domingo, 12 de abril de 2009

Boa Páscoa! Happy Easter!

















(Bird Island, na Geórgia do Sul num dia de sol em 2000 (temperatura do ar: 0 graus Celcius) , na última vez que lá estive. Vou estar lá dentro de 2 dias se Deus quiser)


Olá a todos!

Boa Páscoa! Acabei de ser informado que deveremos chegar a Bird Island amanhã!!!! Estarei em terra firme muito em breve. Em mim, esta noticia é um misto de sentimentos: por um lado estou contente pela nova aventura que aí vem, por outro é deixar um grupo de amigos cientistas com quem estive (estivemos!) estas semanas a partilhar conversas, descobertas, tempestades...conhecimentos! E tudo isso nos faz crescer um pouco mais...algo que já percebi nunca deixará de acontecer ao longo da nossa vida.





















(Euphausia triacantha...camarão muito abundante de grandes profundidades|Photo of Anton Van de Putte)


Estes últimos dias foram o sprint final ao nível cientifico com muito trabalho na Frente Polar Antárctica, aquela zona onde as águas frias do Oceano Antárctica se encontram com as águas mais quentes do sub-Antárctico. Aqui o mar é sempre mais agressivo, com maior ondulação, com mais tempestades mas muito interessante. É aqui que muitos animais se veem alimentar, desde os albatrozes, às baleias, às focas...













(A lula Chiroteuthis veranyi! Reparem bem na parte debaixo do olho...um lindo fotóforo que julga-se que é usado para comunicação entre individuos da mesma espécie)


Tive 48 horas quase sempre no laboratório a analisar amostras...pois tivemos um periodo de "bom" tempo entre tempestades que nos possibilitou colocar aparelhos e redes de pesca na água. Aí foi fazer tudo o mais rápido possível e felizmente conseguimos tudo o que queriamos. Só para vos dar uma ideia, nos últimos 2 cruzeiros foi possivel apenas 2 horas de trabalho naquela zona, devido a estarmos sempre no meio das tempestades. Este ano tivemos 2 dias!!!! Estamos todos com um grande sorriso...




















(Eu e o Nathan quando organizamos um jogo de questões, tipicamente Britânico...excepto as t-shirts Havaianas. Um exemplo de algumas noites alegres com bons amigos:)! | I and Nathan Cunningham: organizors of the Quiz night! Both wearing Hawaiian T-shirts of course!)


Agora já estamos a caminho da Geórgia do Sul, em direcção a Sul novamente...

Great news! The work at the Antarctic Polar Front (APF) was a total success are we are noe heading to Bird Island, South Georgia. The timing was excellent: the big storm slowed down, we arrived at the APF, collected the data (i.e. put the gear in the water, fished the fish, got the big smile), the storm restarted again...and we left! Perfect. Just to give an idea..in the last two years, the expeditions had at best one shoot at putting a net in the water...this year we got 2 complete days! It was not easy...it was highly rewarding. As soon as we put the last net in, the wind started to pick immediately and we knew we got lucky! Easter weekend...it makes sense:)

Cientista da Bélgica: Anton Van de Putte

Latitude:51.30 South/Sul
Longitude: 37.38 West/Oeste

















(A Beleza da Antárctica numa perspectiva Belga| Foto de Anton Van de Putte)



O cientista Belga Anton Van de Putte é daqueles jovens cientistas que quando se começa a falar com ele, nota-se que ele gosta do que faz e é orgulhoso do seu país e das suas origens....os famosos ciclistas Belgas, a cerveja, as ligações fortes com a Holand... Como ele está a estudar a genética de várias espécies de peixes (os peixes lanterna ou cientificamente, os peixes mictófideos) que fazem parte da dieta dos pinguins e das albatrosses que estudo, e como estamos no mesmo grupo de investigação a bordo (o grupo que estuda os peixes, as lulas e os crustáceos usando as maiores redes, RMT 25 (Rede de arrasto pelágico que tem 25 metros quadrados, ou sjea, uma rede que captura os animais na coluna de água e que tem uma boca de 25 metros quadrados)), estamos sempre à conversa.

Pedi-lhe para falar-nos do que faz....



















(O Belga Anton Van de Putte, com barba ao melhor estilo de explorador polar)


As you may have noticed from the contribution from José I’m also working on the RMT 25 catches. This is because my interest is fish. I study the ecology and genetics of various fishes in the Southern Ocean. During this campaign my main interest lies with a fish called Electrona antarctica and other myctophid fish. I’ try to explain what I’m doing without getting to technical about it.

Myctophids are also called lanternfish because of the photophores, small light emitting organs, that cover their body and are meso-pelagic fish occurring between depths of 1000 m and the surface. They should not be confused with angler fish which are the scary deep sea fish that lure their prey by dangling a light organ in front of their mouth. Myctophids are a very species rich family that occurs in high numbers in all of the oceans and of which by comparison very little is known.
















(Electrona antarctica|Anton Van de Putte)

In the Southern Ocean these lanternfish seem to play a key role in the ecosystem. The will consume mesozooplankton like copepods but also the occasional krill. Their importance in the diet of top predators such as seals and birds is indicated by the presence of otholiths and the isotopic signal. The latter is the field of expertise of Gabrielle Stowasser and Yves Cherel, the other two scientists that work with the net RMT 25.


















(E. antarctica lives in such marine environment | Foto de Anton de Van de Putte)


So what has this to do with genetics and ecology? Well for me both go hand in hand with one giving valuable information for the other. The ecology will learn us about the current distribution of the species and can provide insight how this distribution could be affected by things such as climate chance. For E .antarctica it seems that this species has a very broad distribution from southern pars of the Southern Ocean up to the Northern parts at the Antarctic Polar Front. With the genetic tools I’m trying to understand the population structure of E. antarctica. Is their one big population of E. antarctica that goes all the way around the Antarctic or are there several more or less separate units? Also by analyzing the genetic structure in time we can learn if the population structure is stable or declining or expanding. Such knowledge is important for the management of this resource.
















(Black browed albatross is one of the predators that feed on Electrona antarctica)


But this trip I’m also collecting samples to look at a broader picture. At the Antarctic Polar Front I hope to collect a larger diversity of myctophids. For these species I’ll try to read of a piece of DNA called COI. This is called DNA barcoding and this piece of DNA should be different between species but not within species. This will allow identifying species based on their genetic barcode but also it allows to compare these barcodes and to build a family three of these different species. With this we hope to investigate the relationships between lanternfish of the Atlantic Ocean and to see how closely related lanternfish in the North and South Polar Regions are. Thanks!!!!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Grande tempestade!!Big storm!!

Latitude: 49.50 Sul/South
Longitude:34.21 Oeste/West




















(James Clark Ross menos de 24 horas perto da Frente Polar Antárctica...a parte da frente do navio tem mais de 30 metros....)


Sim, grande tempestade....mas tenho estado atento
às últimas noticias sobre a Antárctica (obrigado Lygia e Helena!):

1) A da plataforma de gelo de Wilkins (sudoeste da Peninsula Antárctica), que tem o tamanho da Jamaica, está em vias de ecolapsar e separar-se do continente Antárctida . David Vaughan, um colega da British Antarctic Survey bem alegre e profissional, é um dos especialistas e falámos brevemente à semanas. Este é mais um exemplo de que algo de anormal está a acontecer na Antárctida. Wilkins ice shelf estava previsto, segundo o relatório do IPCC (de 2007), de possivelmente ver-se algo acontecer lá daqui a 30-50 anos já que fica mais a Sul do que a plataforma Larsen B (que progressivamente se desintegrou nos anos 90) .



















(Iceberge bem pequeno...as ondas comecavam a aumentar...)

Já havia indicios de que isto poderia acontecer no ano passado (2008), pois nesta mesma altura do ano, noticias sobre esta questão estiveram nos media. A verdade é que Wilkins ice shelf continua frágil e estamos em 2009....dá para pensar. Num ponto de vista global, estas plataformas de gelo (que já se encontram no mar), em nada vão aumentar o nivel do mar. No entanto, podem contribuir....como por exemplo para aumentar a temperatura nessa região (ou seja, com menos gelo...menos albedo (reflexo da luz solar), logo menos energia é enviada de volta para o espaco, e logo aquela região pode aquecer mais rapidamente....)..e o aquecimento da agua do mar levar a expandir-se e logo tambem a contribuir para um possivel aumento do nivel medio da agua....

















(48 hours before...)

2) De estarmos a celebrar os 50 anos do Tratado da Antárctida e Portugal ainda não o assinou. A Jornalista do Jornal de Noticias, Eduarda Ferreira, escreveu um artigo no passado dia 6 de Abril sobre como os 47 países subscritores estão reunidos em Baltimore, EUA até ao dia 17 de Abril para uma nova ractificacão do Tratado, que avoga que a Antárctida é um continente que não pertence a nenhum pais, que deverá ser devotado a ciência e deverá ter um regime de gestão baseado na paz e na colaboracão internacional. Portugal foi mencionado pelo comité internacional do Ano Polar Internacional (o programa cientifico internacional que reuniu mais de 60 paises de todo o mundo, que terminou em Marco 2009) como um dos paises mais activos em colaboracoes internacionais nestes ultimos 2 anos, quer cientifica quer educacionalmente....um orgulho de todo esforco dos cientistas Portugueses. Julgo que em breve Portugal irá assinar formalmente o Tratado, pois já foi ractificado pela assembleia da republica.

















(Tempestade...qual tempestade? Para um albatroz viajeiro Diomedea exulans is business as usual)

Uma palavra sobre o Arctico, pois tem havido noticias de o gelo esta a recuar e cada vez mais fino...recuar
é preocupante pois significa que esse recuo pode chegar a Gronelandia e ai comecamos a ver o nivel medio da agua a aumentar (pois o gelo da Gronelandia, que maioritariamente se encontra em terra, pode comecar a derreter e a deslizar para o Oceano mais rapidamente) e as carateristicas da agua a alterarem-se (que pode afectar o sistema de correntes no Atlantico norte). Isto para nao falar que os ursos polares (as focas, etc) podem ficar sem habitat....


Esta semana estamos a atravessar uma tempestade a alguns dias e claro.... a ciência tem de esperar. Tentámos colocar um aparelho na água mas a tensão nos cabos era tal que tivemos de parar...mas como estamos na Antárctica, estava previsto no plano que teriamos também algum mau tempo...


Tenho passado algum tempo na ponte do navio, onde o capit
ão Graham passa os seus dias, para ver as ondas gigantes, conversar sobre como as condicões estão a evoluir... mas a maior parte do tempo é passado a arrumar cadeiras, amarrar computadores às mesas, tentar andar entre o escritório até ao laboratório sem partir nada, tentar dormir sem cair da cama (nota-se que toda a gente está mais cansada nestes dias...), o constante tilintar da caneta a rodar, da chávena a deslizar, dos livros a cair, tentar ler sem ficar enjoado...o corpo não pára de andar de um lado...para o outro....é como tivessemos na hora de ponta no autocarro ou no metro sem nos podermos mexer e toda a gente a empurrar para um lado e para o outro...e nós vamos na onda. Aqui quem nos empurra é invisivel, não sorri e nem diz bom dia....

Tudo isto no entanto d
á-nos tempo para recuperar alguma energia. É que os dias têm sido muito bons mas intensivos...

Em breve, estarei em Bird Island mas at
é lá, aproveitar ao máximo....

These days I have been succint on my messages due mainly to us being on a storm. The science has been pretty good but when a storm at sea comes, we literally have to stay put and let the storm pass. We tried to put some nets in the water but it showed that the tension on the cables was too much. Nevertheless, most of the science has been carried out successfully and very soon, the cruise will be finished. Rebecca Korb, our Principal Science Officer of the cruise, already alerted all scientists to start writing their science reports. Soon, I will be at Bird Island ready to start working on the albatrosses and penguins...but before that I want to make sure, like everybody onboard, that we take the best experiences possible from this amazing science cruise...even with a storm:)))

domingo, 5 de abril de 2009

Mais a norte...more surprises!

Latitude: 52.47 South/Sul
Longitude: 38.58 West/Oeste

















(Mais um magnífico nascer do sol no meio de tanta ciência!)


Estamos a pouco menos de um mês nesta expedição. A ciência a bordo tem sido uma autêntica aventura de surpresas. À medida que vamo-nos dirigindo a norte a mudança de salpas (Salpa Thompsoni) e o camarão do Antárctico (krill Euphasia superba) para outros organismos já se verificou! E foi de um dia para o outro... parecia estarmos num outro Oceano!!!!


















(O anfípode Themisto gaudichaudii)

Agora estamos a apanhar um anfipode (que faz parte da Ordem Anfipoda, que são animais que compõem mais de 7000 espécies descritas de pequenos crustáceos, que vão do 1 mm aos 140 mm). Ele chama-se Themisto gaudichaudii, um zooplanctón carnívoro, e é às centenas!!! O resto das amostras são peixes, umas lulas/potas magníficas e muitas outras espécies de crustáceos.


Então, o que é que se passou? o que fez um Oceano Antárctico que é tipicamente homogéneo para ter estas diferenças tão evidentes? O que acontece é que, quando se deu a mudança, fomos logo ver as temperaturas das águas, as correntes, a biologia dos animais que estávamos a apanhar... tudo isto com aquele espírito de descoberta!


















(Geraint Tarling and Cliff working on the scientific instrument LHPR, to collect zooplankton)


Verificámos que as águas estavam muito mais quentes (mais de 4 graus em vez de por volta de 1-2 graus) para a altura do ano, tendo atravessado uma corrente chamada Frente sul da Corrente Circumpolar Antárctica (Southern Antarctic Circumpolar Current Front (SACCF) ). Nestes anos, dá claramente para ver a sua importância: faz de autêntica barreira para o krill e para as salpas.


Com o Themisto, veio também um camarão de águas mais quentes, Euphausia vallentini, que inicialmente nos parecia uma outra espécie típica de águas frias. Estão a imaginar a nossa cara de espanto quando no laboratório, parámos todos e alguém gritou "Amigos... temos uma nova espécie na expedição... vejam, reparem bem... é a espécie de krill do sub-Antárctico E. vallentini!!!!" E assim, mostramos que estávamos em águas mais quentes (dados dos colegas oceanografos, que estudam as correntes e as características da água), com animais típicos dessas águas mais quentes ...e uma curiosa informação: mais diversidade de espécies!!!










(Electrona antarctica, one of the species that are still around, but decreasing its number as we go north | Photo by Anton Van de Putte)


Assim, junto à Antárctida dominam 3-4 espécies de peixe e são muito abundantes, enquanto a norte junto à Georgia do Sul, passamos para mais de 20-30 espécies de peixe, registado recentemente por um artigo nosso no jornal Polar Biology (Collins, Xavier et al. 2008).


This has been a cruise of scientific interesting facts: as we go north, we see an increase in diversity as expected (particularly for fish) but after Salps (Salpa thompsoni) took over the catches near Antarctica, anything could have happenned...and it did! From one day to another, salps literally disappeared and the amphipod Themisto gaudichaudii dominated, arriving in hundreds. Furthermore, instead of getting Antarctic krill Euphausia superba we were getting sub-Antarctic krill Euphausia vallentini!!! So what is was going on? With the help of the oceanographers onboard, we were able to assess that we were crossing the Southern Antarctic Circumpolar Current Front (SACCF), which seems to be a natural barrier to salps, and to certain extent, krill E. superba. Amazing stuff....

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Invasão de Salpas! Salps invasion!

Latitude: 54.18
Longitude: 40.51























(Ovos? Não...é Salpa thompsoni; Look like eggs don´t they? But no...it´s salps Salpa thompsoni from the Southern Ocean)

Se houve surpresas em relação ao que iriamos encontrar no Oceano Antárctico, a maior foi termos encontrado uma abundância enorme de salpas (Salpa Thompsoni) do que o esperado. Em vez de cardumes de krill do Antárctico Euphausia superba obtivemos grandes quantidades de salpas que nos traumatizaram as redes de tão cheias.
























(Como planctón, as salpas do Antárctico Salpa thompsoni têm aumentado a sua abundância nos últimos 30-40 anos)

As salpas são tunicatos marinhos (são como primos das ascídias, e mais distante das alforrecas e medusas) e nutricionalmente são uma desgraça:) Ou seja, elas possuem pouca energia pois são constituidas maioritariamente por àgua... no entanto são belas. São transparentes, como uma parte castanha/alaranjada, e fazem parte do grupo do planctón. Gosta desta palavra...planctón. Raramente alguém a usa no mundo fora da biologia mas planctón marinho são todos os organismos ou plantas/algas (normalmente muito pequenos) que se encontram no mar que não têm a capacidade de locomoção independente da corrente. Ou seja, se a corrente estiver para a direita lá vão todos para a direita...mas isso não significa que não se mexam, pois muitos conseguem mover-se (ou para cima para junto da superficie ou para baixo para as profundezas) mas nunca conseguindo ir contra a corrente. Exemplo são algas pequenas (chamadas diatomáceas), peixes quando estão ainda na sua fase larvar, o camarão do Antárctico krill Euphausia superba, e as salpas, claro. Aos que conseguem vencer a corrente e deslocar-se para onde desejam chamam-se Nectón, como o caso das lulas, os peixes, as baleias, as focas...interessante!

















(Constipação do Anton Van de Putte? Não, uma brincadeira com uma salpa!!)


As salpas têm estado em abundância muito elevada, tendo chegado a mais de 80% do peso das capturas em alguns casos quando usámos as redes RMT25 (Rectangular midwater trawl; Arrasto rectangular pelágica com abertura de 25 metros quadrados, ou seja a rede quando está aberta na àgua tem uma boca com aquele tamanho). E o mais supreendentemente é que o camarão do Antárctico também não estava muito presente. O cientista Angus Atkinson já tinha previsto isto em 2004 num dos seus artigos na revista NATURE, mostrando evidências que o krill tem estado a declinar no Oceano Antárctico desde os anos 1970...o que pode trazer grandes mudanças no ecosistema marinho Antárctico. Ele tinha razão...

















(from left ot right: Peter Enderlein, Sophie Fielding (back to us), I, Angus Atkinson and Yves Cherel discussing new strategies to get krill do Antárctico)


Isto foi quando estamos em àguas tipicamente frias do Oceano Antárctico junto ao continente. De momento estamos a atravessar uma área de água mais quentes (anormal) e com espécies do sub-Antárctico...mas isso fica para outro dia:)))

Os dias têm estado muito bons...


If there was a big surprise this scientific cruise, it must be attributed to the abundance of salps (Salpa thompsoni) in the Southern Ocean. Rumours go around Antarctica and the same has been happenning...salps are taking over!!!! Since the cruise started, the catches of salps were in numerous circunstances higher than 80% of the total weight...and krill showed up in lower numbers. One of our friends onboard, Angus Atkinson, already predicted on one of his papers in NATURE (from 2004) that salps were on an increase trend whereas krill Euphausia superba was decreasing since the 1970´s. As we go north, the species conposition are changing again..but that´s another story:)))