sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Trabalho de grupo (Team work!)

Latitude:-58.01
Longitude: -42.23


Estar no meio do Oceano Antárctico e sobreviver é algo considerável.
















É sem dúvida, um trabalho de grupo vastissimo para que tudo corra às mil maravilhas e que os cientistas estejam unicamente focados na ciência. O capitão Graham Chapman e mais os seus 27 tripulantes estão a realizar um feito espantoso de manter toda a gente feliz. Na fotografia abaixo está o capitão Graham com Joana Cox, a segunda oficial a bordo na saída de Stanley (Ilhas Falklands).















Essa tripulação ajuda-nos a vários niveis:

Ao nivel cientifico ajuda-nos a colocar vários aparelhos na àgua em segurança. Abaixo temos Robert Paterson e Christopher Dare na popa a ajudar-nos e George Stewart, Clifford Mullaney e John McLeod a ajudar-nos no aparelho CTD (que mede caracteristicas da àgua, desde temperatura, gases, plancton, densidade,...).












































Ao nivel alimentar. Há 3 chefes de cozinha bordo, mas eu como estou numa determinada hora de trabalho, janto sempre segundo as ordens do Chefe Keith Walker. Este senhor já cozinhou em vários restaurantes conceituados de Londres antes de aceitar este convite. Digo-vos a comida é deliciosa!!!!!





















Ao nivel de comunicações. Aqui a responsabilidade é muita e temos um grupo de pessoas bem formadas. Charles Waddicor é o responsável pelas comunicações de radio. Em baixo está com Kenneth Weston, a celebrar o seu aniversário!!!!
























A todos os niveis, tudo decorre sem precalsos e com muita comunicação entre os comandos do navio, na ponte e o responsável pela ciência Geraint Tarling. Muito se tem a agradecer a toda estes excelente profissionais pleos resultados que estamos a conseguir. O nosso muito obrigado!

Em baixo, Geraint (no meio) a debater com Sophie e Jon qual a melhor solução para a ciência, antes de a comunicar ao capitão e aos oficiais.


















(The way a scientific cruise is carried out apparently so smoothly is due to the hard work of many people onboard of the James Clark Ross, both scientists and crew. Comunicayion is a key factor. From the team of captain Graham Chapman of 27 individuals, they work brilliantly with the scientists so that the best results can be achieved. And this means focusing on what is important. Without the support to deploy the scientific gear, the logistics of guidance to drive such a vessel while doing the research, the profissionalism and quality of the excellent food and chefs onboard, every member of the James Clark Ross should be cheered. Thank you so much for your profissionalism, companionship and sense of humour! Let the cruise continue...)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Evolução! (Evolution!)

Latitude: -58.36

Longitude: -43.20


Hoje apercebi-me mais uma vez o quanto especial é o planeta em que vivemos. Estou no meio de um Oceano Antárctico, tenho por baixo de mim 2km de àgua a 0 graus Celcius (bem geladinha!), a milhares de quilómetros de uma cidade digna desse nome, não se vê terra por mais que dê volta ao navio, e no entanto...há vida aqui!!!!!
















As aves marinhas estão sempre connosco, como neste caso um albatroz de cabeça cinzenta. Só houve uma noite, em que não havia muito vento e quando fui dar uma volta pelo navio havia um silêncio que logo me apercebi que não havia aves... que saudades!


É muito interessante reflectir como os animais evoluiram para se adaptarem a condições ambientais que inicialmente seriam dificeis de habitar. Aqui temos várias espécies totalmente adaptadas a viver no frio, àguas frias, no meio do Oceano...onde nós não sobreviriamos 1 minuto
sozinhos tal como estas aves o fazem.





(Today I recognized how amazing our planet is. Here I am in the middle of nowhere, with 2 km of cold water beneath me, no land to be seen, water at 0 degrees celcius...but nevertheless various animals are able to cope with all these dificulties...albatrosses, seals, prions, petrels. Extraordinary how these animals evolved to be adapated to such harsh conditions for an human being. Us, would not survive a minute...beautiful seeing them so "at ease" at sea...)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Peixes e lulas polares (Polar fish and squid)

Latitude: -59.67
Longitude: -44.06










Hoje foi um dia intenso! Muito trabalho na laboratório....mas por boas razões!












Passei a maioria do tempo fascinado com o peixe que temos apanhado. O grupo de peixes que temos apanhado mais são os peixes mictófideos que vivem na coluna de àgua, muitos passam a vida sem verem o fundo ou a superficie do mar.







São numerosos, muitos vivem em cardumes e adoram andar sempre a nadar. Aliás muitas destas espécies fazem migrações verticiais, estando em grandes profundidades durante o dia (podem ir até mais dos 700 metros de profundidade) e durante a noite aproximaram-se mais da superficie (até menos dos 200 metros de profundidade). Nós julgamos que estas migrações diárias podem dever-se ao seu alimento estar presente mais junto à superficie e como querem evitar serem comidos durante o dia vão para àguas mais fundas. No entanto, muito estudos ainda estão a decorrer para perceber porque isto acontece.





Um dos apaixonados pelos peixes é Martin Collins. Ele tem-se dedicado muito aos peixes e às lulas e polvos do Oceano Antárctico, tendo aliás descrito novas espécies. Depois da Irlanda e Aberdeen, está na British Antarctic Survey a estudar a vida marinha. Mas não só os peixes...esperem pelos próximos dias estaremos a falar dos pinguins!






















Aqui está com os bicos (mandibulas da boca) da lula colossal do Antárctico, Mesonychoteuthis hamiltoni, a maior lula do mundo, que pode chegar a mais de 20 metros de comprimento!!!!
(Today a pretty intensive day of work...but for the good reasons! We have been catching nice catches of myctophid fish, which have been making Martin Collins a very happy scientist. Martin is interested in the marine ecosystem at various levels and in this cruise, particularly in fish. He also studies squid. In his hands he holds the beaks of the biggest squid in the world, the colossal squid Mesonychoteuthis hamiltoni, which can reach more than 20 metres long. Later on, we will be speaking about his penguin work. )

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

A importância do Ano Polar Internacional! (The relevance of the International Polar Year!)

Latitude: -59.41


Longitude: - 44.03






















Durante este cruzeiro é evidente a importância do Ano Polar Internacional, o programa cientifico e educacional sobre os pólos, sendo o último há 50 anos. Portugal está representado num Ano Polar Internacional pela primeira vez na sua história.








O melhor exemplo vem desta viagem, onde cientistas de vários paises estão a colaborar conjuntamente, incluindo Portugal. A British Antarctic Survey é uma das instituições com maior relevância, estando envolvida em mais de 50 projectos associados ao Ano Polar Internacional. Portugal colabora com esta instituição desde 1997.




Aqui no navio James Clark Ross, estamos a conduzir uma das mais extensas avaliações da cadeia alimentar do ecosistema marinho do Oceano Antárctico nunca antes vista, examinando a cadeia alimentar e ciclos de vida de numerosas espécies de todos os tamanhos, desde as algas unicelulares até às baleias. Este cruzeiro, que cobre todos os ambientes marinhos do Oceano Antárctico, desde junto à extensão de gelo até à Frente Polar Antárctica. Todos os 26 cientistas a bordo estão a estudar fenomenos e hipoteses cientificas de grande importância, que ajudará a determinar como estes organismos marinhos estão vulneráveis às alterações climáticas evidentes nesta região do planeta.






















O meu papel neste cruzeiro é avaliar o papel fundamental de várias espécies de peixe na cadeia alimentar, através de estudos da sua abundância, e da sua distribuição vertical e horizontal. Como são abundantes na coluna de àgua, e pouco se conhece sobre várias espécies de peixe, estamos a avaliar que àguas preferênciais (ao nivel da temperatura da àgua, por exemplo) cada espécie de peixe tem, e como varia essa abundância consoante o habitat (junto ao gelo, no mar aberto, junto à Frente Polar Antárctica), e que efeitos alterações climáticas poderão ter na sua abundância. Como muitas destas espécies de peixe têm um papel importante na dieta de predadores (pinguins, albatrosses, focas, baleias), está-se também a fazer rastreio via satélite a pinguins rei de modo a sabermos onde eles se vão alimentar destas espécies de peixe. Abaixo é a rede RMT25 (arrasto pelágico rectangular de 25 metros quadrados) que, devido ao seu sistema de abrir e fechar, permite avaliar a distribuição vertical de organismos marinhos.




















De momento, estamos norte das Ilhas Orcadas a obter mais amostras de àgua, algas, animais que vivem na coluna de àgua (peixe, lulas e crustáceos). Interessante que à medida que mais para para Norte algumas espécies começam a diminuir a sua abundância, devendo-se a elas estarem mais bem adaptadas ao gelo. Ou seja, se o gelo desaparecer...


David Pond a analisar mais uma amostra de zooplancton (organismos marinhos muito pequenos, quer servem de alimento aos peixes, lulas e outros animais maiores)...observações de muito valor para nos ajudar a perceber as alterações climáticas e o funcionamento dos ecossistemas marinhos durante o Ano Polar Internacional.





(During this cruise, it is obvious the importance of the Internacional Polar Year (IPY) in it. Portugal is participating for the first in its history and this cruise is an excellent example for the international collaborations that are being carried out in IPY. The RSS James Clark Ross is carrying out one of the most comprehensive surveys of pelagic life in the Southern Ocean yet seen, examining life cycles and food webs of creatures of all sizes, from microscopic single celled algae to the largest baleen whales. The survey, called DISCOVERY 2010, will span the entire range of Southern Ocean environments, from the ice-edge to the polar front. It will involve 26 scientists from a number of UK and international institutes. Many of the creatures they will study are pushing the limits of what animal physiology can endure. This survey will help determine how vulnerable they are to the predicted changes in this rapidly altering sea region)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Signy

Latitude: -59.41
Longitude: - 43.26

Tive a felicidade de estar na Ilha de Signy. Esta novidade veio numa reunião em que o investigador responsável por esta expedição, Geraint, nos informou que teriamos de ir a Signy por questões técnicas (precisavam de resolver algo informático), por questões ambientais (a base estava a precisar de contentores para por mais residuos) e por questões de cortesia (estavamos ali perto, tinhamos o correio e vegetais para eles e no futuro sempre poderiamos contar com o apoio deles para alguma coisa). Assim foi...6 da manhã lá estavamos todos prontos para ir para Signy. Esta foi a vista à chegada...











Se antes deste cruzeiro me tivessem dito onde gostaria de ir, esta seria uma das ilhas que me viria obrigatoriamente à conversa.



Aqui é onde se encontra uma das bases Britânicas de investigação marinha, sabia que estariam lá 2 grandes amigos nesta altura e estaria em contacto directo com animais como elefantes marinhos, um privilégio dificil de conseguir se estamos no navio. A base é ocupada no Verão, com um numero máximo de cientistas pequeno (menos de 15 cientistas), focando essencialmente no estudo de plantas terrestes e animais marinhos.
















O contacto directo com elefantes marinhos era algo que me veio logo à cabeça assim que soube que iria. Os elefantes marinhos são muito calmos e podemos facilmente estar perto deles...fantástico. As fotos tiradas são mesmo perto deles...mas sempre sem os perturbar, claro.





































As otárias do Antárctico (Antarctic fur seals) também lá estavam....
















Lá encontrei-me com 2 grandes amigos: Akinori (Investigador Japonês que conheço desde os tempos em que vivemos em Cambridge, ele a estudar pinguins e eu a estudar albatrosses, no British Antarctic Survey) e Mike Dunn (também dos tempos de Cambridge, em que vai para Signy todos os Verões para estudos de monotorização das populações de pinguins). Foi muito bom.
























A visita durou 3 horas, onde Akinori me mostrou uma pequena parte da ilha, me explicou como a sua ciência está a decorrer (muito bem!) e revivemos os bons velhos tempos!







Agora já estamos em alto mar, já numa outra estação a recolher mais amostras de àgua, de peixe e crustáceos.





(The news came like a dream: we were going to Signy Island! It was such good news as it is a very special British base that carries out mostly seabird, seal and vegetation research, which two great friends were there: Akinori, Japanese penguin researchers and Mike Dunn, also researching on penguins. Great to catch up with them. Everybody onboard of the James Calrk Ross enjoyed coming to Signy. Now we are already donig a mesoscale acoustic survey to assess abundance of fish and crustaceans north of the South Orkneys)