sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Regresso | Returning to the real world

A escrever a partir de Cambridge (Reino Unido)
Writing from Cambridge (UK)

















(Bird Island é a segunda ilha a partir da direita| Bird Island is the second island from the right)



Estou de regresso à civilização. Voltar a estar com muitas pessoas volta a ser estranhamente normal. Mas já houve coisas que me aconteceram que me disseram que ainda estou no periodo de adaptação a tudo. Vários exemplos...



Toda a gente é mais linda! Após um longo Inverno, onde 4 caras eram sempre as mesmas, quando passei pelas Falkland começei a ver outras pessoas com outros olhos. É engraçado que todos me pareciam mais bem parecidos do que o normal. Interessante!


















(Será que novos parametros de beleza vieram da Antárctica?| Could it be that beauty as we see it may origin from the Antarctic? Why not?;))


Lembrar do que precisas quando sais de casa. Quando passamos a vida em comunidade, fazemos coisas automaticamente. Ao sair de casa é automático: pegar no telemóvel, carteira, chaves e relógio e vamos embora. Mas quando passas tanto tempo na Antárctica, onde não precisei nada disso, relembrar o que precisas demora um pouco. Engraçado que o meu telemóvel "faleceu" na Antárctica...nem um pequeno sinal de vida;)

















(O sol é sempre bem vindo| The sun is always welcome)


Saber usar o cartão de crédito no supermercado. Já em Cambridge, foi às compras a um supermercado. Demorei muito mais tempo do que o costume, ver onde colocaram os produtos, analisar os melhores preços...demorou tempo pois na Antárctica temos o nosso próprio supermercado onde já sabemos onde está tudo e é grátis. O engraçado foi ao pagar, quando nem me lembrava do codigo nem como se processava o pagamento. Foi engraçado ver a senhora da caixa registadora a olhar para mim com um pequeno sorriso a explicar-lhe que "o cartão põe-se assim e agora é só colocar o codigo."


















(Rodeado de pinguins| Surrounded by macaroni penguins)


Estar no meio de uma multidão. Passei vários meses onde eramos 4 cientistas. Estar no Market Square, em Cambridge num Sabádo de manhã, onde várias centenas ou milhares de pessoas andam de um lado para o outro, super ocupados com as compras semanais, foi uma autêntica festa. Cambridge é excelente pois reune pessoas de todo o mundo, e mais uma vez essa sensação de diversidade humana, todos juntos, felizes com o seu dia a dia, foi bom. O mundo continua mesmo que estejas longe...

É sempre Inverno! Fazer ciência na Antárctica durante o Inverno Austral tem destas coisas. Como lá é Inverno entre Junho e Outubro (e todos em Portugal estão de toalha às costas para ir para a praia), na prática apnho 3 Invernos de seguida: Inverno de 2008-09 no hemisferio norte (Outubro a Março), Inverno na Antárctica 2008-09 no hemisfério sul (Março a Outubro) e agora volto a apanhar o Inverno no hemisfério norte...fácil perceber as saudades do sol....


























( Quem, eu? | Who, me?)


Próximo passo: reuniões! Agora estou com reuniões todos os dias mas tudo bem. Voltar a entrar no ritmo não custa, pois a alegria de rever os amigos e colegas todos sobrepõe-se a tudo. Agora estou na hora de definir novas estratégias de como podemos ajudar todos a perceber a importãncia das regiões polares. De certeza que aventuras não faltarão...mas as marcas da Antárctica ficaram marcadas em mim para sempre...



I am back in the real world, with people and stuff. Being surrounded by more than 4 people is strangely normal. In numerous occasions, I was reminded that I was still in an adaptation period: 1- Everyone looks more beautiful. As I saw other people, all of them looked nicer, more interesting to meet in the Falklands, 2- Remember what you need. When leaving home it was hard to remind myself that I need a mobile, wallet, watch and keys, 3- Know how to use a credit card. While in the supermarket, it was funny to see the smile of the lady of the payment desk while showing me how to use my credit card and where to put it for the payment (the system changed while I was away), 3- Being in a crowd. Cambridge is great on Saturday mornings when hundreds/thousands of people decide to go shopping in the city centre. Being surrounded by them , made me feel that world carries on, with or without you...it was nice!, 4- It is always winter. This is my 3th Winter in a row!!! I done the Winter 2008-09 in the north hemisphere (October-March), Winter 2008-09 (March-October) in the South hemisphere and now Winter again in the north hemishpere. No wonder I love the sun!!! The next step in to get a new strategy to show everyone of the importance of the polar regions....Surely new adventures will come but the Antarctic expereinces will be part of me forever...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Retroceder no tempo| Go back in time

A escrever a partir de Signy Island (Antárctica)
Writing from Signy Island (Antarctic)













(Base cientifica Britanica em Signy Island | Signy Island Research Station of the British Antarctic Survery, Natural Environment Research Council)


Foi como um sonho. Apareceu sem perceber, ocupou todos os meus momentos por horas e desapareceu tal como surgiu. Signy Island é assim...um sonho. E como já estou a escrever a partir do RRS James Clark Ross, o navio oceanográfico da British Antarctic
Survey, já a caminho das Ilhas Falklands, após 3 dias “a correr” em Signy Island, parece inglório.













(Gelo a quebrar-se| Climate change in action!)

Signy Island fica nas Orcadas do Sul, junto ao continente Antárctida e fica a 3 dias de navio a sul de Bird Island. Ter ido a Signy Island é como ir a Bird Island em Julho ou Agosto. Retrocedes no tempo. Em Signy Island ainda está tudo coberto de neve espessa, vê-se uns poucos elefantes marinhos curiosos e algumasotárias do Antárctico. O único som vibrante que causa uma alegre impressão é o som dos pombos Cape (também chamados Cape Petrels) que fazem uma autêntica festa na colónia mesmo ao lado da base, nuns rochedos enormes. Como analogia, Bird Island é agora como o calor de Agosto do nosso Verão enquanto Signy ainda está com o calor de Maio. Bird Island transborda de vida agora, com animais por todo o lado, mesmo sendo uma epoca um pouco estranha cientificamente.










(Dizer adeus!| Saying goodbye)

Antes de chegar a Signy Island, repara-se no tom cinzento do céu que me faz lembr

ar a cor nostálgica de o primeiro dia de cada ano quando acordamos um pouco mais cansados do que o normal. As Orcadas do Sul evidenciam força nas suas montanhas com neve que sobrevivem à milhares de anos contra este clima violento, e muitos icebergues, alguns deles já de um tamanho apreciável. O navio abrandou a velocidade em caso de haver um icebergue mais disfarçado que nos possa causar transtorno. No dia seguinte foi acordar às 7 da manhã para tratar de ajudar a abrir a base cientifica de Signy, onde se faz muitos estudos de pinguins (Adélie e chinstrap) e também de lagos e de vegetação.










(Elefante marinho em Signy Island| Elephant seal at Signy Island)

Os 2 dias seguintes foi tratar de pôr os geradores de energia a funcionar, deslocar montes de neve para fora do perimetro da base, e no final abastecê-la de mantimentos para os próximos meses. Foi intensivo mas interessante pois deu-me uma perspectiva do que é preciso numa base cientifica, toda a enorme logistica (temos de saber onde estão todos os pacotes em qualquer altura) e como todos colaboram como uma equipa.










(As despedidas| The last words...)

Foi o mesmo em Bird Island há uma semana atrás. Transportar tudo o que não era necessário para o navio e abastecer a base com comida, material cientifico e tudo o que é necessário para a base funcionar a 100% nos próximos meses. E todo este trabalho para que todos os cientistas possam trabalhar em segurança e realizar os seus estudos...pois tudo isto é por causa da ciência!

Já disse adeus a Signy Island e às maravilhosas 6 pessoas que lá ficaram. Agora, é olhar para o futuro...Ilhas Falklands, Reino Unido, Portugal...e voltar a casa com um grande sorriso!!!

Até já!










(no mar alto junto as Orcadas do Sul| In high seas offshore South Orkneys)

It was like a dream!It came like an unexpected guest, took all your attention for hours and then left just as it arrived... Signy Island is like that...a dream! I am already writing from the RRS James Clark Ross, of the British Antarctic Survey, on our way to the Falkland Islands. And after so busy 3 days, there is a sense of injustice as time flew so fast. Signy Island is part of the South Orkneys, very close to the Antarctic continent, and 3 days from Bird Island, which further north. Going to Signy Island is like going back in time. Whereas Signy Island is still covered with lots of snow and there are numerous icebergues around, at Bird Island the snow is already scarce and animals are everywhere, even if this season is a strange one. We came here to open the Signy Island research Base of the British Antarctic Survey. There will be 6 people this summer working on penguins, lichens and seals. Already said goodbye to the people that stayed there and now I am looking forward to the future, to be in the Falkland Islands, UK and going back home with a huge smile...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Explicar para perceber| Explain to understand

A escrever a partir de Bird Island, Geórgia do Sul (Antárctica)
Writing from Bird Island, South Georgia (Antarctic)










(Pinguim Macaroni Eudyptes chrysolophus a construir o seu ninho esta semana| A Macaroni penguin Eudyptes chrysolophus constructing its nest this week)

Estou prestes a deixar Bird Island! Sinto que é como deixar um grande amigo após termos passado uns excelentes dias/semanas (nestes caso meses) juntos. Sim, temos uma alegria imensa de termos vivido grandes aventuras juntos, de ter partilhado momentos únicos que nos vão ficar marcados para o resto da vida. Pode ser desde as pequenas coisas como o som dos pequenos passarinhos (chamados pipits) que nos acompanha ao longo do nosso percurso até às colónias de pinguins e albatrozes, da alegria que ver o primeiro elefante marinho de 3-4 toneladas, de pegar novamente num pinguim, de me deixar fazer snowboard nas suas encostas, a apreciar como um pinguim macaroni usa as suas pedras para formar o seu ninho e ouvir o som de “avião” de um albatroz viajeiro a chegar à sua colónia.












(40 000 pinguim Macaroni Eudyptes chrysolophus na colónia em Big Mac| 40 000 Macaroni penguins Eudyptes chrysolophus at Big Mac colony)


Esta expedição cientifica, a mais longa de sempre para um cientista português na Antárctica, foi deveras apaixonante. Cientificamente, foi sem dúvida! Os meus estudos sobre a dieta dos pinguins gentoo durante o Inverno mostram uma diversidade de alimentos muito elevada, talvez demais do que costuma ser. Sabendo que os pinguins gentoo normalmente alimentam-se do camarão do Antárctico (e por veze

s de peixe) e pouco mais, regressam todos os dias a terra e normalmente procuram alimento num raio de 20 km , estes resultados leva-me a supor que as populações de pinguins gentoo na Geórgia do Sul poderão ser afectados com alterações acentuadas de alterações climáticas que podem afectar o sistema marinho.
















(Albatroz viajeiro Diomedea exulans após mais uma das suas viagens pela Antárctica e arredores| Wandering albatross Diomedea exulans after another trip in Antarctic and adjacent waters)


Os estudos de rastreio por GPS de albatrozes viajeiros mostram que existe uma ligação forte entre as areas sobrevoadas (quando estão à procura de alimento) ao longo do ano, com as suas viagens a deslocaram-se cada vez mais para norte (para perto do Brazil), em vez que ficarem em águas do Antárctico. Mais existe uma ligação também associada ao que se alimentam, com uma mudança de dieta de peixe (do Antártico) para lulas (do sub-Antárctico), com estas lulas a aparecerem com espermatóforos (o que significa que se estão numa fase avançada de idade e prontas para se reproduzir). Tudo isto, neste Inverno....

















(Albatroz de sobrancelha preta Thalassarche melanophrys| Black-browed albatross Thalassarche melanophrys)

Mas tal como quando alguém muito querido nos deixa, existe uma sensação de nostalgia que se transmite com a sensação de “nunca mais vou viver estes momentos contigo.” Pelo menos neste contexto, com estas pessoas, com estes animais, com estas questões cientificas por responder...

Para perceber o quanto importante Bird Island é, nada melhor do que a mostrar a pessoas que nunca a conheceram. Dizer-lhes que o seu humor é único, que os seus albatrosses preferem voar o longo dos seus montes , que os elefantes marinhos só aparecerem a partir do fim de Setembro, que os pinguins Macaroni agora são cerca de 40 000 e são só os machos (as fêmeas veem a caminho), que os albatrosses sooties voam aos pares, reproduzem-se em autênticos desfiladeiros e que possuem uma voz hipnotizante.



Quando o navio James Clark Ross chegou, no dia 1 para fazer a “first call”, onde tudo o que é necessário para esta época é enviado para Bird Island (comida, combústivel, material cientifico, literalmente tudo) e material reutilizável (e para ser descartado) é enviado para o navio. Para ajudar temos 15-20 pessoas a nos ajudar. Tive o prazer de levar algumas destas pessoas para obervarem ao vivo a colónia dos “meus” albatrozes, colónia dos pinguins Macaroni de 40 000 pinguins, as colónias dos albatrozes de cabeça cinzenta e de cabeça preta, e os elefantes marinhos e as otárias do Antárctico nas praias. Enquanto explicava alguns pormenores da biologia das várias espécies, onde costumam viver, quando se reproduzem, do que se alimentam, de como é pegar num pinguim,...tudo isso me levou a mais uma vez perceber o quanto fabulosa esta ilha é. Todos os presentes tinham os olhos a brilhar de satisfação....

Mas claro, com o tempo passa, e a vida continua...até breve Bird Island!


I am about to leave Bird Island. It feels like leaving one of our dearest friends after spending a great few days/weeks/months together and now you get the feeling that you might not see them again. Even the little things are special to remember, like the pipits singing to me on my way to the wandering albatross colony, like try to guide me, or the privilige of touching penguins with my own hands, or hearing the sound of sooty albatrosses live! Scientifically, it was a great season. Gentoos had a very strange Winter, feeding on amphipods, which was quite a surprise as they were expected to feed on krill mostly. The wandering albatross GPS work showed that squid play a major role in their diets, but increasingly so as the season develops. It is hard to leave Bird Island. It is like having the feeling of knowing that these moments might not repeat again ever. To understand how important Bird Island is, there was nothing better that showing it to people. On the James Clark Ross first call, I had the opportunity to talk about the science, the fauna and flora of why Bird Island is so special. The great pleasure of showing a colony of Macaroni penguins with 40 000 penguins, or going through a colony of the amazing wandering albatrosses. It is time to leave Bird Island...life must go on...see you soon Bird Island!

domingo, 25 de outubro de 2009

Ser grande ajuda| Being big helps!

A escrever a partir de Bird Island, Geórgia do Sul (Antárctica)
Writing from Bird Island, South Georgia (Antarctic)

















(Olá!!!!!!!!!!!!! diz o nosso amigo elefante marinho Mirounga leonina| Hellooooooooooooooooooooo says our dearest friend elephant seal Mirounga leonina)

Ser grande ajuda! E muito mais quando se vive na Antárctica. Todo este ambiente gelado, com a água e o ar tão frios , fez com que os animais tenham criado mecanismos de sobrevivência; os peixes têm enzimas que evitam o seu congelamento, os pinguins possuem penas tão juntas umas às outras que a água não penetra (e nunca lhes chega à pele) e até as otárias do Antárctico possuem um pêlo espesso. Mas para mim , o animal que mais me supreendeu este Inverno, foi sem dúvida o elefante marinho do Antárctico Mirounga leonina. Eles têm uma autêntica "pele dupla", seguida por espessa gordura, que os faz estar super confortáveis neste ambiente. Literalmente, eles a Antárctica é o seu Algarve!

Apesar de ter vindo à Antárctica algumas vezes, nunca tinha estado por cá entre o meio de Setembro e Dezembro. É nessa altura que os elefantes marinhos começam a voltar à Geórgia do Sul para se reproduzirem. Este ano foi a primeira vez que vi um macho elefante marinho em Bird Island. Eles são GIGANTES!!!!!! E apesar do seu tamanho, supreendeu-me a sua agilidade. Conseguem mover-se rapidamente, em 180 graus num apice. No mar, comem lulas e peixe em mergulhos, até aos 1000 metros de profundidade, que podem chegar aos 20 minutos!


























(Filhote de um elefante marinho Mirounga leonina no relax| Elephant seal Mirounga leonina pup at South Georgia taking it easy)


Quando digo GIGANTES, é no sentido de serem extraordinariamente grandes, a tal ponto de ficar de boca aberta quando os vi pela primeira vez e pensar "Incrível! Como é possível termos animais tão grandes neste nosso planeta?" Os elefantes marinhos podem chegar às 4 toneladas!!! Se pensarem que um touro tem 500 quilos, bastará multiplicar por 4. Ou seja colocar 4 touros juntos e têm uma ideia do peso de um elefante marinho macho. E um dos aspectos interessantes desta espécie, e entres os mamíferos, é o seu dimorfismo sexual. Ou seja, a diferença entre o tamanho dos machos e fêmeas é grande: os machos são consideravelmente maiores do que as fêmeas. Elas apenas chegam a pesar 900 Kg...assim temos um gigante com uma esposa 3 vezes mais pequena;)


















(Toda a família reunida| All the family together)


A sua população mundial anda por volta dos 650 000 mil, dos quais mais de metade reproduz-se e vive na Geórgia do Sul. Os elefantes marinhos demonstram elegância e nobreza, tal como os elefantes de Africa que vivem em terra. São na sua generalidade calmos e passivos, abrem os seus olhos calmamente quando ouvem um barulho diferente mas não ligam se não nos aproximar-mos muito. Podem passar semanas em terra a descansar e pouco mais. Tudo muda quando entra-se no periodo de reprodução e as hormonas começam a funcionar. Lutam por um território na praia em meados de Outubro/Novembro e aí é possível ver toda a sua ferocidade em máxima força. É incrível ver os machos gigantes a lutarem entre si para terem o seu harem de várias dezenas de fêmeas. Os seus filhotes são muito engraçados, bem pequenos....incrível, sabendo que brevemente vão ter mais de 500 kg;)))

















(Durante o periodo de reprodução é quando os elefantes marinhos Mirounga leonina machos de 4 toneladas são mais agressivos| During the breeding season is when the elephant seal Mirounga leonina bulls are more agressive)

Quem disse que ser gigante e ter uns quilos a mais não é bom;))))

Being big can help you a lot! Even more if you live in the Antarctic. Various animals have found strategies to overcome the ice cold Antarctic waters. The fish developed anti-freeze enzimes, penguins have modified feathers, highly densed placed all around the body so that it does not directly touch their skin (except in their feet, whole circulatory system is highly efficient there makes warm blood coming from the rest of the body to provide warmth to them). But personally, I find the elephant seals Mirounga leonina, with their blubber protection simply amazing! Despite I have been in the Antarctic several times, this is my first time in October. This is when the bulls of elephant seals return to breed at South Georgia. Out of the estimated 650 000 thousand elephant seals in the world, more than half live here. They are gigantic! They can weigh more than 4 tons but their females do not reach 1 ton, making them one of the mammals with higher sexual dimorphism. When breeding, the bulls are capable to being quite agressive to hold their harems. After the breeding season, they return to the calm, relaxed way of living...They are highly adapted to the Antarctic environment, making dives up to 1000 metres depth and holding their breath for 20 minutes, while feeding mostly on squid and fish. And despite being gigantic, they are very agile, very relaxed individuals, being able to move 180 degrees pretty quickly...amazing! Who said that a bit of fat is not good for you;))

domingo, 18 de outubro de 2009

O peso pesados da ciência| The BIG question

A escrever a partir de Bird Island, Geórgia do Sul (Antárctica)
Writing from Bird Island, South Georgia (Antarctic)

















(Passo a passo, a ciência avança para uma melhor compreensão do mundo...pinguim gentoo Pygoscelis papua ontem na praia de Johnson em Bird Island| Step by step, science contributes to a better understanding of the world...gentoo penguin Pygoscelis papua yesterday at Johnson Beach, Bird Island)


"Como surge aquela luzinha na nossa cabeça a levantar uma questão cientifica?" Demorou muito tempo para conseguir responder a esta dúvida. Sim, de onde surgem, e como surgem, as dúvidas que os cientistas têm? O público em geral, só lhe é possível ver um número reduzido de (bons) resultados e conclusões mas o processo de levantar as questões cientificas para chegar aqueles resultados nunca é claro, e muito menos óbvio...




















(É importante perceber que a ciência anda em várias direcções e nunca sabemos se estamos correctos até obter os resultados| Is it important to recognize that science is carried out in various directions and we never know if we are right until we get the results)


Acho que deve fascinante ser estudante, que quer seguir a via cientifica, hoje em dia. Temos todos os dias novas descobertas, a internet dá-nos acesso a milhões de dados e informações sobre há grande maioria de temas de investigação. No entanto, também deve ser intimidante. Entrar no mundo cientifico, ir às primeiras conferências, associar os nomes dos artigos cientificos às pessoas e ter coragem de ir falar com eles, apresentar os teus primeiros trabalhos em palestras, tudo isso é um desafio e que deve ser obrigatoriamente ser visto como um processo natural. Todos passamos por isso!!!

No início, como estudante Universitário, é quando somos confrontados com as primeiras dúvidas: Primeiro é perceber que decorar já não chega, é preciso perceber. Mais tarde, perceber não chega, é preciso argumentar também, definir os aspectos positivos e negativos da questão, o porquê de utilizar aquele método cientifico e não outro...ou seja, entar no mundo da ciência é questionar quase tudo. Temos de partir obrigatoriamente com umas bases cientificas básicas mas a investigação de ponta (aquela de onde surge grandes avanços cientificos) é quando percebes que estás perto do abismo do desconhecido, e não consegues ver o que está para lá do abismo, e que essas bases cientificas podem estar em causa. Mais, não sabes se os resultados vão ser bons ou maus, só saberás isso só após analisar os resultados das experiências. E é nessa altura dos estudos que finalmente questionamos "então este artigo da famosa revista NATURE estava errado? Como isso é possível?" Ser crítico e avaliar cada estudo detalhadamente, levantando questões, é fundamental para um cientista...

















(Porque será que os pinguins gentoo Pygoscelis papua dormem? ou estará apenas a descansar?| Do gentoo pinguins Pygoscelis papua sleep or is he just resting?)

Para se perceber como se faz ciência o fundamental é entrar em projectos cientificos em força, o quanto antes. Eu começei no 3 ano do curso e fez toda a diferença. Ao entrar em projectos cientificos, com a recolha de dados seguindo uma medotologia especifica, começa-se a perceber que recolhendo os dados daquela maneira vai-nos ser possível responder aquela questão. Parece simples mas não é. Só a experiência diária é a solução.

Quando se está a fazer um projecto de doutoramento, muitas das questões vêm através do supervisor. Aliás, para mim um estudante de doutoramento é aquele que tem tempo para fazer as experiências daquelas ideias que o supervisor adoraria testar mas que já não tem tempo. Assim, um estudante de doutoramento, com todo o trabalho de laboratório, e de recolha de dados no campo, adquire um número de métodos e técnicas, há medida que recolhe dados importantes para responder às questões que se tinha proposto. E tem a tese feita....


















(E quem diria que um pinguim se comporta como um cãozinho quando tem comichão?| And who would have thought that penguins behave very similar to dogs?)


O interessante é que é durante este processo que surge a luzinha da ciência: " Se estou a estudar o comportamento de tubarões quando se estão a reproduzir na Primavera, como será depois de se reproduzirem? Se as alterações climáticas afectam a dieta dos pinguins, como posso provar que isso pode dever-se não há disponibilidade de alimento mas à uma possível competição com baleias? Se utilizei a enzima X para compreender a sua relação com a digestão em peixes de água quente, como será com os peixes de água fria, ou em lagos em vez de os oceanos? Se estou a estudar a doença de Alzheimer, será melhor usar aquele gene que ainda ninguém utilizou com aquela nova técnica? " As questões levantam-se à medida que vais respondendo aquela a que te tinhas proposto. Mais, começas a perceber que as questões nunca param de surgir... depois acaba ter de prioritizar aquelas ideias que são mais importantes responder agora!

Bem vindos ao mundo da ciência...

How does a scientific question arise? It took me some time to reply to this question. Indeed, only at the University I was able to provide a reliable answer. The general public only has access to some (good) studies and conclusions but how do scientists come with the scientific questions and methods...hummm this is not straightforward. At the University, we are confronted by the first queries. You firstly realize that memorizing facts is not enough. Later on, it is necessary to understand and argument the different points of view. Getting into the world of science means questioning almost everything. Surely, it is important have in mind the basic scientific concepts but cutting edge science is when you question almost everyting...is like being close to an abyss and trying to look over it without falling. Only by applying a certain method and assessing the results, it is possible to know if you were right or wrong. Most of the scientific ideas comes while collecting process of the data to answer previous questions...indeed, the start of a scientific career (like PhD) comes from questions created by the supervisor...and the questions will never stop...welcome to the world of science!!!