sábado, 24 de dezembro de 2011

3. Projecto PENGUIN: A chegada ao Paraiso


Eu já sabia que esta seria a parte mais desejada por uns e odiada por outros...desejada pois queremos chegar à Antárctica e odiada pois chegar à Antárctica pode ter custos fisicos...e exige andar de navio na passagem de Drake, o que não é pêra Doce. Vejamos...


A passagem de Drake é conhecida por ter algumas das maiores tempestades dos Oeanos, é onde as correntes são mais fortes e as suas velocidades são maiores. Em Ushuaia, deu para perceber que a tarefa não se avizinhava nada fácil...o navio que iriamos tem 42 metros de comprimento (o navio Espanhol Las Palmas) e segundo a minha experiência em navios de 100 metros de comprimento (o James Clark Ross, da British Antarctic Survey), deu para me aperceber que o navio iria abanar bastante. E quando o José Seco se pôs a comparar o Las Palmas com os barcos atrás dele (infelizmente eram cargueiros, navios gigantes para turistas), deu para perceber que podiamos estar numa carga de trabalhos...muito mais pois o José Seco nunca esteve num navio em alto mar.

O pessoal do navio Las Palmas foram 5 estrelas (muito obrigado Santiago, David Atienza e colegas!) e a nossa habituação ao navio foi rápido. Santiago Garcia (2 comandante) disse-nos logo qjá ue iriamos nessa noite (Sabado, dia 10 de Dezembro) pois a previsão dizia que tinhamos uma tempestade a chegar num periodo de horas...saímos do porto de Ushuaia às 0 horas de Domingo

Foi-nos logo atribuidos uma cama, o simpático Comandante Enrique Valdez Garaizabal deu-nos as boas vindas, Sr. José deu-nos informações gerais de como o navio funcionava, o Médico Manuel Prego informou-nos o que tomar em caso de enjoo (e como o prevenir) e o resto viria com o tempo...e veio! Com a minha experiência prévia, o truque é tomar comprimidos para o enjoo 2 horas antes de sair do porto e passar todo o tempo deitado, a ler ou a dormir...as primeiras 24 horas são sempre criticas... que o diga o José Seco:


“Saimos do porto, a viagem ia tranquila, para previnir tomamos 2 comprimidos! Um dos efeitos secundarios dos comprimidos é dar sonolência! Quando fomos para a cama ainda o mar estava flat, tudo tranquilo! A meio da noite acordo com uma grande vontade de ir “mudar a água às azeitonas” (ou seja, ir à casa de banho) só que por esta altura já estavamos a atravessar o Drake! O mar tinha-se transformado, o barco abanava por todo o lado! Parecia que a minha cama estava assente numa mola, como aqueles brinquedos nos parques infantis, que me fazia oscilar em todas as direcções. Agora entra o dilema, aguentar e sobreviver ou arriscar a ir à casa de banho, e possivelmente ficar mal disposto. Infelizmente o Drake ganhou 6 a 0! Ao fim da segunda noite o Médico veio ter comigo e deu-me uma vacina para equilibrar as contas! A partir dai tudo foi mais tranquilo! Nada fácil isto de chegar à Antárctica!”

No meio disto tudo ainda deu para ter as primeiras sensações de chegar ao ares gelados da Antárctica. Eles veêm em poucos pormenores...o ar mais frio, o José Seco viu o seu primeiro iceberg e os primeiros pinguins a mergulhar na água....

Após 2 dias e meio de viagem chegámos a King George Island, à base Argentina Jubany, para deixar material e recolher 2 colegas alemães da AWI. O vento estava forte e só recebemos os 2 colegas alemães a bordo. Eles ilustravam bem como fazer ciência polar é dificil...tudo lhes correu mal, ou lhes faltou bom tempo, ou houve um problema com os aparelhos, e em 6 semanas tiveram 5 dias bons de trabalho. Fustante, disseram eles com um sorriso estampado na cara... “isto da Antárctica é assim! Fazemos o nosso melhor, desejamos sorte com o tempo mas desta vez não foi nada fácil!”... Deixamos estes 2 colegas Alemães na Base Chilena Frei perto do Aeroporto.

24 horas depois estavamos em Livingston Island....


José Xavier & José Seco

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Há sempre uma primeira vez...

É verdade...há sempre uma primeira vez! Não esperava estar aqui, agora, a escrever-vos em Ushuaia....a caminho da Antárctica pela minha primeira vez. Eu sou o José Seco, estou a tirar mestrado de ecologia pela Universidade de Coimbra e sou colaborador do Instituto do Mar (IMAR-CMA), dentro da equipa do José Xavier. Faço parte do seu projecto cientifico PENGUIN que faz parte da Primeira Campanha Logística do programa Português ProPolar.






Está é a primeira vez que vou fazer trabalho de campo na Antárctida! Desde o dia em que o José Xavier me falou da possibilidade desta oportunidade única, não houve um dia em que não tenha pensado como tudo será. Como será o ambiente? Como será a base? Como será a viagem? Mas a principal questão foi sempre, como irão reagir os animais à nossa presença? Como será lidar com algumas espécies que só estou habituado a ver nos programas da BBC? Ainda não consigo responder a nenhuma destas perguntas, mas está para breve :))















Agora em Ushuaia já se sente o ambiente do continente branco, os picos dos montes têm neve, há lembranças de pinguins e da Antárctida por todo o lado, os postos de turismo anunciam visitas a ilhas com pinguins! Ate já nos cruzamos por algumas pessoas que têm “cara” de cientistas e andam com t-shirts dos diferentes comités polares!

Agora falta só falta percorrer um pequeno passo até Livingston Island...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Lisboa-Madrid-Buenos Aires-Ushuaia em + de 24 horas

Uma expedição cientifica à Antárctica é SEMPRE feita com muitas expectativas e de novas experiências...algumas inesperadas. O nosso projecto cientifico, PENGUIN (que pretende compreender como pinguins competem entre si por alimento, e como as condições ambientais podem afectar negativamente/positivamente as populações destas espécies de pinguins, em colaboração com cientistas do Reino Unido, França, Espanha e Estados Unidos e pelo apoio da Bulgária), lugar na Peninsula Antárctica, mais precisamente em Livingston Island. e iniciou-se no dia 6 de Dezembro.





















A nossa equipa do Instituto do Mar da Universidade de Coimbra, eu e José Seco, partiu de Lisboa num voo às 8.25 com destino inicial a Madrid. O entusiasmo foi constante. O José Seco estava um pouco ansioso, é a sua primeira expedição. Como estudante de Mestrado em Ecologia, esta é uma oportunidade única de fazer trabalho de campo na Antárctica e trabalhar directamente com pinguins. Tivemos inúmeras conversas e reuniões sobre como decorrerá a expedição e julgo que estamos prontos! Para mim, era a primeira vez que trazia um estudante, que iria aquela parte da Peninsula Antárctica, e a falar Português tanto tempo:)))


























A ida para Madrid foi rápida pois metemos logo conversa com as pessoas ao nosso lado e o tempo voou. Depois apanhámos outro avião para Buenos Aires, que demorou 12 horas e cerca de 10 000 km. Está viagem demorou muito mais tempo a passar, vimos 4 filmes pois dormir sentado é super desconfortável. Chegámos às 22 horas locais (menos 3 do que em Portugal). Em Buenos Aires tivemos de equacionar o que fazer pois a ligação a Ushuaia era às 4.30 da manhã noutro aeroporto...e tinhámos de decidir se iriamos dormir um pouco e apanhar esse voo ou pedir que nos adiassem o voo para mais tarde. Os responsáveis da LAN Chile bem nos tentou ajudar mais não nos foi possível mudar os voos, e então tentamos descansar 2 horas num Hotel, enquanto do outro lado da rua estava a haver uma festa na embaixada portuguesa! O senhor taxista que nos levou ao Hotel, era uma joia de pessoa (que ficou super contente por sermos Portugueses. "Já deviam ter dito!" disse ele, e passou a viagem a praticar o seu Português Brazileiro;)), mostrou-nos algumas partes muito bonitas de Buenos Aires (La Casa Rosada,Puerto Madero,...) mas nunca tinha sentido a sensação de estar num carro de Formula 1 em forma de taxi. Em tom de filme de Hollywood de acção, passámos entre camiões gigantes, ultrapassamos numerosos carros, sinal vermelhos é o mesmo que sinal verde...só rir...mas só depois de termos saído, vivos, do Formula 1.

Dormimos 1-2 horas e fomos para o Aeroporto Jorge Newbery. Aí bebemos um hot chocolate que nunca tinhámos bebido...com chocolate mesmo;) ou seja, eles dão-nos leite quente e uma barra de chocolate e depois é só adicionar ao gosto. Brilhante ideia;)





















Chegámos à linda cidade Argentina de Ushuaia (que é a cidade mais a sul da America do Sul e a mais próxima da Antárctica...daí dizer-se que se está perto do fim do mundo), após 4 horas, totalmente exaustos...mas era cerca de 9 da manhã e não podiamos ir dormir...para vencer o jetlag, o melhor é só dormir à noite. E assim foi. Fomos "explorar" Ushuaia, reunimo-nos com o coordenador da parte logistica, o simpatico German, almoçamos calmamente e andámos horas a conhecer Ushuaia. Fomos muito recebidos com um "bom dia" pelos locais...parece que aqui, Fernão de Magalhães mantém uma boa influência na cultura local;)



















Ushuaia tem tudo...tem montanhas com neve, tem mar, parques naturais lindos por perto...e como cidade é bastante cosmopolita que...até tem um Casino! Nota-se que esta cidade vive muito do turismo sustentado e na qualidade do serviço, pois pode-se encontrar a última gama de computadores,como ser-te servido uma refeição do Bacalhau do Antárctico ou encontrares aquela T-shirt de surf que querias da Rip Curl. Existem lojas com muito bom gosto em toda a cidade... tudo isto porque Ushuaia é a partida e a chegada de muitos cruzeiros turisticos (e no nosso caso cientificos) para a Antárctica. Andar pela rua ouves Americanos, europeus e uma grande variedade de pessoas cujo o poder de compra é alto. Mas tudo isto torna esta cidade muito interessante...



















Próximo passo é recuperar...e rever tudo novamente. Partida para Livingston Island em breve....

José Xavier & José Seco

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Próxima expedição....Next expedition


Pela primeira vez, o Programa Polar Português (PROPOLAR) organiza uma campanha de investigação na Antártida com logística própria, enquadrada num projeto financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

A Campanha Antártica 2011-12 será apoiada por um voo entre o Chile e a Antártida fretado pelo PROPOLAR e que transportará investigadores portugueses e estrangeiros, iniciando-se desta forma o apoio português ao esforço logístico internacional para a investigação na região mais Sul do planeta.

A campanha integrará investigadores do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, CERENA – Instituto Superior Técnico, Centro de Geofísica da Universidade de Évora, IPIMAR e Instituto do Mar (IMAR) da Universidade de Coimbra. Eu e o José Seco iremos representar o IMAR...

As equipas nacionais enquadram ainda investigadores da Argentina, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos da América e Suíça.

A logística portuguesa contribuirá também para fortalecer colaborações com a Bulgária, Chile, Coreia do Sul e Polónia. Estão envolvidos na campanha 18 investigadores de instituições nacionais, o que a torna na maior campanha portuguesa já realizada.

Na conferência de imprensa, que decorrerá esta quinta-feira, dia 17, às 12h30, no Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa, na sequência da reunião de campanha, será apresentada uma síntese das atividades a realizar.

sábado, 22 de outubro de 2011

Cambridge, Palma de Maiorca e Aberdeen

Olá a todos, este Verão foi uma autêntica correria... de volta a Cambridge, onde o novo membro da nossa equipa, Miguel Guerreiro, trabalhou na ecologia de albatrozes na British Antarctic Survey. O seu estágio em Cambridge "teve 2 componentes, o trabalho laboratorial, efectuado nos laboratórios do British Antarctic Survey (BAS), e a parte de pesquisa e aprofundamento de conhecimentos, em que se resumiu á reunião com investigadores da área do meu estudo que se encontravam no BAS, usar a biblioteca do mesmo instituto e visitar a colecção do Museu de História Natural de Londres."





Miguel Guerreiro em Queen´s College, Cambridge.


Depois foi uma importante ida a Palma de Maiorca, para o Simposio Espanhol das Ciências polares, de modo a fortalecer as ligações Portugal, Espanha. Houve apresentações orais, posters, e paineis de discussão, incluindo uma directamente dirigida aos jovens cientistas.


















Participante do Simposio


Por fim, foi uma ida muito rápida a Aberdeen, para receber o prémio Marta T. Muse, que correu bem. Este Verão foi sempre a correr...que venha o Outuno (de momento ainda não pois está uma onda de calor)!!!