MUITOS PARABÉNS A TODOS PELO TRABALHO ARDUO em prol da ciência e educação polares! Venha a próxima SEMANA POLAR!
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Já faz tempo; Long time no see!
MUITOS PARABÉNS A TODOS PELO TRABALHO ARDUO em prol da ciência e educação polares! Venha a próxima SEMANA POLAR!
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
12. Ser biólogo na Antártica e os nossos resultados cientificos

Ter um contacto directo com os animais, estar em locais do planeta a fazer coisas que muito poucas pessoas tiveram a oportuniade de fazer (recordámo-nos várias vezes, a subir o Monte Krum, depois de jantar a questionarmos “quantas pessoas na Antártica devem estar a trabalhar com skis e a ver este lindo sol da meia-noite?”), presenciar eventos em directo que só vemos em programas de vida selvagem (Lembro-me do José Seco dizer “Algo que nunca esquecerei, foi na minha primeira vez em Sando Point, ter presenciado um ovo eclodir!”), trabalhar com animais tão interessantes como os pinguins, pétreis gigantes ou focas, partilhar momentos com pessoas que vivem a Antártica tão intensamente como tu (e poder transmitir às nossas gerações mais novas, com as ligações que temos com as nossas escolas/Universidades/Museus em Portugal), perceber que estamos a contribuir para o melhor conhecimento desta região e notar que o que estamos a fazer é realmente importante.
O interesse no nosso projecto tem sido grande entre os nossos colegas estrangeiros.
E quando se estuda pinguins, tem-se muitas alegrias...apesar de também ser duro. Passamos muito tempo fora (incluindo em alturas especiais para a família como o Natal e a Passagem de Ano), estamos longe das pessoas que nos são queridas, o planeamento de todo o trabalho de campo é complexo, dispendioso e demoroso, e até temos alguns dos nossos amigos aqui das Bases Bulgara e Espanhola a nos dizerem que “hoje cheiram a pinguins!!!” de vez em quando com um sorriso estampado nas suas caras em tom de brincadeira.
No nosso projecto, tivemos inúmeros exemplos da complexidade do que é fazer ciência polar aqui em Livinigston Island. Desde planear ao pormenor as tarefas (consoante as condições metereológicas), criar um novo método de apanhar aves, de inovar e desenvolver um meio de pesar as amostras,...fez-se de tudo. Aqui também se cresce muito como pessoa (temos de aprender a ser independentes, ajudar em tudo, desde lavar a loiça, pôr a roupa a lavar...), e ser cientista na Antártica obriga-te a ser multidisciplinar, quer seja na ciência ou no dia a dia nas rotinas da Base....
O nosso grande objectivo era perceber como os pinguins gentoo e chinstrap competem por comida nesta região da Peninsula Antártica. Esta questão tem um grande interesse cientifico pois não só a Peninsula Antártica é uma das regiões que evidência maiores efeitos das alterações climáticas (com as temperaturas a aumentarem a níveis superiores do que em muitas partes do nosso planeta) mas também porque estas 2 espécies de pinguins possuem distribuições maioritariamente diferentes (os gentoos estão mais distribuidos a norte da Antártica e a tendência é para expandir para sul enquanto os chinstraps estão distribuidos mais a
sul e a tendência é para a sua distribuição ser cada vez mais reduzida). Pouco se sabe como estes animais lidam com as alterações climáticas. Aqui (Livingston Island, da região da Peninsula Antártica) é o local certo para investigar como estes animais competem por comida num contexto das alterações climáticas, quando ambos se estão a reproduzir ao mesmo tempo (apesar de os gentoos começarem mais cedo) ... será que comem o mesmo? E será assim todo o ano? E isso é importante para a conservação destes pinguins, ou de outros recursos da Antártica? E como isso se pode aplicar a outros animais...de outros oceanos?
Os nosso resultados preliminares desta expedição mostram que ambas as espécies se alimentam quase unica e exclusivamente do camarão do Antártico (Krill), Euphausia superba. Supreendente foi também notar que ambas as espécies alimentam-se do mesmo tamanho do camarão, evidenciando que a competição pelo camarão do Antártico é grande.
É incrível!
Sabendo que a quantidade do camarão do Antártico tem declinado nas últimas décadas nesta região, é bem possível que mais cedo ou mais tarde poderemos ter estas espécies, ou a alimentarem-se de outras coisas ou a sua capacidade de ter filhotes ser diminuida...o que pode afectar as suas populações. Além das amostras da dieta (através das fezes), recolhemos amostras que nos darão informações importantes sobre o nível trófico (confirmar se só se alimentam do camarão do Antárctico) mas também sobre o habitat que exploram, quer quando se estão a reproduzir quer fora desse periodo. Ou seja, em breve poderemos perceber se os pinguins gentoos e chinstraps apanham o camarão nos mesmos locais (junto à costa ou em águas mais profundas) ao longo do ano.
Estes dados serão importantes para nos ajudar a prever o que poderá acontecer às diferentes populações de pinguins no futuro mas também nos ajudar a identificar áreas importantes de alimentação deles (o que é importante para a sua conservação) e possivelmente ajudar-nos a perceber como outras espécies lidam com a competição por comida num contexto de alterações climáticas. Por termos o ENORME privilégio e humildade de trabalhar aqui, todo este trabalho só poderia ser possível depois um grande investimento continuado de instituições Portuguesas mas também de vários países como o Reino Unido, Bulgaria, Espanha, França, Brasil e os Estados Unidos. Sabendo que a Antártica é um excelente exemplo mundial de colaborações cientificas e políticas, é realmente um privilégio Portugal fazer parte desta comunidade cientifica...e contribuirmos cientificamente para um maior conhecimento desta região do planeta...mesmo quando brincam connosco a dizer que estamos a “cheirar a pinguim!”
Até MUITO em breve!
José Xavier e José Seco
11. As boleias das focas leopardo, a viagem de despedida e a nova igreja

Enquanto esperavamos por uma aberta das condições atmosféricas para ir novamente a Sando Point, foi-nos possível perceber algo muito interessante em relação às focas leopardo... elas ADORAM a baia onde nós moramos (Baia Sul de Livingston Island) e julgamos que, no mundo delas, esta zona deverá ser um Hotel 5 estrelas. Basta que parte de glaciares quebre e é vê-las a tentar subir, ou já esticadas com num spa, em muitos dos pequenos icebergues recentemente formados, todas felizes! Parece que “fazem fila” junto aos glaciares à espera da sua boleia. No dia anterior a muitos dos nossos amigos da Base irem embora, fomos ver alguns desses glaciares e as focas leopardo um pouco mais de perto... estes animais t|em mais de 3 metros de comprimento, uma cabeça enorme, intimidantes dentro de água e aparentemente frágeis fora dela...são realmente uns animais estraordinários.
E quando se fala de icebergs, não é possível parar de sorrir! São fascinantes por si só....e esta semana, isso foi comprovado novamente. Após termos estado uns dias nos arredores da Base a trabalhar com os pinguins gentoo (estes são possívelmente pinguins não reprodutores, o que será excelente comparar com aqueles que se estão a reproduzir em Hannah Point: será que se alimentam também do krill?), concluimos que precisávamos de ir uma última vez a Hannah Point e a Sando Point para obter as amostras finais das dietas de pinguins gentoo e chinstrap que se estão a reproduzir. Com os dias a continuarem nublados, com neve/chuva e ondas grandes, já estavamos a ficar um pouco preocupados pois estavamos a poucos dias de ir embora. O Federico (o responsável pelo zodiac Espanhol) disse-nos que a última oportunidade seria na próxima Segunda-feira...No dia, acordámos cedinho e fomos ter com o nosso responsável do zodiac Bulgaro, Roman – O capitão!, para saber de sua opinião. Para nós o mar mal mexia, tal era o nosso entusiasmo para ir, mas o Roman sugeriu esperar até ao meio dia para ver se o vento diminuia...”tudo por questões de segurança” disse confiante. Às 10.30 não havia vento, estava sol e o mar estava perfeito. Conseguimos convencer o nosso capitão e o Christo Pimpirev (o Pai da ciência Polar Bulgara e o novo ponto de ligação entre as Bases Bulgara e Espanhola) a contatar os Espanhóis para irmos mais cedo (pois era preciso o seu zodiac para ir connosco por questões de segurança).
Partimos às 13 horas!!!!!! O dia não podia ter sido melhor...o plano da viagem consistia em ir primeiro a Hannah Point, depois a Sando Point, e regressar a casa. Com alguns dos novos membros da Base virem connosco (dos novos membros – Christo, Vikitor, Nikola, Rumiana...- vieram o Dimo, Laslo e Kamen, além de nós e o capitão Roman), a viagem até Hannah Point foi muito agradável. Trabalhámos eficientemente de modo a no final parar uns poucos minutos para tentar absorver a sensação de “estar rodeado de pinguins”. Mas foram mesmo po
ucos minutos....como ainda tinhámos de ir para Sando Point (com uma agenda mais preenchida de trabalho), só passámos 2 horas em Hannah Point. Foi dificil dizer ADEUS a tantos pinguins gentoo, às gigantes elefantes marinhos e até aos pétreis gigantes que nos fizeram companhia nestes 2 meses. N verdade passámos o Natal e a passagem de ano juntos!
A caminho de Sando Point, tivemos a grande alegria de termos pela frente um iceberg GIGANTE. É incrível a beleza deles...as cores (nunca pensámos que os azuis podiam ser tão variados), a imponência, o tamanho....após uns breves minutos, continuámos em viagem. Em Sando Point, os chinstrap penguins receberam-nos com a barulheira do costume, que muito me faz lembrar a correria das cidades, mas com todos a cantar, a cuidar dos seus filhotes, pinguins a chegarem e a partirem da colónia, na autêntica azáfama da época de reprodução. Recolhémos as últimas amostras, e conseguimos fazer algumas filmagens para as nossas queridas escolas, de modo a tentar captar um pouco da doçura e do carinho que estes pinguins têm pelos seus filhotes, e o seu bonito modo de vida (apesar de nos ter dado uma valentes bicadas quando trabalhávamos com eles...nós vos adoramos na mesma!).
O regresso à Base foi, por um lado, muito bom pois tinhamos o sentido do dever cumprido, após meses de planeamento desta expedição. Por outro, fica-se com a sensação de que deixámos para trás muitos amigos pinguins e havia nostalgia no ar. Os 2 dias seguintes foram passados no laboratório atarefados a analisar estas amostras recolhidas e a tentar adiantar o máximo de trabalho, pois teriamos de ajudar a construir a nova igreja!
Assim que soubémos que se iria construir uma nova igreja na Base Bulgara, ficámos logo todos entusiasmos pois não só estariamos a ter o privilégio de sermos nós a ajudar os nossos amigos Bulgaros nesta tarefa mas também porque estariamos a fazer história! Só existem 4 igrejas na Antártica (a actual aqui mais antiga, uma católica e Russa em King George Island, e outra na Base americana em McMurdo) e Portugal estará sempre ligado à construção desta igreja....brilhante!
Assim, todos os dias, ajudámos a construir a Igreja St. Ioqn Rilski (em honra ao Monge que expandiu a religião na zona dos Balkans). O trabalho em equipa é engraçado de se ver, todos a quererem ajudar e apesar de não percebermos muito das conversas em Bulgaro, nunca hesitámos em lhes ajudar em pôr cimento nas fundações, ajudar a erguer parte da estrutura, e até dar sugestões de como construir uma determinada parte da igreja. Ver, passo a passo, a igreja a erguer-se é algo muito gratificante, e a ver o brilho dos olhos de todos quando a cruz foi posta, é algo que não esqueceremos!
Ayde!!!!
José Xavier e José Seco
10. Sando e as despedidas!!!

Sando é uma pessoa que contiagia com a sua felicidade, é a alma da base! Pela alegria, atitude diária de companheirismo e um sorriso sempre pronto para todos, ele é uma antêntica forte de inspiração para todos. Numa das saídas a Hannah Point, percebemos que era preciso uma encontrar uma colónia de pinguins chinstrap (ou barbicha) e questionou-se onde a poderiamos encontrar. Com os nossos barcos (a.k.a. zodiacs) andámos em redor da Base Espanhola (Calleta Argentina) mas sem sucesso...até que falámos com o Sando. “Estão à procura desses pinguins? Eu sei onde os podem encontrar!!!” disse Sando todo sorridente. E lá nos explicou como num pequeno local rochoso, numa ponta perto de Miers Bluff, havia uma colónia de chinstraps.
Depois de esperar 2 dias para podermos ir averiguar o local que o Sando nos tinha dito, metemos o zodiac na água e a a 20 minutos da nossa Base, encontramos uma colónia de chinstraps lindissima....eram milhares! e claro, desde aí, o local passou-se a chamar Sando Point!!!! Ele ficou super contente com a ideia... mas nós é que agradecemos;)
O dia 4 de Janeiro foi possivelmente o mais intensivo de toda a expedição ao nível emotivo. Toda a estrutura da Base Bulgara mudou pois o Daddy, Sando, Galia, Zezo, Demo e Misho deixaram-nos...
Antes disso, o dia começou com o nosso acordar às 7 da manhã com um veleiro turístico françês que atracou à frente da Base. Acordámos com o som do seu pequeno zodiac a chegar à base. Estranhámos pois era ainda muito cedo e não vimos ninguém da nossa Base os ir receber. Minutos depois, vimos o Daddy e o Misho a porem-se nos skidoos e a dirigirem-se à praia. Os franceses queriam apenas aceder à praia e fazer crossing ski para o outro lado da ilha...nunca mais os vimos.
Quando o Daddy e o Misho regressaram da praia, informou-nos sobre tudo o que se tinha passado e que dali a uma hora o navio Las Palmas (o navio Oceanográfico Espanhol que nos trouxe a Livingston Island; ver artigo sobre a nossa chegada à Antártica) estaria disponível para trocar material com a nossa Base. Ou seja, ele precisava de ajuda para pôr nosso zodiac na água já! “Ayde”!!!! Trabalhámos umas 2 horas a ajudar o zodiac e quando estavamos a regressar à base, o navio Argentino Canal Beagle estava a chegar para também trocar material (particularmente a nova igreja para a nossa Base Bulgara) mas também para levar os nossos queridos amigos. O Daddy disse-nos que talvez em 3 horas teriam de embarcar (nós julgávamos que só seria no dia seguinte).
Essas 3 horas foram super intensas. Os que se iam embora estavam a arrumar as suas coisas, nós estavamos na praia a ajudar a transportar coisas e a fazer de cicerone (ora para os comandantes e tripulantes dos navios Espanhol e Argentino).
Foi muito duro vê-los partir pois eles eram uma parte muito importante da dinâmica da Base. Viu-se inúmeras lágrimas de todos a nos despedirmos na praia. Cantámos uma das canções clássicas de Nat King Cole (em espanhol) que o Sando cantava sempre que havia despedidas (tal como quando iámos à Base Espanhola) ...foram momentos que ficaram connosco para sempre!
No meio desta confusão de sentimentos, Coco (o novo comandante da Base), chegou e com ele os Portugueses António Correia, João Rocha e João Agrela a Livingston Island....mas já falamos sobre eles;)
José Xavier e José Seco
9. Passagem de Ano

Foi a primeira passagem de ano passada longe da família! Logo tinhámos de suavizar o impacto das saudades ao integrarmos ao máximo no ambiente Antárctico com todas as pessoas com quem estavamos. O primeiro passo foi conseguir um dia na semana de Natal para cozinharmos para toda a gente na nossa Base...eram apenas 12 pessoas!!!!! Uma tarefa aparentemente intimidante, mas com boa música portuguesa a acompanhar-nos (Deolinda, Xutos e Pontapés, Ace,...), lá cozinhámos um clássico bitoque! Porquê bitoque? Porque não?
Colocámos a mesa tipicamente Portuguesa, com pão, azeite e azeitonas. O aperitivo escolhido foi pequenas espetadas (feitas com palitos) com pequenos quadrados de pão, queijo, pimento verde, presunto e azeitonas. Fizemos uns bons bifes na frigideira com Azeite Português, um arrozinho branco com cenoura e ervilhas (sim, havia por cá) e batatas fritas a acompanhar. Houve boa conversa sobre Portugal e os nossos costumes, ao apresentar tal prato que existe em qualquer casa de pasto Português. A sobremesa foi a nossa arma secreta, com uns bolinhos feitos em Portugal (prenda de Natal da família!), que os como desde que me lembro do Natal, de noz e amêndoa que fizeram a delícia de todos. Até a Galia (a nossa querida cozinheira) pediu a receita;)
Depois de andarmos bastante atarefados com mais trabalho de campo em Sando Point (ver o próximo artigo) e no laboratório (sim tivemos de trabalhar nos 2 dias, dias 31 e 1), o dia da passagem de ano chegou. E que dia... de manhã fomos à Base Espanhola com o Bobby para resolver questões informáticas, e ao fim da tarde foi-nos dado a notícia que iriamos celebrar 4 Anos Novos!!! Não percebemos...
Às 6 da tarde (9 da noite em Portugal), a Base Bulgara entra numa actividade nunca vista. Havia que celebrar o Ano Novo na Bulgária às 7 da tarde...e como tradição aqui há que ir para o Monte Krum (a 5 a 7 min de skidoo (45 minutos a pé!); ir também ao google caso não tenham a certeza do que é). E assim foi. A vista do Monte Krum é lindissima, com glaciares, a Base, a Baia Sul à frente, o monte de gelo Friesland (com picos de mais de 1500 metros de altura) e o Monte Bowles (com apresenta fissuras muito interessantes)....Com champagne e palavras do membro mais velho da Base (Roman), lá se celebrou o Ano Bulgaro.
Descemos à pressa para a Base pois a RDP Antena 1 tinha-nos contatádo para falar connosco em directo para as celebrações do Ano Novo em Portugal (com Edgar Canelas, Cristina Condinho e amigos). Foi muito bom ouvi-los e partilhar um pouco a nossa experiência, a importância do nosso trabalho cientifico e falar com pouco de Português. Ficámos com um sorriso gigante! Pouco depois era tempo de celebrar o Ano Novo na Polónia (o Sando vive lá!) e às 9 da noite fomos nós com todos os Portugueses;)))) e finalmente à meia noite local (3 da manhã em Portugal), celebrámos o Ano Novo de Livingston Island.
Foi uma noite muito divertida com todos em bons espiritos, que muito nos fez reduzir todas as saudades quando estamos longe!
BOM ANO 2012!!!!
José Xavier e José Seco