sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Conhecer o fundo do mar Antártico!!! Learning more about the Antarctic deep-sea















Já estamos há vários dias em trabalho. E as primeiras amostras foram recolhidas...para a equipa de geologia! Sim, a bordo temos também uma equipa que estuda a geologia marinha da região para perceber quando a América do Sul de separou da Antártida e compreender melhor como as correntes em torno da Antártida se formaram. 




Os resultados deste estudo não só terão implicações para a geologia mas também para a oceanografia e num panorama mais geral, para a nossa própria compreensão do nosso planeta hoje. A datação da separação destes dois continentes é relevante pois esta alteração poderá ter mudado o clima da região e possivelmente do planeta. E como se estuda a geologia do fundo oceânico?



 Através da recolha de amostras de rochas do fundo do mar. A equipa coordenada por Teal Riley, Charlie Bristow, Alex Burton-Johnson e Phil Leat,  usa uma draga para recolher amostras do fundo oceânico. Este foi o primeiro estudo deste tipo nesta região. O que se quer é apanhar as amostras de rochas nas zonas onde a profundidade decresce gradualmente de modo a que se apanhe rochas em vez de lama (no fundo e zonas sem declive). 



Apanharam uma variedade grande de rochas (várias que vinham do continente transportadas por glaciares), mas para nós biólogos, íamos sempre ao laboratório curiosos se apanhariam alguma vida nessas recolhas de amostras. E apanharam (foram mais de 300 kg!!!)!! Foi com muita alegria que, um dia, quando os fomos ajudar na recolha da draga, encontrámos belos corais de profundidade, esponjas, interessantes poliquetas (pequenas milhocas) e até uns maravilhosos crustáceos (incluindo um caranguejo e um lagostim pequeno).
 












 Fantástico! Eles já terminaram de recolher as suas amostras, agora estamos a preparar a iniciar a recolha das nossas amostras. O ambiente a bordo continua alegre, bem ao gosto da nossa época festiva. Muito ajuda ouvir a radio Britânica BBC Radio 2, que em muito é semelhante à nossa Antena 1, com quem estivemos a falar hoje de manhã com o José Candeias, que tanto faz pelo nosso País ao mostrar exemplos do que temos de melhor....Bons preparativos para o vosso Natal!





















We are now in the second week of work. This first part of the expedition was lead by the geologists Teal Riley, Charlie Bristow (with his twitter account @rothesaypenguin), Alex Burton-Johnson and Phil Leat. They are trying understand when did the South American continent and Antarctica got separated. The results of their study will have major implications not only in the field of geology but also in oceanography and biology, as this change in the continent layout could have a been a key alteration in the conditions of the Southern Ocean and how that influenced what we see today. To answer these questions, they need to collect rocks from the sea bed, using a dredge). This is the first study of this kind in this area of the Southern Ocean. They collected a wide range of rocks (different sizes and kinds), reaching more than 300kg of samples. At least in one of the samples they caught some amazing deep sea corals, sponges and some astonishing crustaceans (including a crab and a mini lobster). That was a really interesting catch for us, biologists! The geology team already finished their work, we are now already collecting our first samples. Soon we will have some more animals to study, just before Christmas!

Jose Xavier & Jose Seco 

 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Ciência na Antártida: a tua segurança conta / Science in the Antarctic: Safety always first!










A  vida de  cientista polar é muito interessante. Para podermos recolher as nossas amostras a bordo do navio James Clark Ross, há um grupo de preparativos para a expedição que não estão há vista de todos. É necessário conhecer o navio, saber como trabalhar em segurança e perceber as regras de trabalho a bordo. De facto,  esta preparação começa muito antes da expedição. Todos os cientistas, oficiais e tripulação têm que fazer um curso de segurança a bordo (chamado PST ou STCW 95), pois sem este não é possível trabalhar a bordo. 




Caso não tenhamos o curso, ou se o tiramos à mais de 5 anos, não poderemos estar a bordo do navio (nós tirámos os nossos nos últimos 2 anos). Nestes cursos aprendemos sobre a estrutura e funcionamento de diferentes tipos de navios, o que fazer em diferentes casos de emergência e todas as regras de segurança a bordo. Tivemos provas de natação, testaram se seriamos capazes de saltar de um navio em segurança (na prática damos um salto de uma plataforma de 3 a 5m para uma piscina, que honestamente parece bem mais alta quando estamos lá em cima!), ensinaram-nos a maneira correta de vestir e usar os fatos de sobrevivência e como abrir as jangadas de socorro. Aprendemos também como apagar incêndios e que extintores devemos usar em diferentes fogos (CO2, espuma ou água). Esta formação é essencial, treina-nos como reagir num caso de emergência e ajuda-nos a criar um espirito de camaradagem, pois em caso de acidente, não são os bombeiros que nos vêm socorrer, mas sim todos os que estão a bordo. Prestem atenção aos sinais de “SAÍDA DE EMERGÊNCIA” onde quer que estejam, seja na escola, no escritório ou em qualquer outro edifício.    





Assim, a primeira coisa que fizemos, quando chegamos ao navio, foi ter uma reunião de segurança com um dos oficiais (Richard) onde nos é explicado onde são os “Ponto de Encontro” em caso de emergência e onde estão os barcos/jangadas de emergência. Já fizemos dois exercício de emergência, onde se testaram os alarmes do navio, o tempo de reação dos tripulantes e algum do equipamento de socorro. Nestes exercícios aprendemos sempre imenso, são divertidos e são revistas todas as questões associadas à segurança do navio. A ciência é divertida e muito importante, mas temos que colocar a nossa saúde e segurança sempre em primeiro lugar!!! Amostras já começaram a ser recolhidas... mas isso fica para a nossa próxima conversa.



 Life of Antarctic scientist is truly interesting! As soon as we get onboard of the RRS James Clark Ross, there is a group of tasks to be carried out prior doing the science, that is generally overlooked. Primarily, it is essential to know the ship, how to work in safety and understanding the work practises. Truly speaking, this preparation starts well before we get onboard. All scientists, officials and crew have to take a Personal Survival Course (PST or STCW 95), as without it you are not allowed to work on the ship. We took ours recently. In this course you learn about the different types of ships, learn what to do in case of an emergency and all regulations onboard relate to health and safety. We did swimming tests, learned how to jump from heights (simulating jumping off board of a ship), how to correctly wear the survival suit and the rescuing boats. We also learn how to take out fires in a safety manner.  Do please pay attention to “EMERGENCY EXIT” in your school, office or any other building. Therefore, the first thing we do when we get onboard is to get familiarised with the ship, where our cabin is located, where is the nearest exist and where is our Muster point in case of emergencies. We already had 2 emergency drills since we arrived. We do enjoy them because we have a unique chance to meet everyone (and know other colleagues and crew better) while learning more about an issue to important to all of us.  Science is important and fun, but we always have to put health and safety first!!! Samples already started to be collected....but that´s for our next chat!

Jose Seco & Jose Xavier


 



sábado, 10 de dezembro de 2016

BAM - Expedição 2016-2017 / BAM - Expedition 2016-2017













Já estamos a caminho da Antártida! Ao contrário do ano passado, esta expedição vai ser durante o  Natal e a passagem de ano. Começou dia 5 de Dezembro com a ida para Cambridge, Inglaterra e em principio regressaremos a Portugal dia 20 de Janeiro 2017. Esta expedição, chamada BAM (Biological Antartic Metals, em português, Metais Biológicos Antárticos), tem como objetivo avaliar a presença de metais pesados no Oceano Antártico, particularmente na região da Geórgia do Sul e a região oceânica da Frente Polar Antártica (Antarctic Polar Front; onde as águas frias do Antártico se juntam às águas quentes vindas de norte)) que complementa o trabalho realizado no ano passado em redor das Ilhas Orcadas do Sul, que ficam mais junto ao continente. Porque é que isso é importante? Porque devido à Antártida ser muito grande, do tamanho aproximado da Europa, é necessário obter valores da poluição nas suas diferentes regiões e perceber a origem de elementos como o mercúrio (que com valores elevados, alimentos podem fazer mal à saúde): se está presente na natureza naturalmente ou não, e como se acumula nos diferentes animais que vivem no mar na Antártida.






 Num contexto de alterações climáticas, esta questão é particularmente importante pois as cadeias alimentares marinhas pode comportar-se de diferentes modos caso o ano tenha significativamente mais quente (anormal). Por exemplo, se for um ano anormal poderá favorecer determinados animais, como os copépodes (zooplancton), que por sua vez poderá transferir mercúrio de um modo diferente para animais no topo da cadeia alimentar. Como isso se processa? É isso que queremos perceber. Para isso iremos novamente recolher amostras ao longo de toda a cadeia alimentar, desde a água, passando pelos crustáceos, peixe, lulas e predadores de topo (como albatrozes) para avaliar a quantidade de metais pesados na cadeia alimentar marinha desta região do Oceano Antártico.




 Estamos particularmente interessados nas amostras que iremos recolher na Frente Polar Antártica, que é muito pouco conhecida e possui uma maior abundância de organismos e espécies…. Estamos agora a bordo do navio cientifico britânico James Clark Ross, onde eu (da Universidade de Coimbra e British Antarctic Survey), o estudante de Doutoramento José Seco (Universidade de Aveiro, Universidade de St. Andrews e colaboração direta da Universidade de Coimbra), com o apoio logístico da British Antarctic Survey e do Programa Polar Português PROPOLAR. Além da nossa ciência existem vários colegas que vão investigar coisas tão diferente como microplásticos a geologia marinha, com a ajuda dos tripulantes do navio, que iremos explicar nos próximos artigos. Quanto estiverem a dar mais uma garfada no bacalhau no Natal e um pé de dança na passagem de ano, pensem em nós. Bem vindos a mais uma expedição Antártica!!!!


We are already on our way to another Antarctic expedition!!! This time will be taking place during Christmas and the New Year. Our expedition started on the 5th December 2016 and is planned to finish by 20th January 2017. This expedition, named BAM (Biological Antarctic Metals), has the objetive of characterizing the presence of trace metals in the Southern Ocean, particularly in the region of South Georgia and of the Antarctic Polar Front (APF; the region where the cold waters of the Antarctic mixes with warmer waters from the north) that will complement the work of the previous Antarctic expedition around the South Orkney Islands (which is located further south). Why is this important?As Antarctica is so big (10% of Earth), from the approximate size of Europe, it is necessary to obtain information of pollution levels in their different regions and understand the origem of trace metals, such as Mercury (with high levels of mercury, food can be bad for your health): if it is present in nature naturally or not and how it accumulates in different animals that live in the Antarctic, In a context of climate change, this question is quite relevant as marine food webs may behave differently in abnormal years (e.g. in an abnormally warmer season, the conditions may favour certain organisms that accumulate more Mercury that are eaten up through the food web). Onboard of the Royal Research Vessel James Clark Ross, we shall collect samples from algae to top predators to assess the quantity of trace metals (including Mercury).  We are with a group of other scientists that will be studying from nanoplastics to marine geology, that we shall explain you later on...When going for another spoon of Christmas pudding, this of us J Welcome to another Antarctic expedition!!!!

Jose Xavier and Jose Seco