domingo, 2 de agosto de 2009

Evidências de Verão| Summer was here....

A escrever a partir de Bird Island, Geórgia do Sul (Antárctica)
Writing from Bird Island, South Georgia (Antarctic)

















(Magnífico arco-iris no Antárctico| Beautiful rainbow in the Antarctic)


Estamos em Agosto. Bom dia para viver na praia? Na Antárctica, deixou-vos decidir: estão -5 graus negativos, a neve é abundante, o (tímido sol) sempre aparece de vez em quando... mas continuo com um sorriso. Não estou sozinho: os pinguins gentoo Pygoscelis papua, os albatrozes viajeiros Diomedea exulans, as otários do Antárctico Arctocephalus gazella, os "pipits"Anthus antarcticus (pequeno passarinho da família Motacillidae, que me fazem lembrar pardais telhado) continuam felizes da vida em Agosto e isso transmite-se. Para mim, é-me dificil imaginar que a alguns (muitos!) milhares de km, em Portugal, estão todos com uma mochila pronta com toalha de praia, protector solar, chinelos e um livro, para mais umas horas de praia, apanhar umas ondas, apreciar mais um pastel de nata entre 2 cornetos (experiência pessoal!!!) e ler o jornal do dia...

Levanto a questão: foi sempre assim? A Antárctica foi sempre uma região gelada e fria? Nem por isso...























(Pinguim rei Aptenodytes patagonicus estão super confortáveis no frio| King penguin Aptenodytes patagonicus are pretty used to the cold)


As evidências de que a Antárctica já foi quente e cheia de florestas verdejantes (como as nossas em Portugal, particularmente no Norte) estão lá. No início do sec. XX, o famoso explorador britânico Ernest Shackleton encontrou os primeiros fosséis de madeira e de árvores junto ao glaciar Beardmore (em 1908) na parte Este da Antárctida (junto ao Mar de Ross). A partir daí, não havia mais dúvidas! Mas levantou-se logo outra questão: como foi isso possível? E o que é que aconteceu para fazer da Antárctica a região mais fria do planeta, quase totalmente coberta de gelo e neve?


















(O passarinho que vive mais a sul do planeta, "pipit" Anthus antarcticus | The most southernly distributed passerine in the planet, Antarctic pipit Anthus antarcticus)


A resposta veio da Alemanha! Apenas 4 anos depois de Shackleton ter descoberto estas evidências, Alfred Wegener (que, em sua honra, tem um famoso Instituto com o seu nome) propôs a sua famosa teória da Deriva Continental ("Continental drift"; que depois fez parte da teoria das placas tectónicas), em que defendia que inicialmente os continentes (África, Ásia, Europa, Oceânia e Antárctida) estavam todos juntos num único super continente chamado Pangaea antes de se começarem a separar (Há 200 milhões de anos) e derivarem até a sua posição actual. Mas não foi fácil convencer toda a gente, isto porque Alfred não conseguiu justificar qual o processo que possibilitava isso acontecer, pois mover continentes não é fácil. Só com as investigações nos anos 1950´s sobre o fundo do mar começaram a trazer evidências sobre o comportamento magnético dos fundos submarinos. Estudos mostraram que as forças geradas pelas correntes de convecção do manto terrestre são fortes o suficiente para deslocar as placas tectónicas dos continentes. Entre 1912 e e os 1950´s esta teoria de Alfred esteve posta de lado...interessante não é? Quantas teorias estarão à espera de provas hoje em dia...mais uma evidência que o conhecimento da ciência está sempre em desenvolvimento...

Assim, estava justificado o porquê de a Antárctida tido florestas à mais de 200 milhões de anos, quando se encontrava mais perto do equador. Nessa altura, os dinossauros viviam numa região Antárctica sem gelo. Actualmente conhecemos cerca de 8 espécies de dinossauros que viveram na Antárctica, incluindo em regiões muito próximas a onde se encontra o Pólo Sul hoje ....e como seria no Árctico?


















(O frio é intenso...mas é lindo ver ocmo a neve cobre tudo|The cold is tremendous but it is beautiful to see how the snow covers everything)



O Oceano Árctico tinha reptéis parecidos com crocodilos e era um autêntico lago de água doce!!!!! Hoje em dia existe fortes evidências que há 50 milhões de anos, pelo menos a superfície do Oceano Árctico era de água doce., pois encontra-se isolado do outros Oceanos. E mais, a temperatura da água andava por volta dos 22 graus Celcius....hummm, nada mau comparado com os 18 graus das nossas àguas de Viana do Castelo, Peniche, Costa da Caparica ou de Sagres durante o Verão... acho que vou dar um mergulho!!!!!


We are in August. In Europe, every country has one main thing in mind: let´s go for a swim. If in Portugal, Spain, France or Italy, the country stops and everybody goes to the beach!! Everyone has a bag with a towel, sun protectoin cream, sandals and a book ready to go! In Antarctica, the temperatures are below zero, storms are constant, icebergs everywhere...so I question: has Antarctica always been like this? The answer is NO. Ernest Shackleton collected fossils from Antarctica in 1908, bringing into light that Antarctica was once warm and covered by forests. Furthermore, it had dinossaurs too!!!! Four years later, the german Alfred Wegener proposed his "continental drift" theory that continents were initially together before drifting apart into their present position. Although Alfred´s theory took 40 years to be fully accepted (more evidence was needed to justify how the continents drifted, through the tectonic plates), it is now fully acknowledged by geologists. And what about the Arctic? The Arctic Ocean was a gigantic freshwater lake that had reptiles similar to crocodiles and waters whose temperature could reach more than 20 degrees celcius...not bad to challenge anybody going for a swim in 18 degrees celcius waters in West Portugal....I am going for a swim...

domingo, 26 de julho de 2009

Combater aquecimento global pelos oceanos viável?| Fighting global warming using the oceans possible?

A escrever a partir de Bird Island, Geórgia do Sul (Antárctica)
Writing from Bird Island, South Georgia (Antarctic)

















(O Oceano Antárctico| The Southern Ocean)


Se o planeta está a ser afectado com o aquecimento global, será que os Oceanos poderão dar uma solução para o combater? Nestes últimos anos tem-se sugerido várias alternativas para combater o aquecimento global, usando a ajuda dos nossos Oceanos, incluindo o Oceano Antárctico.


















(Passa a passo, poderemos chegar a uma solução| Step by step, we may get the right solution)



Uma das sugestões é esta: Será que pôr umas pitadas de ferro em pó, ajuda a fazer desaparecer o dióxido de carbono (CO2) da atmosfera? O processo é simples: o Ferro (Fe), que é um dos metais que limitam a abundância de algas nos Oceanos (se há Ferro, em regra, há algas a multiplicarem-se), é absorvido pelas algas, e as algas retiram o CO2 da água, fazendo fotossíntese. Depois por regra, se houver mais CO2 no ar do que na água, o CO2 dissolve-se na água.. logo podemos por mais Ferro...e assim sucessivamente. Ou seja, este tipo de carbono entraria na cadeia alimentar...
























(Algas podem ser a chave da solução| Algae can be part of the solution)

No entanto, esta ideia de colocar toneladas de Ferro artificialmente nos oceanos para fazer decrescer o CO2 está a ser cada vez mais improvável de ser posta em práctica, apesar de algum sucesso de algumas experiências a pequena escala. As razões devem-se a não conhecermos bem quais seriam as consequências reais em todos os oceanos. Por exemplo, ao colocar Ferro no Oceano Antárctico é bastante diferente do que o colocar ao largo de Peniche (as características das águas são muito diferentes, as comunidades de algas também,...e não há muitos estudos). Não sabemos se com a multiplicação de algas alguma vez será suficiente para retirar numeros consideráveis de CO2 da atmosfera. E como tudo isto poderá alterar a estrutura das cadeias alimentares, já que está tudo interligado? Outra razão é que últimos estudos de investigação sugerem que este procedimento poderá levar a uma acidificação dos oceanos, podendo ser letal quer para os animais quer para nós. Algumas algas também podem produzir neurotoxinas, causando contaminações a peixes, aves , baleias e outros organismos oceanicos. Resumindo, precisamos de mais estudos. No entanto, é interressante verificar que algo que inicialmente parecia uma solução, poderia levar-nos a fazer um erro daqueles bem grandes, contaminando indirectamente os nossos oceanos. Não sabemos mas mais vale não arriscar...


Uma das soluções também sugeridas é usar os processos que já ocorrem nos Oceanos naturalmente para retirar o CO2 usando novamente as algas. Como os nutrientes (como o Fe) já estão na àgua, só estariámos a colocámos disponíveis. A ideia, chamada "hipótese de Gaia", proposto pelo meu conhecido Chris Rapley, sugere fazer tubos verticais em várias zonas dos oceanos, onde fazia-se transportar águas das profundidades cheias de nutrientes para a superficie, novamente para as algas se satifazerem. Na práctica, os problemas mantêm-se. Um outro problema com esta hipotese é que, não estariámos só a alterar processos naturais, como também estariámos a trazer carbono das profundezas...ou seja, ainda podíamos estar novamente a piorar tudo. Novamente, mais estudos são precisos.

























(Como será caso as mudanças no ambiente sejam nefasta para este amigos nossos?| How changes in the marine environment might affect these guys?)


Onde quero chegar é que, não há soluções simples para combatermos o aquecimento global e de momento estamos ainda há procura de soluções viáveis. Os oceanos poderão ajudar mas é preciso mais estudos. É também preciso muito trabalho de todos, e uma consciência geral de todos que é preciso preservar o nosso meio ambiente... e viver de um modo a usar meios alternativos aos poluentes que temos actualmente. Talvez as soluções estejam nos Oceanos...vamos continuar a estudar!

Can the Oceans, inlcuding the Southern Ocean, be a solution for climate change? A lot of discussions have errupted lately on iron experiments in the world Oceans. We probably need more studies to evaluate critically what is going on. However, they have received plenty of criticism as we do not know if algae would be sufficient to lower the Co2 in the atmosphere. Worse even, algae may produce neurotoxins that can produce deseases and even kills animals and humans...so plenty of more studies are needed... Another way is the Gaia hypotheses (i.e. building huge tubes to the bottom os the oceans to pumps high-rich nutrient waters to the surface) has been put forward but still, it might not be the right solution: carbon will also come up to the surface which can make the problem worse. Overall, there is no simple solution...the best way to go now is to keep improving our ways to protect our planet, obtain alternative (not pollutant) technologies and produce more studies to backup ideas. The future is ours....

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sabias que...|Did you know that...

A escrever a partir de Bird Island, Geórgia do Sul (Antárctica)
Writing from Bird Island, South Georgia (Antarctic)
























Um dos aspectos mais importantes de um cientista é...saber comunicar o que faz! Parece óbvio? Mas não é. Muitos cientistas são excelentes na ciência que fazem mas são muito poucos aqueles que conseguem comunicar bem, mesmo para os seus colegas. Sobrevivem com os artigos cientificos, ir a uma ou a outra conferência. Mas isso basta? Para mim, não!



Durante o Ano Polar Internacional, vários jovens cientistas polares de todo o mundo têm estado a colaborar para levar o que se faz bem de ciência polar a todos....nós queriamos mostrar todas as suas vertentes, desde como é escrever artigos, ir a conferências, fazer trabalho de campo, e explicar tudo ao pormenor a todos....tudo através do contacto directo com alunos, professores e o público em geral. E nada melhor do que falar com eles a partir da Antárctica....

Neste mês estive involvido em 3 eventos, um mais cientifico e outros 2 mais educacionais, estando eu aqui na Antárctica. Na práctica, o conteúdo das minhas intervenções foram muito semelhantes, só muda um pouco o vocabulário. O evento mais cientifico consistiu em falar para o Árctico em directo ao telefone durante "The First International and interdisciplinary IPY Polar Field School" em Svalbard, Noruega. Lá estavam reunidos 24 estudantes universitários de 11 países, que tiveram um curso de 3 semanas com aulas teórico-prácticas de várias disciplinas, incluindo climatologia, glaciologia, geologia, oceanografia, biologia terrestre e marinha. Esta última parte foi a que eu estive associado. Aí expliquei a importância da ciência polar, o que consistia em ser biólogo marinho polar, como vivia,...e responder a muitas perguntas!

















(Participantes em Svalbard, Noruega| Participants in Svalbard, Norway)

Os 2 eventos educacionais consistiram em falar com os mais jovens, e tinham em comum terem o mesmo objectivo inicial: "Dar um nome a uma foca leopardo". Todos os anos aparecerem em Bird Island novas focas leopardo. Quando isso acontece tiramos fotografias de modo a ficar com um identifcação do individuo e um registo, que normalmente consiste num numero. E pensei, se lhes damos um numero, que tal dar-lhes um nome também?


Assim, a John Cleveland College (Kinckley, Leicestershire, Inglaterra), foi a primeira a mostrar entusiasmo com a ideia e convidou alguns dos seus alunos (dos 10-16 anos de idade) a aprenderem mais sobre as focas leopardo, enquanto tentavam obter um nome que melhor se ajusta-se às fotografias que lhes tinha enviado. Os seus alunos decidiram-se por chamar-lhe "Alfie" a uma foca leopardo macho que nos apareceu pela primeira vez. Foi muito bom falar com eles, com excelentes questões que muito me lembraram as dos alunos da prof. Miriam Almeida, do Brazil.

















(Alfie, a foca leopardo| Alfie, the leopard seal)


O segundo evento educacional foi esta semana com um evento organizado em Houston, Texas (EUA) por professores da PolarTREC (Teachers and Researchers Exploring and Collaborating in the Arctic and Antarctic). Este evento reunia num fim de semana toda a familia (dos 8 aos 80) e curiosamente chamaram-lhe " Summer Family Science - Live from South Georgia, Antarctica with Researcher Jose Xavier", o que me deixou muito contente. Percebi que para eles era um momento especial...e para mim também, já que é um verdadeiro prazer poder partilhar o que faço, e onde estou, com todos.




















(A alegria de todos em Houston, Texas| The joy and fun well portrayed in Houston, Texas -USA)

Depois de lhes por o desafio de dar um nome a uma foca leopardo, a festa foi constante...o nome escolhido foi "Sola" (Sozinha em Português), sugerido por Zachary M. pois "parece só, linda, triste e doce tudo junto!". Para o Zachary, que até então "nunca tinha ganho nada!", estava super contente...e nada mau quando estavam 48 nomes à escolha. Um deles pos-nos a rir bastante: "Oreo" (a fazer lembrar a famosas bolachas), pois "a foca leopardo parece escura nas pontas e branca no centro!" Dei uma palestra com slides a partir da Antárctica sobre o meu trabalho, onde estou, como é viver na Antárctica...e tantas outras questões...e isto à 1 da manhã pois são 5 horas de diferença dos EUA...no final estava contente, com um sorriso daqueles!!!


















(Sola, a foca leopardo|Sola, the leopard seal)


Tudo isto para mostrar a ciência que se faz? Exactamente! E claro que vale a pena, pois aprendo tanto com estes professores e alunos, melhorei a minha visão de como a ciência é vista por todos, e melhora-se como cientista mas principalmente como pessoa. E imagino a diferença que fez aqueles miúdos que qurem ser cientistas quando forem grandes...a mim fez toda a diferença quando era miúdo e conhecia alguém que fizesse aquilo que eu gostava de ser....

One of the key aspects of being a scientists is...to know how to show the science you do. Most scientists are focused on writing scientific articles and going to conferences. Is that enough? I do not think so. Various young researchers during the International Polar got together on the Association of Polar Early Career Scientists (APECS) to estimulate the links between scientists, teachers and students...we wanted to show the science we do to everyone....and nothing better than talking to them from Antarctica. I got involved in 3 events this month: 1 scientific and 2 educational, but in practise I said exactly the same thing in all of them....who said that science language is not simple?:)))) The scientific one ("First international International and interdisciplinary IPY Polar Field School 2009") was pretty amazing as I was talking to the Arctic, in Svalbard (Norway). Twenty four masters and undergraduate students from eleven nations attended and included a packed full of interesting lectures and field excursions covering topics in climatology, glaciology, marine and terrestrial biology, oceanography, geology and permafrost.The two educational events were so exciting because I was talking to children in schools and/or their families...and I learned so much from them. Both events, in UK (at John Cleveland College - Hinckley (Leicestershire)) and in USA (Houston, TX), were great fun and it enjoyed it loads. The USA event consisted on a "Summer Family Science" event organized by PolarTREC (Teachers and Researchers Exploring and Collaborating in the Arctic and Antarctic, where I gave a talk, answered questions...In both events, two leopard seals were named,..."Alfie" by the UK school and "Sola" by the USA event. Great to hear that the schools were buzzing with excitment all week...in US, "Sola" won between 48 names suggested by children...pretty amazing. So why do we do all this? Because it is fun, we learn a lot and most importantly we grow as a scientist as well as a person! Great times....THANK YOU!

domingo, 12 de julho de 2009

Conservação é cool!| Conservation is cool!!!!

A escrever a partir de Bird Island, Geórgia do Sul (Antárctica)
Writing from Bird Island, South Georgia (Antarctic)

Porquê tentar salvar espécies em vias de extinção? E como isso pode ser importante para o mundo e para a vida das pessoas? Isto porque uma das minhas áreas de investigação lida com a conservação de espécies que estão em vias de se extinguir, como é o caso do albatroz viajeiro Diomedea exulans....


















(Albatroz viajeiro Diomedea exulans como a perguntar-nos se lhes podemos ajudar | Wandering albatroz Diomedea exulans)


Para todos que trabalham em conservação é fundamental ter uma resposta urgente para estas questões, de modo a mostrar a importância de conservar a natureza do nosso país e do nosso planeta, para responsabilizar os cientistas do trabalho que fazem (já que são os cidadãos que pagam os impostos para muitos cientistas fazerem investigação) e mais importante, para convencer todos que temos uma grande tarefa de proteger a biodiversidade do nosso planeta. De momento, mais de 16 000 espécies estão em vias de extinção....e o relógio do tempo não pára...






















(Um albatroz viajeiro no seu ambiente natural | A wandering albatross in his natural habitat)


Quando se discute sobre conservação, falamos logo de todos termos o bom senso moral de proteger e conservar o meio ambiente...e estes argumentos não estão a funcionar. E isso reflecte-se bem nas decisões políticas e económicas dos países, e também no comportamento das pessoas, que estão bastante mais preocupadas (e com razão) com os seus problemas diários e em ter um salário no fim do mês.

























(Stacey Adlard a questionar um pinguim gentoo Pygoscelis papua se deveremos os ajudar também| Stacey Adlard questioning a gentoo penguin Pygoscelis papua if he should also be helped)

Então, o que podemos fazer para convencer todos que deveremos fazer todos os possíveis para proteger a diversidade de espécies do nosso planeta (em muitos dos casos por nossa própria culpa)? Bem, uma das coisas que podem ser feitas é mostrar que salvar espécies e os seus habitats é do interesse de todos. Na natureza, todos os animais e plantas estão directa ou indirectamente inter-ligados, por ocuparem o mesmo habitat; se fizermos desaparecer uma espécie, pode levar a outras a desaparecerem. Há que mostrar que existem vantagens em conservar...


Por exemplo, as florestas evitam a erosão dos solos e ajudam a reciclar o carbono...e muitos animais têm um papel fundamental em manter as florestas saudáveis. Outro exemplo, é o papel de insectos na polinização...se olharmos isoladamente sobre uma determinada espécie de insecto, não nos diz nada mas se informarmos as pessoas sobre o que fazem e a sua importância no meio ambiente (como este exemplo da polinização), mentalidades vão começar a mudar...

























(E existem outras espécies que cientificamente são fascinantes como os albatrozes de cabeça cinzenta Thalassarche chrysostoma| And there are other species that scientifically are truly interesting, such as the Grey-headed albatross Thalassarche chrysostoma)


É importante salientar que proteger a biodiversidade de espécies e os seus habitats pode ser lucrativo! Por exemplo, o ecoturismo aqui na Antárctica tem estado a aumentar exponencialmente...e todos querem ver os albatrozes!!!! Alguns desses lucros podem ser usados para ajudar a conservar os albatrozes mas principalmente o meio ambiente num todo..e se possível tornar todo este processo auto-sustentável: turismo bem gerido, fundos usados para preservar o meio ambiente, espécies mais protegidas.

Para tudo funcionar é necessário uma estratégia bem delineada, um programa cientifico forte ao nível de monotorização do meio ambiente (e das espécies), e conhecer em detalhe o comportamento das espécies... e é exactamente por isso que aqui estou.

Why should we care about conservation? Or about saving species from extinction? and why should be important to any person in your country or in the world? I question this because I am studying one species of albatross that is facing extinction...the wandering albatross Diomedea exulans. For all conversationists, it is extremely important ot get an answer to these questions and show the importance of preserving the planets biodiversity, show the tax payer how their money is being well invested in science, and show all that is for the best of all. So what can we do? First show that species and their habitats are inter-linked and should be seen as a whole. If we destroy an habitat, we may destroy not a single species but several of them... and some of those may have an important role in the ecosystem...relevant to everyone! For example, various species of insects have an extreme importance in pollinating crops. If you were asked about a certain insect species that was facing extinction you would not be bothered but if you knew that particular species palys an important role in pollinating certain crops, you would reflect twice and your views would start changing. To do conservation and preserve our environment, it is essential background data to understand which species there are, what do they do....and that is exactly what I am doing here.

domingo, 5 de julho de 2009

Como foi MidWinter? MidWinter at Bird Island?

A escrever a partir de Bird Island, Geórgia do Sul (Antárctica)
Writing from Bird Island, South Georgia (Antarctic)

Quando se está na Antárctica no Inverno, numa ilha com 4-5 pessoas, onde a cidade mais próxima está a mais de 1000 km de distância, e existe uma oportunidade para festejar, todas as energias convergem para o mesmo lado: vamos fazer desta semana uma festa!!!! E assim foi...

















(O Inverno já chegou...Parece o Natal!| The Winter is here...MidWinter is on!)

As festividades de MidWinter em Bird Island foram muitas apesar da ciência continuar na máxima força durante o fim de Junho. Tivemos o jantar especial de MidWinter, onde enquando jantávamos ouviamos as notícias de amigos e familiares pela rádio da BBC. Depois foi a entrega dos presentes ( foi feito à sorte de quem fazia o presente a quem). Eu fiz uma quadro em forma de foca vernizado, onde coloquei um agrupamento de fotos, de um lado só fotos do Ewan, e do outro lado da foca, fotos com todos nós e aventuras pela ilha...Ele gostou! Eu recebi um relógio feito de madeira como fosse uma fotografia da base para a baia, com 2 pinguins à frente. Aliás, segundo a Stacey, os bicos dos pinguins são de pinguim verdadeiro!!! O Dave recebeu um livro album de fotografias com algumas das suas aventuras por cá, do Ewan, e o Derren recebeu uma mesa gigante para usarmos quando fizermos BBQ lá fora. A Stacey recebeu uma moldura com os contornos da ilha do Derren. Todos com grandes sorrisos...

















(Stacey com o arco e flecha|Highlander games on: Stacey focused on the crossbow)

Organizámos também os jogos Highlander em que todos vestimo-nos de escoseses: arco e flexa, lançar um Haggis (que é na prática é um scao com um peso dentro, entre vários outros. Tivemos ainda a oportunidade de dar um mergulho na água gelada (estava 1.5 graus celcius) e logo de seguida um banho de água quente numa banheira grande, cá fora...água a 40 graus celcius com a temperatura do ar a 0 graus celcius!

















(Ewan a mostrar o seu resultado do arco e flecha| Ewan, the Highlander Winner, showing us his results in crossbow)


Organizámos um pub crawl, em que cada um de nós da base escolhia uma parte da base e fazia o seu próprio bar...e cada um visitava os outros. O meu bar foi no meu quarto a que chamei "SURF Bar". A fazer lembrar as nossas praias e o desporto que adoro, pus posters por todo o lado, com música a condizer (Jack Jonhson, Donovan Frankenreiter, Ben Harper,.... Para pôr um ambiente de bar usei lanternas e pintei-as de azul, vermelho e verde, o que funcionou muito bem. Passamos o tempo todos a conversar, a ouvir música, a jogar jogos....
























(Ewan ao seu estilo Escoçês| Ewan, the only Scottish with us, taking the trophy home by tossing the caber)


A Stacey, que decorou uma area da base onde estar os aquecedores de água, de cor de rosa, com fotos de cãozinhos pequeninhos, coelhinhos fofinhos, gatinhos amorosos...dando o nome do seu bar de "A quinta". Divertimo-nos imenso também. Aqui o Derren, que foi o cozinheiro da noite, trouxe muita comida para todos...e estava excelente!

















(Derren a ajudar Bird Island a ganhar 3-0| Derren on darts againt King Edward Point (KEP) base...final score 3-0 to Bird Island!!!)

Por fim, fomos todos para a Discoteca que o Ewan fez do Laboratório (tudo em máxima segurança:)...luzes por todo o lado, música muito boa, fez uma bebida excelente com pêssegos, em que incluia muita muita neve acabada de cair. Brilhante!

Na Sexta-feira à noite, jogamos dardos contra uma outra base Britânica na Antárctica em King Edward Point (também na Geórgia do Sul), e que ganhamos por uns expressos 3-0. Surpresa nossa:) Foi muito bom falar com todos (esta outra base, tem 10-12 pessoas), ver a caras de toda a gente (nós usamos skype e funcionou!!!) e conversar um pouco.





















(Dave a dizer até logo!!| Dave tell us ...see you very soon)

Por fim, dissémos adeus ao Dave, que regressou a Inglaterra. Assim somos apenas 4 na base...o Dave. de Manchester, foi sempre uma alegria tê-lo por cá. Já falámos com ele por email e ele está com saudades...depois de umas festevidades destas, é normal!


MidWinter at Bird Island was so much fun and time flew past quickly, even if you are with other 4 people, in the smallest Antarctic British base during the Antartic Winter. We made the best of it: we had a really nice dinner, where we listenned to our friends and family on the BBC, had the Highlander games (where we dressed accordingly) like throw the Haggis and crossbow. During the week, we had our traditional swim on 1.5 degrees celcius water followed by a hot tub (interesting being in 40 degrees water breathing 0 degrees air, a pub crawl where each one of us created their own pub and all of us visited, and of course, darts against the closest British Base to us, King Edward Point, at Grytviken (at South Georgia). Brilliant!!! During the week, we also said goodbye to our dearest friend Dave, that returned to UK! We surely are wishing him well...