sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Partida para Sul| Departuring South






Após muitos meses de preparação, com um aumento crescente de testes do equipamento, verificação de tudo, e com todos a bordo, estamos finalmente a começar a expedição. Deixámos as Ilhas Falkland/Malvinas no dia 19 no início da tarde. Com o anúncio do capitão que iríamos para  o mar, a alegria foi grande. Estamos prontos! A saída de Stanley foi calma. Estava de chuva mas sem muito vento. Tivemos até a bela surpresa de termos os golfinhos Commerson a passar perto do barco (excelente foto tirada por Mike Gloistein; o seu blog é http://www.gm0hcq.com/), como se nos tivessem a dizer “Boa viagem”. Como sabemos se já estamos no alto mar, mesmo sem olhar pela janela do navio? Basta sentir as vagas a passar, que vão aumentando progressivamente, à medida que vamos entrando por este Oceano gigante. Já tomámos os comprimidos para o enjoo (normalmente é 2 horas antes de deixar o porto), para evitar surpresas desagradáveis. Para os que não sabem, para habituarmos-nos ao baloiçar para um lado e para o outro, demora tempo e exige paciência e bom senso. Tomar comprimidos ajuda, mas ficar deitado e evitar comidas picantes, pesadas ou que exigem muito do estômago, é o melhor.  Hoje o almoço foi pizza com peperoni...sim, não é o ideal mas estava tão boa! Depois contamos quais foram as consequências no enjoo. Estamos em direção à Baia da Mare (Mare Bay), que fica já na costa das Ilhas Falkland/Malvinas, para abastecimento. Os próximos 2-3 dias serão em direção às Ilhas Orcadas do Sul. Para isso iremos entrar no Mar da Escócia (Scotia Sea), e entraremos no Oceano Antártico....o frio já se começa a sentir...até já!



After many months of preparations, with the growing raising of tests on the equipment, double-checking everything, with everyone onboard, we are finally going South!!! We left the Falkland/Malvinas Islands on the 19th January at the beginning of the afternoon. After the announcement by the captain that we were departing, a smile came to everyone. It was rainy but with only a light, softy breeze. We even had the nice surprise of Commerson´s dolphins coming to say “have a nice expedition!”. We are ready! At that time, we took our sickness pills (to be taken 2 hours before departuring) so that we avoid being sick. For those that do not know, it does take some time to get used to the swinging to one side to the other. It demands time, patience and good sense. Taking pills helps, but lying down and avoiding hot and “heavy” food that demands an extra effort from your stomach, it helps. We are on the direction of Mare Bay, on the coast of the Falklands/Malvinas, to re-fuel. Then, we go direction South, towards South Orkney, crossing the Southern Ocean, via the Scotia Sea. The cold is already starting to be felt….talk to you more soon!

 Jose Xavier & Jose Seco

 



terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Chegada ao James Clark Ross| Arriving at the James Clark Ross









Já estamos no James Clark Ross!!!! O navio, com cerca de 100 metros de comprimento, é uma das pérolas da ciência Polar, possibilitando usar uma grande variedade de técnicas para recolher dados e amostras valiosas para compreendermos como funciona o Oceano Antártico. Ir a https://www.bas.ac.uk/polar-operations/sites-and-facilities/ship/rrs-james-clark-ross-virtual-tour/
Aqui, reunimo-nos com os outros colegas do Reino Unido, Estados Unidos da América e Noruega (e alguns colegas originários também da África do Sul e Lituânia). Foi bom reencontrá-los após a primeira reunião de Julho, em Cambridge. Assim que entrámos no navio, tivemos uma apresentação sobre questões de segurança, e pediram-nos a nossa identificação (passaporte) e o nosso certificado do curso de segurança a bordo (que nos autoriza trabalhar bordo de um navio). Foi-nos atribuída uma cabine onde iremos viver nas próximas semanas e convidaram-nos a percorrer o navio para nos familiarizarmo-nos com ele. Tivemos um exercício de segurança de como usar as mascaras de fumo, como reagir aquando de um fogo e como nos dirigirmos para os barcos de salvamento. Alertaram-nos também para os vários sons de emergência. 



A camaradagem entre os tripulantes e a equipa científica é fantástica, e todos estão entusiasmados para os dias que ai veem. Muito importante foi a reunião científica de planeamento, dirigida pelo cientista principal Jon Watkins. Depois disso, fomos vestir a roupa apropriada para trabalharmos na popa (parte de trás do navio), como luvas, capacete e botas de biqueira de aço (para evitar acidentes) na preparação e testes das redes, equipamento de acústica, dos equipamentos dos laboratórios...isto significa desde montar placas de madeira nas mesas dos laboratórios (para evitar que os microscópios caiam quando estivermos em alto mar), a testar os longos cabos das redes, a montar os parelhos de acústica...na prática fizemos de tudo. Acesso a internet, perguntam? Existem 4 computadores com internet que nos permite aceder gratuitamente, temos acesso direto aos nossos emails no nosso próprio computador mas skype calls (ou qualquer software que use banda larga) só é permitido para assuntos relacionados com educação. Assim, temos planeado skype calls para várias escolas de Portugal (Lanheses, Coimbra, S. Martinho do Porto, Oliveira do Bairro), Moçambique, e Uruguai. A partida deverá ser nestes próximos 2 dias, mediante a conclusão dos trabalhos preparativos. Até já!



We are already on the Royal Research Ship James Clark Ross!!! This ship, with approx. 100 meters length, is one of the pearls of Polar science, allowing the use of a variety of techniques to collect data and samples valuable to understand the Southern Ocean. Go to https://www.bas.ac.uk/polar-operations/sites-and-facilities/ship/rrs-james-clark-ross-virtual-tour/. Here, as soon as arrived we got together with our research colleagues the new crew from the United Kingdom, United States of America and Norway (with some coming originally from South Africa and Lithuania). It was good to see them again after our expedition meeting in July 2015, in Cambridge. We got an excellent health and safety meeting, in which security procedures were clearly explained so that everything we do onboard is carried out safely (from different of whistles to express, for example, emergency, fire or go to the safety boat immediately, to what to wear on the ships deck).


We also had the first scientific meeting, to get a review of the objectives of the expedition, coordinated by the Principal Investigator Jon Watkins. The work between the crew and the scientists has been fantastic. In these days of preparation, we prepared/mounted/tested the various equipments to be used during the expedition, form gliders, to acoustic equipment, to research nets. Internet access? We have 4 computers available with internet and direct access to our email accounts on our own computer. We plan to do skype calls to Portugal, Mozambique and Uruguay but we are confirming with our informatics officer Jeremy Robst if it will be possible. Departure will be very soon. Keep yourself posted!!!
 Jose Xavier & Jose Seco
 

domingo, 17 de janeiro de 2016

Terra dos Jeep | Land of Jeeps



As Ilhas Falkland/Malvinas ficam na plataforma da Patagonia (Patagonian shelf), sendo banhadas pelas águas frias vindas de Sul. Aqui habitam cerca de 2 000 pessoas e o que salta logo à vista é que a maioria possui um Jeep. Nunca vimos tantos Jeeps por metro quadrado. Na verdade, não é surpreendente, pois as Ilhas possuem maioritariamente regiões  despovoadas, de campo. Aqui vive-se muito através da agricultura e pecuária (existe muitas ovelhas, como é expresso na bandeira), pescas (existe uma pesca dirigida a lulas (Illex argentinus a mais conhecida) e peixe) e claro, o turismo. Algo impressionante é compreender como o tempo muda rapidamente. Sem exagerar, numa questão de minutos tivemos sol, granizo/neve, nuvens escuras cinzentas gigantes, tudo acompanhado por muito vento! Apesar de oficialmente estarmos no Verão, na prática, é equivalente aos piores dias de um típico Inverno Português. Enquanto estivemos aqui, foi-nos dito informalmente que no dia 13 de Janeiro 2016 poderá ter sido o dia mais frio do Verão nestas Ilhas de sempre (-3 ° C).  Ficámos bem acolhidos numa residência chamada Paddock,  em Stanley (a capital), onde estavam também alguns turistas.  Enquanto esperávamos que o nosso navio James Clark Ross chegue para embarcarmos,  ficamos aqui. O pequeno almoço é-nos servidos aqui na residência mas os almoços vamos ao Shorty´s, um restaurante onde parece todos os locais estão lá! Aliás, num destes dias encontrámos lá Paulo Catry, o nosso colega cientista Português que trabalha com albatrozes aqui nas Ilhas já há muitos anos. O seu trabalho correu muito bem e está prestes a regressar a Portugal. E o acesso à internet, perguntam vocês? Bem, por 100 minutos custa 10 libras (13 euros!)! Ou seja, até irmos para o navio, o acesso é MUITO limitado e dispendioso.  E entre resolver questões práticas da expedição, e conhecer melhor Stantey, é necessário manter a forma. Temos andado bastante pela vila, fomos jogar squash e até pensámos em ir correr várias vezes. No entanto, com os ventos fortes, esquecemos facilmente essa ideia.  Esperamos que nos próximos dias nos iremos mudar para o navio James Clark Ross,  e assim a nossa expedição começará!

The Falkland/Malvinas islands are on the Patagonian shelf, being surrounded by cold waters coming from the South. Here, little more than 2000  people live happily and one aspect that comes to mind immediately is that literally everyone has a Jeep. It is not a total surprise as the Islands are mostly country side. Indeed, we never seen such Jeeps per square mile. Here, the population live mainly on agriculture (one of the symbols in Falklands flag is a sheep), fisheries (particularly directed to squid (Illex argentinus is particularly world famously known) and fish), and of course, tourism. Sometihng pretty impressive is to realize how the weather changes so quickly. In a question os minutes (and we are not exagerating), we can get sun, Light clouds, darks clouds, heavy rain, hail stones and snow, everything with strong winds. When out, using clothes for all of this is imperative. Although we are officially in the pick of Summer, we had some of the worst Summer days in the Falkland Islands/Malvinas. On the 13 January 2016, we were informally informed that it might have been the coldest ever (-3 ° C).  We stayed nicely at the residence Paddock and even managed to see our colleague Paulo Catry, on his way out of his fieldwork on albatrosses. And access to the internet? Well, it costs 10 British Pounds for 100 minutes (approx. 13 euros for little more than 1 hour and a half), which is incredably expensive. While getting ready to go onboard of the James Clark Ross, we had to chance to learn more about Stanley. James Clark Ross, here we go!
Jose Xavier & Jose Seco


sábado, 16 de janeiro de 2016

4 dias de partida | 4 days of departure






Mala verificada, plano revisto, passaporte, bilhete...partida! A viagem exige 2 aviões, 4 dias e ± 14.000 km entre Portugal e as Ilhas Falklands (também conhecida por Ilhas Malvinas) via Londres, onde iremos embarcar no navio cientifico Britânico James Clark Ross. Partimos dia 10 de Janeiro de 2016 (Sexta-feira) às 9h do aeroporto de Lisboa, e passado cerca de 2-3 horas chegamos ao invernoso Reino Unido. Porquê ir ao Reino Unido? Porquê viajar para norte quando queremos ir estudar o Oceano no Sul? Simplesmente porque a nossa expedição é em colaboração com o Reino Unido e estaremos a usar maioritariamente a sua logística. Mais concretamente a logística do instituto de investigação British Antarctic Survey (BAS).



 Assim, voámos para Londres (aeroporto internacional de Heathrow) e partimos de imediato para Cambridge, cidade onde fica sediada a BAS. No Sábado fomos ao instituto onde estivemos a rever o toda a campanha e a trabalhar nos últimos emails antes de partimos. Esta foi a primeira vez do jovem cientista José Seco no Reino Unido (e em Cambridge). É uma cidade Universitária recheada de edifícios históricos, em que se respira cultura e conhecimento. A cada esquina que virávamos, encontramos edifícios enigmáticos, como o colégio de Cristo (Christ´s College; onde estudou Charles Darwin), Queen´s College (onde estudei), o Scott Polar Research Institute ou o famoso Pub “The Eagle” onde foi declarada a descodificação do ADN humano pelo Watson e Crick. É sem duvida alguma uma cidade a visitar, principalmente se és um jovem cientista.  



A nossa viagem para Sul estava planeada para Domingo à tarde. Voamos com os colegas cientistas John Watkins, a Sophie Fielding e o Jeremy Robst. Fomos os únicos cientistas a ir neste primeiro voo (os restantes cientistas chegarão no próximo voo, na Quinta-feira) para ultimar os preparativos da expedição, e familiarizarmo-nos com o navio James Clark Ross. Partimos de Oxford num avião militar (Voyager A330 da Royal Air Force) às 23h10 em direção à Ilha Ascensão (para reabastecer o avião), com destino final as Falklands/Malvinas. A viagem até esta Ilha tropical do meio do Oceano Atlântico é longa (9 horas) e dormir é complicado. Apanhámos 25 °C e humidade superior a 80%. Durante toda a viagem as conversas convergiam sempre para a expedição, quais eram as nossas expetativas e saber quem iria mais trabalhar connosco nesta aventura Antárctica. Chegada às remotas Ilhas Falklands/Malvinas, após mais 8 horas de voo, foi sem dúvida uma grande alegria! Agora é descansar um pouco...














Baggage checked, research planned review, passport, flight tickets ready...let´s go! The trip between Portugal and the Falkland Islands (also known as Ilhas Malvinas), via London, demands 2 planes, 4 days and  ±  14 000 km of travelling. In the Falklands/Malvinas, we will join the Royal Research Ship James Clark Ross. We departured on the 10 January 2016 (Friday) from Lisbon Airport, taking 2-3 hours to arrive in Wintery London. Why going to the UK? Simply because our expedition is in collaboration with the United Kingdom, using most of the logistics of the British Antarctic Survey (BAS). Therefore, we flew to London Heathrow, and gone to Cambridge, where BAS is based. The following day was spent at BAS reviewing the research plan and the final emails. This is the first time of José Seco is in the UK (and Cambridge). Cambridge is a beautiful University city covered with amazing historical buildings. In each corner, something interesting was there to impress us: Christ´s college (where Darwin studied), Scott Polar Research Institute, the famous pub “The Eagle” where Watson and Crick announced their DNA findings for the first time. Worth a nice visit particularly if you are a young scientist. We got our plane South (a military Voyager A330 of the Royal Air Force) on Sunday afternoon with our colleagues John Watkins, Sophie Fielding and Jeremy Robst.  On our way to the Falklands/Malvinas, we were obliged to stop at the tropical Ascension Island to re-fuel, after 9 hours flight. We had to come out of the plane, for safety reasons, and realized the 25 °C and humity of 80% (pretty hot!). During the flights, our conversations converged naturally to our coming expedition, what were our expectations and with whom we will be working with. After 8 hours flight, we arrived at the Mount Pleasant Military Airport of the Falkland Islands /Ilhas Malvinas with a big smile! Now is time to rest...
 Jose Xavier & Jose Seco







domingo, 3 de janeiro de 2016

Expedição 2016 | Expedition 2016




Feliz Ano Novo!!!

Estamos prontos. Após um Natal e passagem de ano bem calmos, a planear os últimos detalhes desta expedição cientifica ao pormenor, as malas estão literalmente feitas. Esta expedição, chamada PELAGIC, tem como objetivo avaliar a presença de metais pesados no Oceano Antártico. Porque é que isso é importante? Porque nesta região estima-se que haja pouca poluição mas um estudo da nossa equipa e colegas (ver Tavares et al. 2013 Environmental Pollution; http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0269749113003564) mostrou que os albatrozes viajeiros são os vertebrados com mais mercúrio no mundo (para quem não sabe, mercúrio em excesso é prejudicial à saúde). Então, de onde vem este mercúrio? E que outros metais  se encontram nos animais que lá vivem? É mesmo isso que estaremos a estudar: a recolher amostras ao longo de toda a cadeia alimentar, desde a água, passando pelos crustáceos, peixe, lulas e predadores de topo (como as otárias do Antártico e pinguins) para avaliar a quantidade de metais pesados na cadeia alimentar marinha do Oceano Antártico. Iremos a uma região particularmente interessante da Antártida, as Ilhas Orcadas do Sul. onde existe muito interesse ao nível das pescas,  no estabelecimento de áreas protegidas marinhas (ver região mesmo por baixo das Ilhas Orcadas (South Orkneys) no mapa) e no conhecimento da biologia de espécies pouco conhecidas. A expedição terá lugar entre Janeiro e Fevereiro de 2016, a bordo do navio cientifico britânico James Clark Ross, onde eu (da Universidade de Coimbra e British Antarctic Survey) e o estudante de Doutoramento José Seco (Universidade de Aveiro, Universidade de St. Andrews e colaboração direta da Universidade de Coimbra), com o apoio logístico da British Antarctic Survey e do Programa Polar Português PROPOLAR. Bem vindos!!!!



HAPPY NEW YEAR!!!! We are ready. After a brilliant (but calm) Christmas and New Year celebrations, and planning the final details of the scientific expedition, the suitcases and gear are literally ready. This expedition, named PELAGIC, has the main objective to assess the levels of trace metals in the Southern Ocean. Why is this important? Because we think that pollution is small in the region but we found out the wandering albatrosses breeding in the region have the highest levels of Mercury (Hg) that any vertebrate in the World (see Tavares et al. 2013 http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0269749113003564). So, where is this mercury coming from? Which other trace metals exist in high values in the Southern Ocean that could potentially be harmful to our health (if we consume those animals)? This is exactly what we are studying! We will be collecting samples of water, crustaceans, fish, squid up to the top predators in order to evaluate the levels of trace metals. We will be particularly focusing in the South Orkneys region, where there is considerable attention form fisheries, conservation and Marine Protected Areas perspective (see the region just below these islands, in the map). Also, much knowledge is needed on the biology and ecology of numerous species that we also wish to address. The expedition will take place between January and February 2016, onboard of the RRS James Clark Ross, where I and José Seco, with the logistical support of the British Antarctic Survey and the Portuguese Polar Program PROPOLAR. Welcome!!!
 Jose Xavier & Jose Seco