quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Experiencia de uma vida! Experience of a life time!

Latitude:-51.47
Longitude:-35.75






Tenho um convite!!!!!





Nós estamos no Ano Polar Internacional, em que Portugal participa pela primeira vez. Algo que sempre me entusiasmou foi a ideia de levar jovens estudantes à Antárctida de modo a eles terem a mesma sensação que eu, perceber o que é estar aqui…marcar as suas vidas, os das suas famílias e de muitos jovens com quem eles podem server de motivação para serem bons naquilo que quiserem ser quando forem grandes…basta dar o litro e acreditar!

Quando o Comité Português para o Ano Polar Internacional, pensamos que seria deveras interessante levar estudantes do liceu (alunos dos 16-18 anos) à Antárctica…e isso foi possível em Dezembro 2007-Janeiro 2008. A Ana Salome, a representar o projecto, e para cuidar dels tambem foi...uma grande experiencia para ela tambem, pois mereceu!!!!


No próximo dia 7 de Fevereiro, amanha, a partir das 15h30, no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva (Lisboa, Portugal), irá dar-se início a uma sessão pública de apresentação da viagem dos 7 estudantes à Antárctida.


Será estabelecido contacto telefónico comigo e com outros jovens cientistas polares do LATITUDE60! que se encontram na Antárctida a desenvolver os seus projectos. Abaixo, temos (da esq. para a dir.): Ines, Miguel, Marta, Joao, Ines, Marta, Irina e Andreia com aquele sorriso que nos faz bem!




















O relato dos dias na Antárctida será intercalado com ligações às bases polares e a um navio cientifico, onde os cientistas do LATITUDE60! Alexandre Nieuwendam, Vanessa Batista, Raquel Melo e eu.


Os visitantes do Pavilhão do Conhecimento são convidados a enviar questões para o endereço electrónico projecto.latitude60@gmail.com, ate ao final do dia 6 Fevereiro.


No dia 7, venham ao Pavilhão do Conhecimento ouvir a resposta em directo do… Pólo Sul.Vejam mais emhttp://www.pavconhecimento.pt/destaques/index.asp?accao=shownot&id_noticia=279

Caso não possam ir, eu conto depois….

(I have an invitation!!!! Come to the Pavillion of Knowledge in Lisbon on the 7 February, from 15.30 local time, to watch live the personal views of 7 high school students that just arrived from Antarctica, after being on an international polar expedition (where they had lectures, tours to shore, data collection for science experiments, been with penguins, seals, albatrosses...). I will provide an interview from the James Clark Ross live too during the afternoon, like the other 3 young scientists that are in Antarctica at the moment (Raquel Melo, Alexandre Trindade e Vanessa Batista). Please see web links above. I know that most of you can not make it but rather than being sad, I would like you to reflect a minute or two on this event. A year ago, these students never thought in their wildest dreams that a year later they would have gone to Antarctica. They will be sharing their opinions of what they have seen, and how this experience change their lifes...if you have any questions that you would like to question either the students or the scientists, including me please leave a comment on this message or just send an email to the email address above. I will tell how it went. Meanwhile, here at the Antarctic Ocean, we are going on the direction of the last research station of the cruise, on the other side of the Antarctic Convergence, in "warmer waters" where the penguins have been foraging. Great!)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Estamos perto! (we are close!)

Latitude:-52.60
Longitude:-39.14

















Pois, o tempo voa...e já estamos a cerca de uma semana do termino da parte cientifica da expedição mas a nossa alegria de aqui estar não desarma. Agora todos queremos tirar o máximo partido de tudo: do ambiente Antárctico, dos amigos e colegas, dos dados que estamos a recolher…de toda a experiência! Abaixo, eu ir buscar mais uma amostra.



























Peter Ward e Rachael Shreeve no laboratorio a analisar uma amostra do plancton (pequenos organismos), apanhados pelo aparelho Longhurst-Hardy Plantkon Recorder (LHPR).





























Jon Watkins, Peter Enderlein e Martin Collins em busca de mais um biscoito enquanto a rede não chega...e tem sido muitas:)

































Estamos junto à Frente Polar Antárctica, mas na parte sul nas águas do Oceano Antárctico. Assim, ainda temos icebergues e albatrozes por companhia. Ontem ainda vi vários lobos marinhos apesar de tempo não ter estado muito propício para os ver. O ideal é mar sem uma onda, mas se houver pouco vento também é bom. Abaixo a minha melhor tentativa de apanhar um a mergulhar... acreditem, está ali mesmo debaixo de água.



























Isto é um lobo-marinho quando estão quietos em terra...

























Hoje, e para os próximos dias, vem um vento bastante forte e já nos estamos a preparar para a aventura do “para cima para baixo, para um lado, para o outro” que nem dá para andar correctamente. Assim, estamos todos concentrados na ciência. No meu caso, no laboratório a identificar e medir espécies que aparecerem nas redes…que vai desde peixe (o meu principal interesse) até crustáceos (camarão do Antárctico, por exemplo), lulas (temos tido umas muito bonitas! Outra paixão minha), alforrecas e medusas (para os amigos dos Açores quero dizer águas-vivas) e todo o restante zooplancton (pequenos animais que aparecerem na rede, sendo alguns bastante importante no ecosistema marinho Antárctico)….


Gabriele Stowasser a mostrar-nos a sua alforreca/medusa Peryphilla peryphilla
























Um membro crustáceo do grupo Ostracoda (Gigantocypris sp.) ...vejam os olhos! (faz lembrar o filme a Guerra das Estrelas)























E as lulas (da esq. para a direita): Bathyteuthis abyssicola, Galiteuthis glacialis e Slosarczykovia circumantarctica)....






















Quanto aos pinguins, eles estão por aqui também!!!!!

Ops…acabei de ser informado. Vem aí mais uma amostra. Huppiiiii!!!!!!


(Time flies and we are about a week of science to do . After that we will be heading to South Georgia for calibration work of devices using for acoustic surveys. So, everyone is trying to squeeze as much as we can from these last days: the Antarctic experience of being here, enjoy the company of friends and colleagues, and obtain the last samples...so a lot of work going on. We are still in Antarctic waters, south of the Antarctic Convergence, therefore plenty of icebergs and albatrosses to enjoy. I even tried to get a photo of a Antarctic fur seal jumping in the water but it was a difficult task! Regarding the penguins work, after today, we will be heading to a position where the king penguins are foraging, north of the Antarctic convergence, which will make everything even more exciting!)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Damas de Ferro :) Iron ladies:)

Latitude:-52.65
Longitude:-39.15

























Dentro das cientistas a bordo, Daria Hinz (dos Estados Unidos, em cima) e Maria Nielsdottir (da Dinamarca) são das mais bem dispostas. Andam sempre juntas, são ambas da Universidade de Southampton, Inglaterra e estão a estudar a distribuição de ferro no Oceano Antárctico. Acima, Daria, mostra o equipamento que trouxe para a viagem. Em baixo, a boa conversa durante o jantar...boa disposição portanto!


















O ferro é um dos elementos metais que limita a produtividade primária de um oceano. Por outras palavras, se existe muito ferro na água as algas algas ficam todas contentes e podem multiplicar-se rapidamente. Se não houver ferro, as algas são poucas. Estas cientistas estão a caracterizar o Oceano Antárctico ao nivel de abundãncia de ferro…quais as areas com mais ferro (e logo mais produtivas).


















Ultimamente as experiência com ferro no mar têm estado em foco internacionalmente, pois várias experiências mostram que ao introduzirmos ferro na água, isso pode ajudar a combater o aquecimento global. Isto deve-se ao ferro ser absorvido pelas algas, que por sua vez obsorvem o dióxido de carbono, levando a uma redução deste gás que contribui para o efeito de estufa!


Além do muito trabalho em mãos, existe tempo para fazer tricot…para não falar das capacidades de jogadora de rugbi que a Daria possui (joga bem!).




(Within the scientists, Daria Hinz and Maria Neilsdottir are amongst those that are always in a good humour. Both are from Southampton University and working on Iron distribution on the Southern Ocean. This is quite a booming research topic within the marine scientific community due to the Ocean Iron Fertilization experiments linked with global climate change. These experiments have been proposed for mitigating rising atmospheric CO2, by estimulating net phytoplankton (algae) growth by releasing iron to certain parts of the surface Ocean. Where are those Iron productive areas? and how much Iron available to phytoplankton? These are some of their questions. While there is no anwers...Daria does the knitting:))))

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Pinguins!!!!! (Penguins!!!!)

Latitude:-52.86
Longitude:-40.09























Um dos grandes objectivos deste cruzeiro cientifico é caracterizar o comportamento de animais tipicamente adaptados ao Antárctico num contexto das alterações climáticas. O que é que os animais estão a a fazer agora e em que condições ambientais? Se recolhermos dados agora podemos saber o que poderá ser anormal no futuro...e como poderemos proteger os pinguins e todo este ecosistema.
Aqui quero-vós mostrar como estamos a estudar: onde os pinguins se alimentam, como se alimentam, se são selectivos do que comem e como podemos usá-los como indicadores do que se passa na natureza actualmente. Acima a foto de Hugh Venables a mostrar a nossa espécie de estudo, os pinguins rei Aptenodytes patagonicus...

Para resolver estas questões, planeou-se parte deste cruzeiro cientifico para avaliar o que existe nas àreas onde os pinguins vão. Serão as áreas onde os pinguins vão, mais produtivas, ou seja, vão onde há mais alimento?

Para sabermos onde os pinguins estão a alimentar-se, Martin Collins, da British Antarctic Survey, colocou vários aparelhos de rastreio via satélite (são pequenos aparelhos que emitem um sinal que é captado por satélite, o que nos permite saber onde o pinguim está a qualquer hora do dia), há umas semanas antes do início do cruzeiro. Abaixo, Martin e um pinguim rei com um aparelho de rastreio via satélite nas costas...

























Os resultados mostraram que os pinguins rei vão a Frente Polar Antárctica, local onde as águas frias do Oceano Antárctico se juntam às águas mais quentes dos trópicos. Essa zona é particularmente rica em alimento, principalmente em lulas e peixe. Abaixo temos as viagens feitas por vários pinguins rei até ao momento (cada indivíduo tem os pontos das suas localizações em cores diferentes, para sabermos quem é de quem), todos vindos da ilha da Geórgia do Sul, onde foram colocados os aparelhos nos pinguins, pois os pinguins estam-se a reproduzir lá agora (ou seja, osp inguins vão à procura de comida e depois regressam à ilha para alimentar o(s) filhote (s)). Aquela linha vermelha que vai da esquerda para a direita é a posição média da Frente Polar Antárctica , e percebe-se que é ai onde os pinguins estão a ir.


















Como essa Frente varia, precisamos de imagens de satélite das temperaturas das àguas da região. Abaixo está a mostrar as temperaturas das águas da região da Frente (estamos a falar de variações de 2-3 graus em pouco) em relação às posições de 2 pinguins. As temperaturas estão em graus centigrados...

Agora que sabemos onde os pinguins vão, só precisamos de lá ir com o navio e recolher algumas amostras do que lá existe, usando redes de pesca.
Próxima paragem: Frente Polar Antárctica!!!!!!
(One of the objectives of the cruise was to understand how top predators exploit the marine ecosystem. The cruise would be used to survey the areas where king penguins forage in order to assess how king penguins feed, what is likley they might have been feeding and how productive are those selected areas. To know where king penguins forage, Martin Collins put satellite tracking devices on saveral of them, while king penguins are breeding at South Georgia. They showed that they are feeding mostly at the Antarctic Convergence, a productive oceanic area where cold waters of the Antarctic meet the warmer waters from the tropics. Next stop: Antarctic convergence!!!!!)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Senhora de respeito (Respect for the lady Albatross)

Latitude: -52.85
Longitude:-40.09














Estou de boca aberta!!!! Ontem tivemos a visita de um albatroz muito especial quando estavamos perto da Geórgia do Sul mas não era um albatroz qualquer (ver mensagem de ontem). Era nada mais nada menos que a fêmea albatroz viajeiro WP54 (é o código a que lhe chamamos e acordo com a anilha que tem na sua perna esquerda). Como conseguimos ver essa informação, através de uma fotografia, tinhamos de saber de onde vinha. Será que era da ilha onde eu já tinha estado? E o que sabemos dela? As fotografias já correram mundo!!!!













Após umas horas à conversa com Dirk Briggs, e alguns emails, recebemos a confirmação de Andy Wood, da British Antarctic Survey. "Esta fêmea é uma verdadeira senhora!", disse ele. Ela foi anilhada em Bird Island (a pequena ilha junto à Geórgia do Sul, onde a British Antarctic Survey tem uma Base cientifica há mais de 40 anos) quando ela apareceu em 1982, quando já era adulta (logo já devia ter 4-7 anos). Ou seja, este albatroz fêmea tem mais de 26 anos!!!! Naquele ano de 1982 acasalou com o albatroz com quem teve mais 7 filhotes até 1997, 1 filhote por cada 2 anos como costuma ser habitual para esta espécie.





















Depois de 1997, o seu par desapareceu e ela acasalou com outro albatroz em 1999, com quem teve mais 4 filhotes. Talvez não supreendente, ela está este ano novamente em Bird Island, e já tem um ovo de 525 g, informação dada por Fabrice de Bouard, um dos cientistas que está lá agora. Resumindo, esta senhora tem 17 netos e 3 bisnetos na Ilha, ou seja, uma autêntica senhora de familia.
Os albatrozes geralmente acasalam para toda a vida. Divórcios são raros. Carinhos e mais carinhos...
Os albatrozes viajeiros são dos albatrozes mais ameaçados do mundo, e estão a entrar em vias de extinção. Isto deve-se a eles(as) seguirem os barcos de pesca da pesca do anzol e ficarem apanhados nos anzóis. Só na Ilha onde estive, estes albatrozes têm estado a decrescer mais de 1% desde dos anos 70. Daí haver um esforço ao nivel internacional na iniciativa "Save the albatross" (http://www.savethealbatross.net/), apoiada por organizações de competência. Vale a pena nos informarmos sobre o assunto.
















Sabendo isto tudo, estivemos perante uma autêntica senhora albatroz.
(I am speechless! As soon as we managed to get the code information about the wandering albatross that stayed with us all morning yesterday, we were very curious to get more information about it: where did it came from? It is young? Could it be breeding at Bird Island, South Georgia where I studied? Dirk Briggs contacted Andy Wood from the British Antarctic Survey, who told us that we were with a true Mrs Albatross. In his own words: " Your wandering albatross (WALB 5109000/WP54) is a female of unkown age. She was first recorded breeding at Bird Island, South Georgia in 1982 paired with a male (5109005/WP59) on the ridge. This pair successfully raised 7 chicks up to 1997 after which she paired with another male (5184987/WB15 (5109005/WP59 was last seen in 1999 - died of a broken heart ... or perhaps on a longline!). 5184987/WB15 was first seen in 1999 when breeding with 5109000/WP54 and they have gone on to successfully rear 4 chicks. Perhaps not surprisingly, 5109000/WP54 is back at Bird Island this season breeding with 5184987/WB15 (with a 525g egg), again on the ridge.5109000/WP54 has 17 grand-chicks, and 3 great grand-chicks on the island, so quite a successful old bird! Andy. "
As wandering albatrosses is a threatenned species, due to their accidental mortality by fishing hooks from longline fisheries, coming across with such a extraordinary animal was quite a privilige. Much work has been done to help albatrosses, with the initiative "Save the Albatross" (http://www.savethealbatross.net/), supported by international organizations. Worthwhile have a look at their website. After all this, we were truely honored to have been with such company)