sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Antarctic Expedition 2025 is ON! Passo n 11/ Step n 11: – Project ICECAP 2025: Valeu a pena – resultados finais/Worthwhile: final results




Já regressámos são e salvos!!! Saímos de Coimbra a 6 de Novembro 2025 e regressámos dia 10 de Janeiro 2026: Fomos de avião do aeroporto de Lisboa, para São Paulo (Brazil), depois Santiago do Chile (Chile) e finalmente para Punta Arenas (Chile). Aí, apanhamos o navio chileno “Aquilles” (Armada Chilena) para atravessar o mar de Drake, visitámos as ilhas do Rei Jorge e a ilha Greenwhich a caminho da Base Búlgara St. Kliment Odhriski na ilha de Livingston (no dia 16 Novembro). De 16 de Novembro a 26 de Dezembro estivemos a viver na Base, onde realizámos a grande maioria do trabalho de campo. No dia 26 de Dezembro fomos para o navio Búlgaro Sv. Sv. Kiril i Metodiy / StsSt. Cyril and Methodius por uns dias, ficando ancorados perto da Base Búlgara. No dia 2 de Janeiro mudámos para o navio espanhol BIO Hespérides (Armada Espanhola) e fomos logo a caminho de Punta Arenas para evitar uma tempestade na passagem de Drake. Chegámos a Punta Arenas no dia 6 de Janeiro sendo só possível ir para terra no dia seguinte. Apanhámos o avião de regresso de Punta Arenas de regresso a Portugal (via Santiago do Chile e São Paulo) no dia 9 de Janeiro... Foram 66 dias depois!!!



O nosso projeto ICE CAP (Efeitos cumulativos de contaminação na ecologia de organismos marinhos Antárticos), financiado pelo Programa Polar Português (PROPOLAR), pelo Programa Antártico Búlgaro e pela Universidade de Coimbra, com colaborações de instituições de Portugal, Bulgária, Austrália, Espanha, França, Reino Unido e Estados Unidos da América. E claro, um agradecimento gigante do grande apoio logístico da Bulgária, Chile e Espanha muito valiosos: Blagodaria!!!! muchas gracias!!!! O projeto recolheu amostras para estudar a colonização microbial em microplásticos (e os seus aditivos) através de uma experiência de um mês realizada em 3 locais de Johnson Docks (Baia do Sul, Ilha de Livingston) (3 grupos de amostras), estudar contaminação (ex. metais pesados e elementos raros da Terra), doenças) e ecologia de pinguins gentoo e pinguins de barbicha (> 350 amostras de ambas as espécies) , estudar microplásticos em peixes (Notothenia coriiceps e N. rossii; 100 peixes, 50 individuos de cada espécie) e ajudar a estudar as populações de focas leopardo (~30 individuos de focas identificadas). Tudo só possível com toda a ajuda logística da equipa da Base Búlgara, tal como mencionado. No total, foram > 500 amostras obtidas para analisar. Ainda há muito trabalho ainda por fazer em laboratório!!!




Espero que tenham gostado da nossa expedição. Muito obrigado por a terem seguido. Até à próxima expedição Antárctica!!!

José Xavier & José Seco

Universidade de Coimbra




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(english version below)

We are back home safe!!! We went out form Coimbra on the 6th November and returning on the 10 January 2026: we went by plane to Brazil, then Chile up to Punta Arenas. There we got the Chilean navy ship “Aquilles” to cross the Drake´s Passage, then King George Island, Greenwich Island arriving at Livingston Island on the 16th November. From the 16th November until 26th December, we nicely stayed at the Bulgarian Antarctic Base St. Kliment Ohdriski where we conducted most of the fieldwork. On the 26th December we joined the Bulgarian ship Sv. Sv. Kiril i Metodiy / StsSt. Cyril and Methodius for a few days, anchored in front of the Base. On the 2nd January we moved to the Spanish ship BIO Hespérides to cross the Drake´s passage to avoid a storm (muchas gracias!). Arrived in Punta Arenas on the 6th January, getting a plane back on the 9th January, arriving in Portugal on the 10th January…overall, it was 66 days away!!!



Our project ICE CAP (cumulative effects of contamination in the ecology of Antarctic marine organisms), financed by the Portuguese program (PROPOLAR), by the Bulgarian Antarctic Program and by the University of Coimbra, with collaborations of institutions from Portugal, Bulgaria, Australia, Spain, France, United Kingdom and the United States. And of course, a big thank you to all the logistical support of Bulgaria, Chile and Spain: Blagodaria!!! Muchas gracias!!! The project ICE CAP was able to collect samples to study microbial colonization in microplastics (through an experiment conducted in Johnson Docks, Livingston Island, South Shetland Islands, Antarctica), study contamination and ecology of gentoo and chinstrap penguins, microplastic contamination in fish and support research in seals population dynamics. In total, it was collected > 500 samples were collected for future analyses. Plenty of lab work still to be conducted!!!!



Hope you have enjoyed following our expedition. Thank you for following us. Seeya in the next Antarctic Expedition!!!!


José Xavier & José Seco






segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Antarctic Expedition 2025 is ON! Passo n 10/ Step n 10: – Project ICECAP 2025: Altruismo/Altruism

 






Já estamos no navio búlgaro Sv. Sv. Kiril and Methdiy / StsSt. Cyril and Methodius!!!! Depois de mais de um mês na base cientifica búlgara St. Kliment Ohridski (16 Nov.- 26 Dez. 2025) a estudar pinguins, peixes e focas (e a realizar uma experiência com microplásticos), tudo já parece um “sonho”. Muito parecido quando regressamos de férias, após o cansaço da viagem: a cabeça ainda está na praia (e a recordar todas as aventuras passadas no Verão) mas já estás em casa. Os sentimentos aqui são similares: por um lado estamos com saudades dos amigos e dos colegas da base, e de todas as aventuras passadas (ai como as idas a Hannah Point e Mateev Cove, para estudar pinguins, foram tão boas), mas já estamos “bem longe” no navio. Foi estranho regressar à base ontem, só para ir buscar as amostras recolhidas dos congeladores, já cheia de pessoas diferentes, ritmos diferentes, atividades diferentes. A vida da base mudou e já não volta atrás. Ficam as memórias e as experiências vividas.

Algo que a Antártida nos ensina é a compreensão da palavra altruísmo. Estando num ambiente extremo, isolado, condições desafiantes e rodeados por um grupo relativamente pequeno de pessoas, ajudar os outros para o bem comum torna-se algo natural. Durante a nossa estadia, ajudámos outras equipas a recolher as suas amostras como elas nos ajudaram a nós. Por exemplo, ajudámos na recolha de amostras de lapas para a o projeto da Simona Georgieva, a fazer vídeos e tirar fotografias de focas leopardo para o projeto da a Emily Sperou e Ariel Leahy, e a analisar peixes para a Borislava Margaritova e Simona Georgieva no laboratório. Por outro lado, tivemos a grande ajuda da Emily Sperou e Ariel Leahy a ajudar-nos com os pinguins, a Simona Georgieva e a Borislava Margaritova (e o Doctor Tsvetan Vasilev, Anastas Abadjiev e a Elka Vasileva) ajudaram-nos a apanhar peixes com as redes e canas de pesca, e a ajuda da Elka Vasileva na experiência dos microplásticos sempre usando  o nosso zodiac (oferecido ao programa Búlgaro, dado aquando do Ano Polar Internacional 2007-08). 




Para tudo isto, uma grande equipa da Base Búlgara ajudou-nos todos os dias não só nos seus deveres (ler blog n 5 o meu corpo é um templo) mas também nas coisas mais simples, mundanas e diárias, que tornaram a nossa vida alegre, contente e o grupo mais unido: as caminhadas pelas praias à procura de focas leopardo e de camarão do Antártico com o Vladimir Gigov e a equipa Americana, o “campeonato” de ténis de mesa com Samuil Chelbiev,  Doctor Tsvetan Vasilev, Anastas Abadjiev e Alaksandar Naydenov,  o “recorde do mundo de elevações” com Vladimir Gigov, partilhar as series “Forever”/”Counterpart”/ “House of Dragons” com Alaksandar Naydenov, Lyuben Lyubenov , Doctor Tsvetan Vasilev e Vladimir Gigov, as sessões de ginásio/ginástica/yoga pela “professora” Emily Sperou ou fazer ski com Vladimir  Gigov e Anastas Abadjiev.



Ajudar na gestão da base foi algo também muito bom, como  fazer pequenos almoços (todos os dias, cada membro da base tratava do pequeno almoço para todos: fizemos pão, crepes com Krasimir Krastev, rolos de canela (“cinnamon rolls”), bolachas de natal,...), possemos a mesa, limpámos a cozinha, lavamos os pratos, e até no abrir a base.  E sim, limpámos o nosso quarto, a nossa casa, a nossa roupa e equipamento regularmente (logicamente).
E com tudo isto aprendemos a fazer mais amigos e colegas, tornamo-nos melhores pessoas e cidadãos.
No navio Búlgaro, com as nossas amostras a bordo, já conhecemos novos colegas cientistas do Ecuador, Emirates Árabes Unidos, Montenegro e da Roménia (além daqueles da Bulgária e dos Estados Unidos da América que já conhecíamos), que nos relembra que a ciência Antártica é internacional, multidisciplinar, cooperante....e altruísta!
Bom Ano Novo!!!
José Xavier & José Seco

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(english version below)





We are already in the Bulgarian ship Sv. Sv. Kiril and Methdiy / St. Cyril and Methodius!!!! After a month in the scientific Bulgarian station St. Kliment Ohridski (16 Nov.- 26 Dec. 2025) to study penguins, fish and seals (and to conduct a microplastic experiment), everything already seems like a “dream”. It is like when returning from holidays, after the tiring trip: your head is still on the beach (remembering all the adventures spent in the Summer) but you are already back home. This is similar to how we feel like now: on one hand we miss our colleagues and friends from the Bulgarian Base, and all the adventures spent together (e.g. our trips to Hannah Point and Mateev Cove to study penguins), but we are “already far away” on the ship. It was strange returning to the Bulgarian Base yesterday, full of different people, different rhythm, different activities. Life on Base has changed and it will not return ever again.  A positive sign: we have good memories and lived experiences that will stay with us for a long time.

Antarctica teach us the meaning of the word Altruism over and over again, each time we have the privilege to come to such a special place. Being in an “extreme” environment, relatively isolated, challenging conditions and with a small group of people, helping others for a common good becomes natural. During our stay, we helped other teams to collect their samples, and they helped ours. For example, we collected Antarctic  limpets for Simona Georgieva, did videos and took photos of leopard seals for the project of Emily Sperou and Ariel Leahy, and helped in analysing fish for Borislava Margaritova and Simona Georgieva in the laboratory. On the other hand, we have had a great help from Emily Sperou and Ariel Leahy in our project of penguins, Simona Georgieva and Borislava Margaritova (and  Doctor Tsvetan Vasilev, Anastas Abadjiev and Elka Vasileva) in catching, and analysing fish, using nets and rods, and the help of Elka Vasileva in deploying and collecting the microplastic experiment (using the most valuable Portuguese zodiac given to the Bulgarian program in the International Polar Year 2007-08).




For all of this to be achieved, a great team in the Bulgarian Base helped us everyday, not only in their duties (see blog 5 – My body is a temple) but also in the simple things that made our daily lives more happier and the group more united: the walks along the beaches searching for leopard seals and Antarctic krill with Vladimir Gigov and the American team, the “ping pong championship” with Samuil Chelbiev,  Doctor Tsvetan Vasilev, Anastas Abadjiev and Alaksandar Naydenov, the “world record of pull ups” with Vladimir Gigov, watching tv series (“Forever”/”Counterpart”/ “House of Dragons”) with Alaksandar Naydenov, Lyuben Lyubenov, Doctor Tsvetan Vasilev and Vladimir Gigov, gym/yoga/gymnastics with “professor” Emily Sperou or the ski sessions with Vladimir  Gigov and Anastas Abadjiev.

Helping in the management of the Base was also very good, such as doing the breakfast (i.e. everyday each morning, a member of base was responsible for taking care of breakfast for everyone). We  have prepared coffee, tea, made bread, crepes with Krasimir Krastev, cinnamon rolls and Christmas sugar cookies with the American team,…), put the table on, clean the kitchen and dinning area, wash the dishes and helping in opening the Base. And yes, we do clean our rooms, sort out our house, wash our clothes and equipment regularly (logically).

And with all of this we learn to make more and better friends and colleagues, become better people and citizens.

In the Bulgarian ship, with our samples already onboard, we already met fellow scientists in different science fields from Ecuador, UAE, Montenegro and Romania (along with Bulgaria and United States that we already knew), which reminds us that Antarctic science is international, multidisciplinary, cooperative…and altruistic!!!
Happy New Year!!!

José Xavier & José Seco

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Antarctic Expedition 2025 is ON! Passo n 9/ Step n 9: – Project ICECAP 2025: Bom Ano Novo / Happy New Year

 


                                              Bom Ano Novo   -   Happy New Year !!!!!

sábado, 20 de dezembro de 2025

Project ICECAP 2025: À procura dos sons da Antártida /chasing Antartica sounds

 


Como é bonito o som dos cachorrinhos ou gatinhos. E o rugido de um leão na selva africana? Ou o som das baleias e golfinhos no mar dos Açores? E como serão os sons dos animais da Antártida? 

Na Antártida, o frio é tanto que poucas plantas sobrevivem. Apenas encontramos alguns musgos e liquens pela Ilha de Livingston, Península Antártica (onde estamos agora) em zonas sem gelo permanente em zonas pouco elevadas mas árvores não existem. Recordo-me de um dia me questionar que sons terá a Antártida num dia sem vento. Na Georgia do Sul, na expedição de 2009, num dia sem vento, lembro-me de ir caminhar no Inverno austral e de apenas ouvir os meus pés a pisar a neve. Pé ante pé, passo a passo, o silêncio intemporal entre cada passada. Parar e ficar em silêncio absoluto, até que uns moleiros decidiram interromper por breves segundos parecendo também incomodados com tanto silêncio. Não me contive: falei eu, em Português, para os filhotes de albatrozes viajantes que me estavam a fazer companhia; queria que eles ficassem a conhecer a língua de Camões e que ficassem com uma memória da nossa língua após meses a ouvir falar inglês. 




Pensando bem, existem muitos sons na Antártida, só temos de estar atentos para os ouvir. Basta o vento aumentar. a Antártida é o continente mais ventoso do planeta e o vento nota-se como um perfume logo entre as falésias, a passear pelos icebergs e a dar asas aos albatrozes para poderem voar pelos ares. O vento mascara alguns sons, mas amplifica outros, como os sons dos animais que podem estar longe e que parecem bem perto, como acontece quando estamos perto de um ninho de um moleiro ou de uma andorinha do Antártico.



Em conversa entre amigos, surgiu a hipótese de se registar profissionalmente os sons da Antártida. Os sons poderiam ser usados de inspiração para fazer música. Que boa ideia!!! À medida que íamos conversando, começamos a aprender a olhar para a Antártida numa perspectiva diferente. Desde que aqui estamos, tenho descoberto sons que não tinha dado reparado: o som do gelo a “borbulhar” a libertarem-se ao derreter na água, o som das ondas com blocos de gelo a serem atirados nas praias rochosas da Ilha de Livingston, o som de pinguins a dizer “Olá” entre namorados ao regressarem do mar, os sons dos elefantes marinhos a “ressonar” (pois costumam estar juntinhos ou uns por cima dos outros), os petréis gigantes a “resmungar” para uma pomba antártica, ou simplesmente o som das pessoas a conviver na base. E ainda não sabemos como melhor descrever o som das focas leopardo a comunicar entre si, potencialmente a cortejar.
Esta semana, os projetos científicos continuaram a decorrer bem, com idas regulares às colónias de pinguins gentoo e de barbicha, procura de mais focas leopardo e a conclusão do projeto dos peixes (já não é preciso ir mais à pesca). 

Um agradecimento especial ao Paulo Jacob e à Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC). 
Feliz Natal




José Xavier & José Seco

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(english version below)
The sound of dog or cat puppies are so nice. And the roar of a lion in an African jungle? Or the sound of whales and dolphins in the Azores Islands? And how would be the sounds of Antarctic animals?




In Antarctica, it is so cold that very few plants survive. Mosses and lichens are common in Livingston Island, Antarctic Peninsula (where we are now) but trees do not exist here. I do recall thinking how the sounds of Antarctica are in the day without wind. At South Georgia, during the 2009 scientific expedition, in a day without wind, I remember walking in an Austral Winter day and only hearing my feet stepping on the snow. Step by step, there was a silence between each of them. Then stop and hear the silence, until a couple of skuas decided to break the silence for a few seconds that also seemed to be perturbed by such silence. I could not restrain myself: I spoke in Portuguese to wandering albatross chicks that were keeping me company; I wanted them to listen to Portuguese, the language of Luís de Camões, as I was literally speaking English most of my time then.




In reflection, there are numerous sounds in Antarctica, we just need to be vigilant. The winds just need to be raising and we notice it passing by hills like a soft perfume, walking by icebergs and giving “wings” to the albatrosses going in the sky. The wind amplifies the sounds of the animals that can be far away but seem close, similar to when passing by somewhat close to a skua´s or Antarctic tern´s nests.



In a friends conversation, the hypothesis of professionally registering sounds of Antarctica seemed like a good idea. More than that, it could inspire to connect these sounds with art, such as music. So happy with such idea!!! As we were talking, we started looking at Antarctica from a slightly different perspective. Since we arrived at Livingston Island, we have been discovering sounds that I did not have noticed: the sound of ice melting (with the little bubbles being released), the sound of waves carrying ice blocks against the rocky beaches, the sounds of southern elephant seals “snoring” (as they love to hurdle together and sleep tightly sometimes), or simply the sound of people talking in Base without paying attention. And we do not know how to best describe the sound of leopard seals communicating between themselves, possibly mating calls.




This week, our scientific projects continued in a good rhythm, with regular trips to the penguin colonies, search for leopard seals and the conclusion of the fish project (we do not need to go fishing anymore).
A special thanks to Paulo Jacob and the Association of Cerebral Palsy Association of Coimbra -“Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra” (APCC)

Merry Christmas

José Xavier & José Seco