quarta-feira, 1 de abril de 2009

Invasão de Salpas! Salps invasion!

Latitude: 54.18
Longitude: 40.51























(Ovos? Não...é Salpa thompsoni; Look like eggs don´t they? But no...it´s salps Salpa thompsoni from the Southern Ocean)

Se houve surpresas em relação ao que iriamos encontrar no Oceano Antárctico, a maior foi termos encontrado uma abundância enorme de salpas (Salpa Thompsoni) do que o esperado. Em vez de cardumes de krill do Antárctico Euphausia superba obtivemos grandes quantidades de salpas que nos traumatizaram as redes de tão cheias.
























(Como planctón, as salpas do Antárctico Salpa thompsoni têm aumentado a sua abundância nos últimos 30-40 anos)

As salpas são tunicatos marinhos (são como primos das ascídias, e mais distante das alforrecas e medusas) e nutricionalmente são uma desgraça:) Ou seja, elas possuem pouca energia pois são constituidas maioritariamente por àgua... no entanto são belas. São transparentes, como uma parte castanha/alaranjada, e fazem parte do grupo do planctón. Gosta desta palavra...planctón. Raramente alguém a usa no mundo fora da biologia mas planctón marinho são todos os organismos ou plantas/algas (normalmente muito pequenos) que se encontram no mar que não têm a capacidade de locomoção independente da corrente. Ou seja, se a corrente estiver para a direita lá vão todos para a direita...mas isso não significa que não se mexam, pois muitos conseguem mover-se (ou para cima para junto da superficie ou para baixo para as profundezas) mas nunca conseguindo ir contra a corrente. Exemplo são algas pequenas (chamadas diatomáceas), peixes quando estão ainda na sua fase larvar, o camarão do Antárctico krill Euphausia superba, e as salpas, claro. Aos que conseguem vencer a corrente e deslocar-se para onde desejam chamam-se Nectón, como o caso das lulas, os peixes, as baleias, as focas...interessante!

















(Constipação do Anton Van de Putte? Não, uma brincadeira com uma salpa!!)


As salpas têm estado em abundância muito elevada, tendo chegado a mais de 80% do peso das capturas em alguns casos quando usámos as redes RMT25 (Rectangular midwater trawl; Arrasto rectangular pelágica com abertura de 25 metros quadrados, ou seja a rede quando está aberta na àgua tem uma boca com aquele tamanho). E o mais supreendentemente é que o camarão do Antárctico também não estava muito presente. O cientista Angus Atkinson já tinha previsto isto em 2004 num dos seus artigos na revista NATURE, mostrando evidências que o krill tem estado a declinar no Oceano Antárctico desde os anos 1970...o que pode trazer grandes mudanças no ecosistema marinho Antárctico. Ele tinha razão...

















(from left ot right: Peter Enderlein, Sophie Fielding (back to us), I, Angus Atkinson and Yves Cherel discussing new strategies to get krill do Antárctico)


Isto foi quando estamos em àguas tipicamente frias do Oceano Antárctico junto ao continente. De momento estamos a atravessar uma área de água mais quentes (anormal) e com espécies do sub-Antárctico...mas isso fica para outro dia:)))

Os dias têm estado muito bons...


If there was a big surprise this scientific cruise, it must be attributed to the abundance of salps (Salpa thompsoni) in the Southern Ocean. Rumours go around Antarctica and the same has been happenning...salps are taking over!!!! Since the cruise started, the catches of salps were in numerous circunstances higher than 80% of the total weight...and krill showed up in lower numbers. One of our friends onboard, Angus Atkinson, already predicted on one of his papers in NATURE (from 2004) that salps were on an increase trend whereas krill Euphausia superba was decreasing since the 1970´s. As we go north, the species conposition are changing again..but that´s another story:)))

6 comentários:

Lygia Maria Couceiro Braga disse...

Olá José,

Que maravilha que está o nosso Diário de Bordo.
É fantástico!
Todos os dias tenho aprendido coisas novas e que nos deliciam pela raridade que representam no nosso repetitivo quotidiano.
Acho as informações todas muito interessantes e acessíveis a todos os níveis de conhecimentos e formação.
Numa palavra, excelente!
Serve a miúdos e graúdos, curiosos e especialistas.
Faço votos para que o tempo continue a ajudar.
Continuação de muitos socessos.

Beijos,

Lygia

Jose Xavier disse...

Obrigado Lygia!!!

Caro possa reunir as topo 5 questões dos alunos, basta enviar...

Terei todo o gosto em responder

Beijinhos da Antárctica

José

Green Torrinhas disse...

Olá Zé,

Vim até aqui dar uma vista de olhos e compreendi quão atrasada estava :(

O trabalho foi imenso!
Agora numa curta pausa, tento fazer um pouco do que gosto... como por exemplo visitar os amigos!

Hum! Quanta coisa nova e interessante! Este teu 'diário de bordo' é uma verdadeira lição viva de ciência! E depois a boa disposição é contagiante!

Cá voltarei mais vezes, pelo menos com maior assiduidade durante estes dias!

Hoje foi uma noite de aprendizagens! As "100 Horas Astronomia" e agora a "Campanha do Ciência Polar"!

É fantástico! Tudo à distância de um clique - como na publicidade :)

Sucessos! Muitos!
Até breve!

Um beijo,

... beijinhos dos Torrinhas que neste momento estão em 'pausa lectiva' :)

Jose Xavier disse...

Olá Gina!

Que esteja tudo bem no Porto.

Obrigado pela mensagem!

Beijinhos da Antárctica

Ana Terra disse...

Olá José e equipe!
Adoro ver as salpas e me encanto com elas... Sou feliz pela existência delas, e parece que em cada vez maior quantidade. O planeta agradece!
Bom trabalho. Abraços,
Ana Terra

Meio Ambiente e Educação Ambiental disse...

Prezado Xavier,
sou educadora ambiental, e esta semana recebi um e-mail ref. salpas informando que elas podem ajudar na captacao de carbono e transforma-lo em oxigenio. Ha' alguma pesquisa ref. a este assunto.
Muito grata,
Eliane Sena
eliane.a.sena@gmail.com