazer os meus primeiros estudos em 1999 e 2000) para ir buscar 3 cientistas.













Assim, tive de resistir em manter-me acordado pois eu queria voltar a ver a ilha onde passei mais de 6 meses seguidos, onde tive tantas aventuras…e sentir o grande privilégio de a ver novamente ao vivo. De 2000, a base está renovada, maior mas o resto está lá tudo: os penguins, os lobos marinhos a fazer a barulheira do costume, as colónias de albatrozes com os filhotes bem pequeninos à espera que os pais venham…



















Posteriormente a isso, dormi 4 horinhas pois também não queria perder nada de Stomness Bay (para calibrar alguns aparelhos), uma baía que alberga a famosa Fábrica da pesca da baleia onde o explorador Sir Ernest Shackleton foi salvo, após 22 meses no mar e ter andado num barco de 5 metros de Elephant Island (Península Antárctica) até à Georgia do Sul. Muita história no ar… Stomness Bay com detalhes sobre a Fabrica da Baleia (que funcionou ate 1961). Vale a pena ler o seu livro "South"...






























Agora estamos ao largo da Geórgia do Sul, a obter mais umas amostras….

Simplesmente estou com um sorriso daqueles de felicidade a pensar “que excelente fim de semana!”

Aqui temos Stomness Bay as 4.30 da manha ao nascer do Sol...





(This weekend was tremendously exciting...big smile on my face! My group finished all the research planned, after we worked hard for long hours. So, we had a small glass of champagne at 6 in the morning with a beautiful sunrise. Despite being very tired I stayed up to see Bird Island Research Station of the British Antarctic Survey. Been there in 1999 and 2000 and it was so good to see it again. Lots of good memories came to mind. Very special palce, Bird Island! We picked up 3 scientists there before heading to Stomness Bay to do calibration of the acoustics devices. This Bay contains a whaling station built in 1907, and was operational until 1961. It was here that Sir Ernest Shackleton arrived after two years of travelling to the Antarctic on his Tras-Antarctic Expedition. Shackleton arrived here after weeks of sailing on a small 5 metre boat James Caird from Elephant Island (Antarctic Peninsula, 800 mi away) and 36 hours of walking in the mountains (he arrived on the other side of South Georgia)... explorers true story!!!! Now we are just offshore South Georgia to obtain a few more samples...big smile!!!!)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Ciência em ondas de 5 metros (Science Surfing on 5 metre waves)

Latitude:-51.13
Longitude:-37.06


















Com as tecnologias de hoje, tudo é quase possível…mesmo conversar para uma conferência em Portugal no meio de uma tempestade no Oceano Antárctico. As ondas estavam com mais de 5 metros, o vento com rachadas com mais de 45 nós (um ventinho desagradável ronda os 15-20 nós) não foi fácil, mas foi muito bom!


















Como foi bom conversar em Português e ouvir as vozes de amigos. Que bom saber que todos estão bem e que a expedição dos 7 jovens estudantes portugueses e a tutora Ana Salomé na expedição à Antárctica foi uma experiência de uma vida!!!!


Sem dúvida, os cientistas portugueses, o Comité Português para o Ano Polar Internacional, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (principalmente o papel fundamental do seu presidente João Sentieiro) e a Agência Ciência Viva (incluindo o papel essencial de Ana Noronha e a sua equipa), têm mostrado ao mundo como se pode ligar a ciência e a educação de um modo a que tudo o que é importante cientificamente chegue a todos. Muitos parabéns!

Quanto ao navio, esse não parou de rolar! Para um lado….para o outro. De vez em quando vez uma daquelas ondas maiores vem, aí parece que o navio trespassa as ondas. James Clark Ross é um navio enorme, com 100 metros de comprimento, e a segurança e experiência da tripulação deixa-nos descansados. Eu e os meus colegas passamos bastante tempo a admirar esta fúria polar a nos passar apenas a poucos metros ao lado. Temperatura da água aqui: 2 graus! Mas nada perturba as aves marinhas...a sinueta de um "white-chinned petrel" num dia de mau tempo...




























No entanto, nada disso incomoda Jeremy Robst, um dos responsáveis pelo sistemas informáticos a bordo: anda sempre de T-shirt, estejamos na Antárctica junto ao gelo, quer estejamos no meio de uma tempestade.













Próximo destino: a bela da Geórgia do Sul!!!



(Today the James Clark Ross surfed the waves! More than 5 metre waves, winds from above 40 nots, the Southern Ocean shows us once again how storms are. Meanwhile, in the middle of this one, I had a phone call from Portugal regadring the conference meeting on which the high school students that have been on an Antarctic expedition, within the Portuguese educational Program for the International Polar Year, Latitude60!. It was so nice hearing Portuguese again and describe to all how exciting is to be here. Portugal is in an International Polar Year for the first time in its history and the Portuguese scientists, the Portuguese Committee for the International Polar Year, the Foundation for Science and Technology (FCT) and the Agency Ciencia Viva should be congratulated for showing the world what Portugal can do in terms of science and education. Well done!)

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Anjos do Oceano (Angels of the Ocean)

Latitude: -50.43
Longitude: -34.39

















Sabia que existe anjos nos oceanos? Sim, é mesmo isso que a Nina Bednarsek, uma estudante de Doutoramento que estuda na British Antarctic Survey. Mas não só…estuda também as
borboletas dos oceanos… e na Antárctica existem ambas!


















Nina é da Eslovénia e estuda este grupo de organismos que se chama moluscos gastrópodes. Apesar de serem pouco abundantes no Oceano Antárctico, estes organismos são muito interessantes ecologicamente. Eles são dos organismos que podem ajudar-nos a compreender melhor a acidificação dos oceanos, que está associado à questão das alterações climáticas.






















A acidificação dos oceanos é um dos assuntos mais em foco na ciência hoje em dia. Devido ao aumento do dióxido de Carbono na atmosfera, este dissolve-se nos oceanos. Devido às características únicas do Oceano Antárctico (águas frias), o dióxido de Carbono dissolve-se na água, ficando mais acída. Assim, para avaliar os efeitos da acidificacão dos oceanos, e que consequências pode ter nos organismos marinhos (principalmente na formação da sua concha), Nina está a bordo a tentar resolver estas questões. Boa sorte!

Quanto ao resto, a ciência está a correr dentro do previsto, com várias amostras retiradas onde os penguins väo-se alimentar. Assim, em breve estaremos na Geórgia do Sul para mais aventuras...























(Did you know that there are Angels in the Oceans? Indeed, there are aquatic butterflies as well and Nina Bednarsek studies them both in the Antarctic. Nina is from Slovenia and she is doing her Ph.D. at the British Antarctic Survey studying gastropod molluscs called Pteropods. For her, pteropods makes her eyes smile and it is easy to understand why...these animals are beautiful when swimming! Although not very abundant in the Antarctic (we think because we still trying to know where they are, really!), they are one of the best ways to understand the process of acidification of the Oceans. As CO2 is increasing, and the Antarctic Ocean caracteristics (cold waters, high density, etc), CO2 dissolves at a different rate here and might tell us how climate change (i.e. changes in CO2 in the water) can affect marine organisms (mainly their shell). Nina is trying to get some of these answers on board...good luck Nina!!!!! Regarding the rest of the science, we collected samples from where the penguins have been feeding and soon will be heading to South Georgia!)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Experiencia de uma vida! Experience of a life time!

Latitude:-51.47
Longitude:-35.75






Tenho um convite!!!!!





Nós estamos no Ano Polar Internacional, em que Portugal participa pela primeira vez. Algo que sempre me entusiasmou foi a ideia de levar jovens estudantes à Antárctida de modo a eles terem a mesma sensação que eu, perceber o que é estar aqui…marcar as suas vidas, os das suas famílias e de muitos jovens com quem eles podem server de motivação para serem bons naquilo que quiserem ser quando forem grandes…basta dar o litro e acreditar!

Quando o Comité Português para o Ano Polar Internacional, pensamos que seria deveras interessante levar estudantes do liceu (alunos dos 16-18 anos) à Antárctica…e isso foi possível em Dezembro 2007-Janeiro 2008. A Ana Salome, a representar o projecto, e para cuidar dels tambem foi...uma grande experiencia para ela tambem, pois mereceu!!!!


No próximo dia 7 de Fevereiro, amanha, a partir das 15h30, no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva (Lisboa, Portugal), irá dar-se início a uma sessão pública de apresentação da viagem dos 7 estudantes à Antárctida.


Será estabelecido contacto telefónico comigo e com outros jovens cientistas polares do LATITUDE60! que se encontram na Antárctida a desenvolver os seus projectos. Abaixo, temos (da esq. para a dir.): Ines, Miguel, Marta, Joao, Ines, Marta, Irina e Andreia com aquele sorriso que nos faz bem!




















O relato dos dias na Antárctida será intercalado com ligações às bases polares e a um navio cientifico, onde os cientistas do LATITUDE60! Alexandre Nieuwendam, Vanessa Batista, Raquel Melo e eu.


Os visitantes do Pavilhão do Conhecimento são convidados a enviar questões para o endereço electrónico projecto.latitude60@gmail.com, ate ao final do dia 6 Fevereiro.


No dia 7, venham ao Pavilhão do Conhecimento ouvir a resposta em directo do… Pólo Sul.Vejam mais emhttp://www.pavconhecimento.pt/destaques/index.asp?accao=shownot&id_noticia=279

Caso não possam ir, eu conto depois….

(I have an invitation!!!! Come to the Pavillion of Knowledge in Lisbon on the 7 February, from 15.30 local time, to watch live the personal views of 7 high school students that just arrived from Antarctica, after being on an international polar expedition (where they had lectures, tours to shore, data collection for science experiments, been with penguins, seals, albatrosses...). I will provide an interview from the James Clark Ross live too during the afternoon, like the other 3 young scientists that are in Antarctica at the moment (Raquel Melo, Alexandre Trindade e Vanessa Batista). Please see web links above. I know that most of you can not make it but rather than being sad, I would like you to reflect a minute or two on this event. A year ago, these students never thought in their wildest dreams that a year later they would have gone to Antarctica. They will be sharing their opinions of what they have seen, and how this experience change their lifes...if you have any questions that you would like to question either the students or the scientists, including me please leave a comment on this message or just send an email to the email address above. I will tell how it went. Meanwhile, here at the Antarctic Ocean, we are going on the direction of the last research station of the cruise, on the other side of the Antarctic Convergence, in "warmer waters" where the penguins have been foraging. Great!)