sábado, 28 de fevereiro de 2015

AWI












Gutten morgen!!! 

Em ciência, é essencial fazer investigação internacional e multidisciplinar. Hoje em dia, com os avanços da tecnologia e da qualidade das pessoas (aqui estou a pensar de como é mais fácil ir a qualquer parte do mundo de avião e da era da internet), faz com que possamos saber quais são os últimos resultados científicos de uma determinada área de investigação rapidamente, quais são as conferências internacionais que vão ocorrer no próximo ano, e claro, quais as equipas e institutos/Universidades que fazem a melhor ciência.  Na verdade, a ciência possivelmente irá mudar mais nos próximos 50 anos do que nos últimos 400 anos. Há que estar preparados...

Ser cientista hoje, na minha perspectiva, baseam-se em três fortes pilares: ciência de excelência, ligar a ciência a decisões políticas (“policy making”) e a educação. Todas estas vertentes precisam de um contexto muito forte de colaborações internacionais e reunindo cada vez mais diferentes disciplinas, abordando questões cientificas que tenham importância significativa, e que tenha eco na sociedade (desde aquela aplicada à conservação até desenvolver técnicas que abram novas áreas da ciência, mesmo que agora ainda não saibamos se possa ter aplicabilidade direta na sociedade; na verdade, basta ler os livros de Carlos Fiolhais para perceber que muitas das descobertas científicas do passado, inicialmente não tinham aplicação...mas que hoje são fundamentais para a nossa vida diária).

Neste contexto, colaborar com outros institutos de investigação, e trabalhar com outros colegas, é muito importante pois a troca de conhecimentos, aperfeiçoamento de técnicas, o colaborar conjuntamente, produzirá (em principio) melhores resultados...tal como dizemos na gíria “duas cabeças pensam melhor do que uma!”.  O Alfred Wegener Institute (AWI) (Bremenhaven, Alemanha) é um dos institutos de investigação líderes em ciência polar. Ele possui toda a infraestrutura e logística necessária para fazer ciência de excelência polar. Alfred Wegener foi um cientista alemão que propôs a teoria da deriva das placas continentais (continental drift theory), em que defende que os continentes estão em constante movimento há milhões de anos, e vão continuar a mover-se. Daí sabermos que há mais de 180 milhões de anos a Antártida estava mais a norte e tinha florestas verdejantes, e há cerca de 50 milhões de anos estava ligada à América do Sul. Foi mais recentemente que a Antártida se separou desse continente e fez que forma-se a Corrente Circumpolar Antártica no Oceano Antártico, ligando os Oceanos Atlântico, Indico e Pacífico, e fizesse com que a Antártida se torna-se no continente que é hoje: o mais frio, mais alto e mais seco do mundo!  Tal como Alfred, hoje existem cientistas no AWI (por acaso não conheço nenhum AlfredJ) que contribuem significativamente para a ciência que se faz hoje nas regiões polares...por isso estou aqui!



Gutten morgen!
In science, it is truly important to conduct international and multidisciplinar research. Today, with the technological advances and the improvements of people´s quality of life (I am thinking of how easier is to travel by plane to any point of Earth and the Era of the Internet),  it allows us to access to the latest scientific results quickly, to know the most important conferences on a certain research topic, and of course,to have an ideai of  which Universities or institutes do the best research. Indeed, it is tohught that science may change in the coming 50 years more than in the last 400. We have to be ready for it... Under such a context, collaborating with other colleagues from other Universities/institutes or countries is essential to exchange ideas, tecnhiques, to share knowledge, so that better results will come out of it...”two heads think better than one” is probably true! The Alfred Wegener Institute (AWI) is a leading institute in Poalr research, having all the logistics necessary to conduct excelent science. Alfred Wegener was the german scientist that proposed the theory of the continental drift in 1912, which hypothesized that the continents were slowly drifting around the Earth. Today we know that 180 million years ago, the Antarctic continent was further north, and was covered with forests and a warmer climate. Like Alfred, today there are scientists at AWI that contribute significantly to the advance of polar science...that´s why I am here!





domingo, 22 de fevereiro de 2015

Sabia que.... | Did you know that.....







Gutten morgen!!! 

Os crustáceos têm um papel importante na cadeia alimentar do Oceano Antártico. Existem várias centenas de espécies de crustáceos no Oceano Antártico. Só em camarões (família Euphausiacea), possui 85 espécies nesta região. Destas, o camarão do Antártico Euphausia superba, conhecido por krill, é o elemento chave da cadeia alimentar. Isso deve-se a haver muitos seus predadores a depender direta- ou indiretamente do krill. No Oceano Antártico, desde peixes, lulas, albatrozes, petréis, baleias, focas e até pinguins, muitas espécies de predadores adoram o krill. Então o que acontece se faltar o krill? Bem, estudos recentes revelaram que o krill na Península Antártica tem estado em declínio há cerca de 40 anos.  Daí ser previsível que alguns predadores que se alimentam de krill poderão vir a ser afetados no futuro.

No que estou a trabalhar agora, a identificação correta do krill na dieta de predadores como pinguins, focas e albatrozes é fundamental para avaliar criticamente do que está a aconteçer no Oceano Antártico. Das 85 espécies de camarões no Oceano Antártico, 5 delas são particularmente abundantes e importantes na dieta de predadores: o krill já mencionado acima, o Euphausia crystallorophias, Euphausia frígida, Euphausia triacantha e Euphausia vallentini. Todas estás espécies estão distribuídas no Oceano Antártico mas é interessante notar as diferenças nos seus habitats. Por exemplo, E. crystallorophias é uma espécie que vive junto ao continente, com águas a 0 graus Celcius (incluindo debaixo do gelo marinho) e a baixa profundidae, enquanto E. frígida vive em águas acima dos 0 graus Celcius e nunca foi encontrada debaixo do gelo marinho. Euphausia triacantha  não se encontra em cardumes, é conhecida pro fazer migrações verticais mas é rara nas dietas de baleias. Por fim, Euphausia vallentini distribui-se em águas mais quentes a norte (2-10 graus Celcius), forma cardumes e encontra-se na dieta de vários predadores, incluindo os pinguins gentoo, albatrozes de cabeça cinzenta e peixes. Engraçado notar como cada espécie tem uma maior abundância numa região diferente. Mais, cada espécie possui caraterísticas físicas (os cientistas dizem morfologia) diferente. O krill chega a tamanhos maiores do que qualquer outra espécie de camarão...tudo isto conta para identificar cada espécie na dieta dos seus predadores e daí o valor do trabalho que se está a realizar agora...



Gutten morgen!

Crustaceans play an important role in the Antarctic marine food webs. There are hundreds of crusacean species in the Southern Ocean. Within the family Euphausiacea, there are 85 species in the Southern Ocean. Of these, Antarctic krill Euphausia superba, also generally known as Antarctic krill, is a key elemento of the food web. This is due to numerous predators depend on it, directly or indirectly. In the Southern Ocean, from fish, squid, albatrosses, petrels, hales, seals and penguins, all feed to a certain degree on Antarctic krill. Of the 85 species of Epuhausiids, 5 species are particularmente abundant in predators diets: Antarctic krill mentioned above, Euphausia crystallorophias, Euphausia frígida, Euphausia triacantha and Euphausia vallentini. Each species is more abundant in certain regions of the Southern Ocean (ex. Euphausia crystallorophias is more abundant close to the continent, under the pack ice, Euphausia frígida has never been found under the pack ice and Euphausia vallentini is more abundant in relatively “warmer waters” (between 2-10 degrees Celcius) and is present in the diet of various predators. It is truly interesting noticing the diferent distribution of each euphausiid species. This information, laong with their morhological characteristics, helps us to identify them in the diet of top predators...therefore the value of our work...






domingo, 15 de fevereiro de 2015

Projeto 2014 Crustáceos - A nova peça do puzzle | 2014 Project - Crustaceans: the new piece of the puzzle

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Gutten morgen!!!

Nestes últimos anos, entre expedições à Antártida, tenho feito um esforço em ir aos laboratórios dos melhores colegas de todo o mundo. Para quê? Para aprender! A vida de um cientista consiste numa contínua aprendizagem, e se queres aprender nada melhor do que aprender com os melhores. Assim, nestes últimos anos, estive 1 a 2 meses em França (2 anos), nos USA (2 anos), na Nova Zelândia (2 anos), e agora estou na Alemanha. Pessoalmente é muito exigente (pois estás sempre em viagens) mas profissionalmente é importante.

Em relação ao projeto que estou a iniciar este ano, ele foca-se em crustáceos. Porquê? Bem, de modo a compreender a estrutura e funcionamento do Oceano Antártico, é imperativo estudar as relações tróficas entre os organismos que compõem a sua cadeia alimentar. Os crustáceos têm um papel importante na cadeia alimentar do Oceano Antártico, fazendo parte da dieta de numerosos predadores, incluindo pinguins, focas, albatrozes e baleias. Aliás, um dos crustáceos, o krill do Antártico Euphausia superba é o elemento chave da cadeia alimentar. No entanto, não existe qualquer guia de identificação de crustáceos do Oceano Antártico especialmente redigidos a apoiar investigadores que estudam relações tróficas neste Oceano, algo já pedido durante o Ano Polar Internacional e nos expert groups da Scientific Committee on Antarctic Reseach (SCAR). 

Com a necessidade de avaliar ao detalhe as cadeias alimentares para o desenvolvimento de métodos aplicados à modelação das cadeias alimentares, este tema é de extrema importância. Neste projeto, pretende-se analisar amostras de crustáceos das coleções do Alfred Wegener Institute, Universidade de Hamburgo e da British Antarctic Survey, para criar um guia de crustáceos na dieta de uns dos maiores predadores de crustáceos, que exigirá passar 2 meses na Alemanha (Bremenhaven, Bremen e Hamburgo) e Reino Unido em 2015.

Cientificamente, este trabalho será uma contribuição importante para esta área de investigação, complementando o livro anterior de cefalópodes enquanto colmata uma das necessidades permentes nesta área de investigação. Além da ciência, actividades de educação e comunicação de ciência serão conduzidas em colaboração com a Association of Polar Early Career Scientists (APECS) e Polar Educators International (PEI), associado ao Programa Polar Português (PROPOLAR). As primeiras impressões da Alemanha para breve...


 Gutten morgen!

In the few years, between expeditions to the Antarctic, I obliged myself to make an effort and go and work with colleagues form the best laboratories in the world in the field of Antarctic marine ecology. Why? To learn!! The life of a scientist is a continue search for knowledge and continuing learning is part of it. Therefore, nothing is better than learning from the best. Therefore, in the last few years, I was 1 to 2 months each year in France (2 years), USA (2 years) and New Zealand (2 years), and now I am in Germany. Personally is very demanding (as we travel all the time), but professionally is important! My project that is about to initiate this year, is focused on crustaceans. Why? Well, because to understanding the structure and functioning of the Southern Ocean, it is truly important to study the trophic interactions between the animals that compose the Antarctic food web. Crustaceans play an important role in the Antarctic marine food web, being the most important component in the diet of numerous predators, including fish, penguins, seals, albatrosses, and whales. Indeed, Antarctic krill Euphausia superba is the a key element of the food web. However, there is no crustaceans guide for the Antarctic, directed to help marine ecologists working in the diet of top predators. So, I will be working with colleagues from the Alfred Wegener Institute (AWI), University of Hamburg and from the British Antarctic Survey (between many others), with the support of PROPOLAR, APECS, PEI and the organizations already mentioned, to produce such guide. In 2015, I will be in Germany/UK for 2 months or more...my first impressions of Germany will be coming soon!!!

 

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Polar Exhibition: go where people go

In order to show what polar scientists have been doing, nothing better than putting an exhibition where people go. Therefore, a photography exhibition, coordinated by the Instituto de Educação e Cidadania (Mamarrosa, Aveiro, Portugal) and endorsed by the University of Coimbra, Portuguese Polar Program, between others, with 15 research teams across Portugal, was produced. Talks were given to the general public...The photos below illustrates the exhibition at Dulcevita Coimbra shopping center (Portugal) in June. HOPE YOU LIKED IT!!!



domingo, 13 de abril de 2014

Última semana NZ 2014| Last week NZ 2014




Quando se está na última semana de uma viagem ou expedição, a nossa cabeça começa a pensar principalmente em 3 aspetos:
-       Ponto 1. Rever o que falta fazer?
-       Ponto 2. Como o projeto correu?
-       Ponto 3. Fazer as malas e preparativos para o regresso

E o que estas questões estão relacionadas com javalis, borboletas e lulas do Oceano Antártico? Tudo!!!!!

Desde 12 de Março que estou na Nova Zelândia. O projeto que tinha o objetivo principal conheçer o papel de cefalópodes (o grupo que animais que reune os polvos, os chocos…e as lulas; eu estou a estudar principalmente as lulas) no Oceano Antártico, usando os albatrozes como os nossos “amigos” para apanhar as lulas por nós. Na verdade, as nossas redes só apanham 4-5 espécies de lulas, então ao estudar os boluses (tudo o que os filhotes dos albatrozes não conseguiram digerir desde que nasceram até deixarem o ninho, que inclui todos os bicos das lulas que foram consumidas por eles) estudei cerca de 40 espécies de lulas. Algumas ainda nunca foram apanhadas em redes, então as lulas têm nomes provisórios como Galiteuthis stC sp. ou Chiroteuthis sp. F. Com todas as amostras planeadas para este ano já analisadas, ponto 1 está solucionado.


O ponto 2 é importante. Depois de tanto trabalho (foram cerca de 6 000 bicos de cefalópodes analisados de mais de 50 amostras de diferentes anos), os resultados foram positivos. O próximo passo sera analisar ao detalhe estes resultados. Além das colaborações estabeleçidas, permitiu consolidar este trabalho junto destes colegas. Além disso permitiu também espandir experiências pessoais, que também são importantes nestas viagens a trabalho durante tanto tempo (mais de 1-2 semanas longe de casa). Nestas semanas deu para aproveitar uma oportunidade única de saborear vários pratos de cozinha Maori num evento organizado pelo instituto. Deu para experimentar Puha, uma planta bastante saborosa, que se comeu com carne de porco, lombo de cabrito e carne de javali. Também tive a oportunidade única de testemunhar o nascimento das Borboletas Monarch (borboletas que têm uma vida de apenas uns dias/semanas) e claro, de jogar futebol (pois as ondas não têm estado boas). 


Ponto 3. São sempre necessárias várias reuniões com os nossos colaboradores para nos certificarmos que está tudo de acordo com o planeado e que tens tudo para regressar … o regresso envolve mais reuniões, pois a equipa de Portugal precisa de fazer um update de todo o trabalho que tem sido desenvolvido aquando da minha ausência (mesmo que estejamos sempre em contato por email). E uma coisa é garantida…o jetlag!!!



When we are in our last week of a research trip or expedition, it is essential to focus on 3 main aspects:
1. What still needs to be done?
2. How everything went?
3. Pack and get ready to return
 What has that to do with wild boar, Monarch butterflies and squid from the Southern Ocean? Everything!!!! I have been in New Zealand since 12 March. The project aimed to study the role of cephalopods (group of animals that contains octopods, cuttlefish and squid) in the Southern Ocean, using wandering albatrosses as biological samplers. As research nets only catches 4-5 species of cephalopods, and wandering albatrosses catches 40-50 species, studying the beaks of cephalopods in boluses (indigestible items, including beaks, regurgitated voluntarily before they fledge) is perfect. This year I studied around 40 species of squid from the Southern Ocean. Some has never been caught in nets, so we have species called Galiteuthis stC sp. or Chiroteuthis sp. F. With all samples planned analyzed, this point 1 is done. Point 2 is pretty important. After analyzing about 6000 cephalopod beaks from more than 50 samples, the results were positive. Beyond work, it is important to maximize my stay far away from home. The institute organized a Wild Food Challenge in which Brian (a Maori) cooked wild boar, wild pork, wild goat, Puha which was excellent learning more about other cultures. Also, it was great witnessing the Monarch butterflies (that only live for days to weeks). Finally, in point 3, there are numerous meetings need to be done prior my departure to make sure that everything gone according to plan and preparing the meetings at home….one thing is guarantied…the jetlag!